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Mãe de santo acusa policiais militares de tortura em Ilhéus

Bernadete foi algemada, puxada pelos cabelos e jogada no formigueiro quando estava incorporada por Oxóssi

06.11.2010 | Atualizado em 06.11.2010 - 10:40

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Alexandre Lyrio e Jorge Gauthier | Redação CORREIO
alexandre.lyrio@redebahia.com.br
jorge.souza@redebahia.com.br

É na terceira pessoa que a ialorixá Bernadete Souza Ferreira dos Santos, 42 anos, relata uma sessão de tortura que ela própria sofreu de policiais militares. “Pegaram Oxóssi, puxaram os cabelos, jogaram ele em cima de um formigueiro, pisaram no pescoço e disseram: ‘só assim para o demônio sair’”, denuncia, garantindo estar incorporada no momento das agressões.

Mãe de santo e coordenadora de educação do assentamento Dom Helder Câmara, em Ilhéus, Sul do estado, Bernardete diz que foi algemada e torturada após questionar a presença dos policiais militares numa área que pertence ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de responsabilidade da Polícia Federal (PF).


"Pegaram Oxóssi, puxaram os cabelos e jogaram num formigueiro", contou Bernadete

O fato ocorreu no último dia 23 e pelo menos uma dezena de assentados presenciou tudo. Somente através deles Bernadete diz ter tomado conhecimento do que sofreu. Isso porque, depois de algemada e puxada pelos cabelos, a ialorixá diz ter sido “tomada” por Oxóssi, seu guia espiritual.
Em seguida, jogada sobre as formigas, Mãe Bernadete ficou com marcas de mordidas nas duas pernas.

Ao CORREIO, Bernadete contou que o assentamento, localizado no distrito de Banco do Pedro, vivia um dia tranquilo quando, por volta das 14h30, ela e o marido, o agricultor e professor de filosofia Moacir Pinho de Jesus, assistiam televisão quando perceberam a presença de oito PMs, que adentraram o assentamento, fortemente armados, com um jovem algemado.

O casal perguntou sobre os motivos da presença da PM na comunidade, mas não obtiveram resposta. “Disseram que estavam numa investigação e que não poderiam dar explicações. A gente colocou para eles que o assentamento estava sob jurisdição do Incra e que, para entrar ali, tinha que ter ordem judicial”.

TRUCULÊNCIA 
Nenhuma ordem judicial foi mostrada. Os PMs entraram na sede da associação de moradores do assentamento e a vasculharam. Foi quando Bernadete resolveu ser mais incisiva. “É melhor vocês se retirarem. Isso aqui é uma área privada, um assentamento. Vocês podem entrar nas casas de quem não conhece as leis. Mas aqui nós não somos abestalhados”.

O suficiente para que o PM que comandava a patrulha, identificado como Adjailson, ordenasse a prisão dela por desacato. Bernadete foi algemada e puxada pelos cabelos.


Marcas da agressão ainda estão no corpo da mãe de santo agredida por policiais

“Quando pegarem meu cabelo, o orixá chegou. A partir daí só os relatos das pessoas. O pessoal disse que gritava: ‘Solta que é Oxóssi, é o orixá que está aí’. As crianças começaram a gritar, um desespero. Pegaram Oxóssi, pisaram no pescoço dele e jogaram em cima de um formigueiro. Aí disseram: ‘só assim para o demônio sair’”.

AGRESSÃO 
O marido de Bernadete conta que, ao tentar defender a esposa, foi empurrado. “O tempo todo eles apontavam armas e ameaçavam atirar”, diz Moacir. No grupo de oito policiais, três foram identificados como os mais cruéis. Segundo os assentados, além de Adjailson, que seria um sargento, os soldados Guedes e Jesus também participaram da tortura.

Bernadete diz ter sido arrastada pelos cabelos por cerca de 600 metros até o distrito, onde estava a viatura da polícia. Passaram por quatro pontes. Ao atravessar uma delas, os PMs teriam atirado  spray de pimenta para impedir a passagem dos assentados. Um dos atingidos foi o próprio coordenador geral do assentamento, Egnaldo Leal.

