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Alexandre Lyrio, Felipe Amorim e Marcelo Sant'Ana|Redação CORREIO
A Fonte Nova vai cair ao toque de dedo indicador, polegar ou palma da mão. Direita ou esquerda? Depende do gosto de quem apertar o botão pra iniciar o processo de explosões. O centro de controle será instalado às margens do Dique do Tororó, com vista direta ao estádio. A série de pequenas detonações para implodir o anel superior do estádio acontecerá dia 29 de agosto, domingo. Ao invés de futebol no fim de tarde, matinê. Horário de pouco movimento no entorno e grande visibilidade, transformando entulho em show. O balé de concreto será a última “olla” da Fonte. Começará à esquerda da ferradura e terminará ao lado da tribuna de honra, onde o estádio se aconchega no morro. O estudo aponta que o próprio concentro,à medida que a base é implodida e se curva para o centro do campo, ajuda a derrubar a parte seguinte. Embora tenha forma única, a parte superior da Fonte Nova é a junção de 18 subestruturas.

Parte do anel superior já foi demolida mecanicamente este mês
A queda deverá durar menos de 17 segundos, calcula o americano John Mark Loizeaux, presidente da CDI – Controlled Demolition Inc. A empresa presta consultoria à brasileira Arcoenge, responsável direta pelo serviço. Ambas contratadas pela Fonte Nova Negócios e Participações, fruto da sociedade do consórcio OAS/Odebrecht, vencedor da licitação no valor de R$596 milhões do governo do estado para reformar toda a obra.
DETALHES
Os explosivos têm forma de bisnaga, com cerca de 30 cm. “O material é semelhante a um gel de cabelo”, ilustra Alejandro Natanson, especialista da Arcoenge. O estádio será envolto em tela metálica e sobre esta haverá outra de proteção balística, semelhante a colete à prova de balas. Função é evitar que destroços atinjam as residências no entorno da praça esportiva. Moradores em área no raio de 250 m do estádio vão evacuar as residências.
CODESAL
A coordenação do plano de evacuação fica a cargo da Defesa Civil de Salvador (Codesal), pois o procedimento tem riscos. “Medida preventiva. Eventualmente, durante a vibração provocada pela implosão, um pedaço de concreto pode se desprender e atingir alguém, por exemplo”, diz o subsecretário de Defesa Civil, Osny Bonfim.
Numa reunião realizada na última sexta-feira, o consórcio apresentou à Codesal todo o programa, aprovado quase que inteiramente. “Eles têm um know-how muito bom. Só fizemos algumas sugestões que foram acatadas. Deve ser tudo muito controlado”. Entre as obras de destaque da Arcoenge, a demolição do presídio do Carandiru, em São Paulo. ACDI, com mais de 40anos de experiência é referência americana no tema. O subsecretário confirmou que todo o procedimento deve durar uma manhã inteira. “A derrubada é rápida, a preparação é que demora”.
Osny Bonfim disse ainda que é garantida a reparação de prejuízos, caso comprovados. “Todos os cuidados serão tomados para não haver abalos, mas eles podem existir. Nesse caso, cabe à empresa responsável pelo procedimento pagar esses reparos”.
ABRIGO
Tanto a Codesal quanto o Consórcio Arena estudam onde ficará instalado o centro de convivência para as famílias. A preferência é pelo Colégio Central. Além da Transalvador, no guincho a veículos e monitoração das áreas de acesso, a Polícia Militar também colocará um efetivo nas ruas, especialmente no Jardim Bahiano, Nazaré e Tororó, para evitar a aproximação de curiosos. A festa de despedida é só para ver; não pra participar.
ANOTE DIREITINHO
- Até 0h de 29 de agosto Carros têm que deixar as ruas vizinhas ao estádio. Transalvador cuidará de quem“esquecer” a ordem
- A partir das 7h do dia 29 Início da evacuação das casas dos moradores. Será possível ficar no Colégio Central durante o evento
- Até as 8h do dia 29 Limite para o morador tirar o carro da garagem
- Às 12h de 29 de agosto Retorno dos moradores às próprias residências
Cartilha mostra como se deve agir durante evacuação
“A construção desse sonho precisa da sua colaboração”. A frase, junto à foto da Fonte Nova, está estampada na cartilha distribuída aos moradores do entorno do estádio. O material traz esclarecimentos sobre como as pessoas devemagir durante o período de evacuação das ruas e imóveis. O material informa que tudo deve ser feito com cal ma e semcorreria. Além disso, incentiva que as pessoas convoquemos vizinhos a saíremdos imóveis.
Antes disso, deverão fechar as portas e janelas e tirar as roupas do varal para evitar poeira. Os carros deverão ser retirados das ruas à 0h do dia da implosão. Os veículos próprios têm até 8h para seremretirados das garagens. Pelo período de mais ou menos cinco horas, a partir das 7h, as famílias deverão ficar em casas de parentes ou no centro de convivência.
Ministério Público de olho, mas sem parar as obras do estádio
O Ministério Público sempre esteve alerta às obras de demolição da velha Fonte e construção da nova arena esportiva. Na semana passada, o MP questionou vários pontos do contrato do Consórcio Fonte Nova Participações com empresas de engenharia, alegando falta de licitação. Além do que ainda aguarda resposta do BNDES sobre a recomendação da suspensão do empréstimo de R$ 400 milhões ao consórcio.
Apesar dos vetos, o MP deixou claro que não quer travar a obra. “O nosso trabalho nunca foi de impedir a execução das obras. O que nós temos interesse é que seja feito da forma correta. Sinalizamos algumas questões de contrato e o empréstimo junto ao BNDES, que iremos continuar acompanhando em paralelo”, afirmou Rita Tourinho, promotora do Ministério Público Estadual.

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jason andrade
espero que a fonte nova nao seja o 2 elefante branco da cidade pois ja nao basta o aeroclube ali e um pantano pois demolir e construir nao e facil e o estado vai gastar 4x mais boa sorte governador
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Carolina
Há um erro na reportagem, dia 29 não é domingo, e sim, quinta-feira.
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