“E Oxóssi dando os ‘ilá’ dele”, contou a assentada Edleuza de Oliveira Moreira, referindo-se ao grito característico do orixá. Filha de santo, Edleuza testemunhou tudo. “Se Oxóssi não tivesse lá, ela não ia aguentar. Foi muito sofrimento”. Edleuza diz  que um dos PMs chegou a apontar uma arma para a neta, de 4 anos, de Bernadete, que apenas suplicava. “Não levem minha avó”.

PMs seguem na rua
Mesmo com a acusação de tortura à ialorixá, os oito policiais militares continuam em serviço, segundo a assessoria de comunicação da Polícia Militar. O tenente coronel Manoel Amâncio Neto, da corregedoria da PM, preside sindicância para apurar a autoria e materialidade do fato. A explicação para que os militares sigam em serviço é que não há confirmação das denúncias. O oficial faz viagens ao Sul do estado para ouvir os envolvidos.

O prazo para a conclusão da sindicância é de 30 dias.  Bernadete e outros líderes do assentamento já foram ouvidos. Os PMs não tiveram os nomes divulgados, mas a comunidade identificou o sargento Adjailson e os soldados Guedes e Jesus.

Quanto às denúncias, a PM informou que só vai se pronunciar quando as investigações forem concluídas. “É um absurdo esses PMs estarem atuando, coagindo testemunhas”, disse um dos diretores da União Geral de Trabalhadores (UGT), Magno Lavigne, que emitiu comunicado  à Organização dos Estados Americanos (OEA). 

O caso vem à tona em pleno Novembro Negro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra, no dia 20. “A tortura não foi contra uma ialorixá, mas, como foi feita com Oxóssi incorporado, foi contra todo o povo de santo”, diz Lavigne.

Incra cobra solução
A entrada da Polícia Militar na área do assentamento em Ilhéus não agradou ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que é dono da área. “A PM não conseguiu justificar agora a motivação  dessa ação. Precisamos de um esclarecimento plausível para essa história”, disse o superintendente em exercício do Incra na Bahia, Marcos Nery.

“Caso não tenha, pedimos à Polícia Militar que tenha celeridade nas investigações. Eles invadiram uma área de propriedade federal, onde só a Polícia Federal tem autonomia para entrar”, completou Nery.

O Incra, no dia 24 de outubro, enviou ofícios para a Superintendência da Polícia Federal, Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Ministério Público, Secretaria de Segurança Pública, Casa Militar, Casa Civil, Gabinete do Governador e comando geral da Polícia Militar cobrando medidas.

Segundo Nery, somente a Sepromi, a Casa Militar e o Ministério Público, até ontem à tarde, haviam respondido o ofício informando que iriam participar das investigações.

Diante da gravidade das denúncias, o desembargador Gercino José da Silva Filho, ouvidor nacional do Incra, realizará uma audiência pública sobre violência no campo ainda este mês.

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Adélia Oliveira de Farias

Quem tem Oxossi, tem Pai.
Isso não vai ficar assim.O deus africano é um Deus mais presente na vida do filho.

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conciente

Só comento depois de ouvir os envolvidos, vcs ficam falando besteira sem saber do ocorrido, seus cabadas de alienados, o jornal produz o que vende, não sou a favor nem contra, simplesmente não acredito em tudo.

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Homem de Bem

Que milagre não lavarem mais " auto de resistência a tiros " com esta coitada !!a Pratica que tornou-se " praxe " em todos os problemas envolvendo a PM, a população baiana está casa de tudo acabar em " pizza " na bahia precisamos voltar a saborear boa, velha e antiga justica baiana que tinha sabor de acarajé.

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Carine Ribas

O que torna nosso país, uma nação perversa e inquitanbte, é IMPUNIDADE.

Ninguem pune militar....uma vergonha.

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Regina

Quando a policia militar entrou na Favela de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, passou fogo numa familia de evangélicos que estavam reunidos orando.
Lembram disso ? Foi a Chacina de Vigário Geral.
Que absurdo caros evangélicos. A policia foi violenta e arbitrária. Justiça para todos e respeitam o direito constitucional à liberdade religiosa da Sr. Bernadete.
Se Deus é amor o momento agora é de demonstrar esse amor através da solidariedade.

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ARCO IRIS

QUANDO UM PM É MORTO OU SOFRE AGRESSÃO DE ORDEM FINANCEIRO POR PARTE DO ESTADO OU MARGINAL ,O ENTÃO GOVERNADOR NÃO DIZ QUE SERÁ RIGOROSO NA APURAÇÃO.NÃO CONCORNO COM ESSAS ATITUDES ORA APRESENTADAS NA IMPRESA, SERÁ QUE TIVERAM O CUIDADO DE OUVIR AMBAS AS PARTES? AGORA APARECE O TAL DIREITOS HUMANOS!FINALMENTE PRA QUE SERVE O TAL DIREITO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS ? PRA CONDENAR ? OU PRA FAZER JUSTIÇA ? POR QUE OS MEMBROS TEM RAIVA DOS POLICIAIS ? SERÁ QUE É REQUICIOS DA DITADURA? SERÁ QUE PMS ATUAIS ESTÃO SOFRENDO AS SUAS HERANÇAS TRANSCENDENTAIS.
Requícios do regime autoritário, regulamentos não permitem a funcionários públicos a emissão de opiniões "depreciativas"MAS EU FALO EM NOME DA NOVA ORDEM MUNDIAL,SERÁ QUE NÃO TERÃO SOCORRO OS FILHOS DA VIÚVA DA POLÍCIA MILITAR DA BAHIA. UM DIA TODOS NÓS TERES QUE PRESTAR CONTA NO GRANDE ORIENTE.

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Ivone

Indepedente da religião dela ela sofreu uma agressão, que pais é esse no qual pagamos a policia para receber segurança se são as próprias que começam com a violencia, estou indignada, cada vez mais policia ganha o desrespeito e o desprezo da população, ela é uma mulher, uma cidadã que vota a paga seus impostos. Espero que seja feita justiça, pois policias como esses ñ deveriam estar trabalhando nesta função, kd os psicotestes que dizem que são feitos antes da admissão de um policial? Esses três agressores foram aprovados? Se ñ tentarmos diminuir a violencia ela tende a crescer cada vez mais.

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Joao

Evangélicos hipocritas, a reportagem fala de liberdade religiosa, vcs pela lavagem cerebreal é que deveriam estarem sentados em cima dos formigueiros, pois Deus é um só.

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carlos soares

Acho que ouve excesso sim mas vamos pensar,será que todos agora vão usar estes artificios para obstruir o trabalho e desacatar o policial ja pensou nisso se toda vez que a policia estiver trabalhando alguem com certa influencia ou artificio fizer isto eu aconselho os policiais a cruzarem os braços fazer o minimo mas tambem acho que não deve haver exageros nem excessos mas tambem devemos analizar e ouvir os dois lados vamos pensar quando a policia cair na real e trabalhar o minino possivel fazer o minimo ai sim a população vai sofrer não vamos julgar sem antes ouvir os dois lados

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agius

Estranho a invasão ao espaço do INCRA,se mandato,intolerancia religiosa,usurpaçao de função pública,onde em area da responsabilidade federal,invadiram ,se estes homens estivessem a paisana,a culpa certamente ia recair sobre agentes da PF de Ilhéus,pois daqui que ficasse nitido que foram PMS,os unicos suspeitos seriam os colegas da PF.uma vez que só ela tem direito de adentrar em areas do INCRA.tem que ser investigado para que outras instituições nao sejam punidas erroneamente.certamente a PF nao soube desta incursão,pois certamente nao aconteceria.

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