Franco Caldas Fuchs
franco.fuchs@redebahia.com.br
O CORREIO não lançou música, mas mesmo assim sacudiu muita gente na praia com a reportagem que revelou muito sobre o gosto musical dos soteropolitanos. Na orla de Amaralina, por exemplo, onde a trilha sonora que saía em alto e bom som dos carros era o pagode, ninguém se conformou com o fato desse ritmo ter ficado em segundo lugar na preferência dos soteropolitanos.

De acordo com a pesquisa feita pelo instituto capixaba Futura, o pagode foi apontado como o estilo preferido por 10,5% dos 601 entrevistados, ficando atrás da MPB, que liderou com 23,5%.
“MPB? Está maluco? Salvador é só quebradeira!”, disse o auxiliar de escritório Magnum Silva, 29 anos. Ele curtia a tarde quente ao lado de vários amigos, comendo água e curtindo justamente a swingueira: “Vou te dizer o som do momento: é Saiddy Bamba!”, garantiu, lembrando do sucesso Sim, Sim, Sim, Não, Não, Não. “Essa é a música que fala sobre a maneira como a mulher diz que tá a fim do cara!”, explicou o fotógrafo Tiago Santos, dono do carro que fornece o som para a turma.
O grupo liderado por Alex Max, e que na pesquisa do Instituto Futura aparece como o 4º grupo de pagode mais apreciado, foi um dos mais citados em toda a praia.
Outros que estavam com a moral lá em cima ontem eram A Bronkka (em 2º lugar na pesquisa), Black Style (em 5º) e o Psirico (7º). O fato de o grupo Harmonia do Samba ter ficado em 1º lugar na pesquisa causou algum espanto, porém foi um resultado visto com respeito. “O Harmonia é o começo de tudo, e sem eles não existiriam as bandas de hoje”, disse Tiago.
Axé em queda
O resultado que mostra o axé em 4º lugar no gosto dos soteropolitanos, atrás do sertanejo, também causou alguma surpresa. Mas ninguém discutiu que o ritmo que já foi sinônimo de Bahia está bem defasado em relação ao pagode. “Até 2009, eu ouvia mais axé, mas depois foi só pagode mesmo”, contou a estudante Jarbileine Brasil, 19. “Hoje a banda que mais gosto é Black Style”.
Como muitos outros jovens, Jarbileine disse que o pagode ganhou força por falar a linguagem das comunidades. “O axé parece que ficou coisa de gente amarela, classe média”, destacou a estudante Itailaine de Jesus, 22, que minutos antes de falar com a reportagem quebrava até o chão.
“A swingueira é bem mais gostosa do que o axé”, garantiu. Ela também fez questão de protestar contra o projeto da deputada Luiza Maia, do PT, que pretende coibir a difusão de pagodes com letras consideradas ofensivas contra as mulheres. “O pagode faz sucesso porque a mulherada gosta. Algumas letras até agridem, mais curte quem quiser”, opinou.
Previsível
Na avaliação do repórter especial do CORREIO, Osmar Marrom Martins, que acompanha o desenvolvimento do axé desde 1985, o enfraquecimento do ritmo não é surpresa. “O axé teve seu ápice de 1990 a 2005, e agora está em seu pior momento. É algo que preocupa empresários e produtores há algum tempo, e essa pesquisa detectou bem”.
Entre os motivos que provocaram esse enfraquecimento está a falta de conexão do axé com a realidade dos guetos. “Antigamente, os produtores iam até as comunidades para ouvir o que os artistas do gueto estavam fazendo, e hoje isso não acontece mais”.
Enquanto isso, os pagodeiros ocuparam esse espaço, produzindo músicas que falam a língua do povo. “O pagode também renova sua safra o tempo todo. Prova disso é que todo dia uma banda de pagode me procura para mostrar seu trabalho. É verdade que tem muita coisa sem qualidade, mas pelo menos eles estão se movimentando”.
Na tentativa de reconquistar o gosto dos soteropolitanos, os grandes artistas também estariam buscando uma aproximação com os pagodeiros, se apresentando em suas festas tradicionais, como já fazem o Chiclete com Banana e o Asa de Águia.
Para Marrom, porém, o axé também precisa se renovar e abrir espaço para novas bandas como 5%, TH, e Oito7Nove4. Considerado como ‘o pai da axé music’, o cantor Luiz Caldas preferiu não comentar o resultado da pesquisa. “Eu não tenho nada a ver com isso. Criei a axé music, mas não
me prendi a ela. Apenas faço música e respeito o gosto das pessoas”.
Pesquisa publicada gera repercussão na internet
Não foi só nas ruas que a pesquisa publicada pelo CORREIO sobre o gosto musical do soteropolitano causou repercussão. Na internet, o assunto foi bastante comentado nas redes sociais como blogs, facebook, orkut e twitter. No microblog do CORREIO, a notícia foi a mais comentada e recomendada. Nas reações dos leitores sobraram ironia e bom humor. “O Axé na UTI. E agora? Os números não mentem”, escreveu Beto Vilella.
“Certeza que essa pesquisa não foi feita em Aracaju, por engano? Ela está destruindo estereótipos rentáveis...”, disse George Lemos. “E teve boatos que a Bahia é a Terra do Axé!”, anotou Paloma Ayres, enquanto o leitor Thiago Aley garantiu que o resultado era previsível: “Cantei essa bola há algum tempo!”.

No orkut, o assunto entrou no fórum da comunidade Esporte Clube Bahia, que conta com 94 mil membros. “Harmonia sempre no topo. As outras são bandas passageiras”, escreveu um dos membros da comunidade, sobre o fato de o grupo de Xanddy ser o mais lembrado do pagode. “Achei estranho esse negócio da MPB estar na frente com 23% da preferência”, disse outro, que não acredita que o pagode esteja em segundo lugar no gosto do soteropolitano.

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carlos ferreira
Pagode é um lixo . Faz apologia as drogas , prostituição , geralmente quem ouve são pessoas baixas sem nível cultural .
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Gereba
Pagodeiro gosta de se aparecer. No carnaval voltei do interior pela Ilha de Itaparica, o que tinha de carro com caixas de som no maior volume..não era brincadeira. Eles acham que todos gostam desta carniça. "Quebram" na frente de todo mundo se achando..se o som não fosse tão alto, seria uma comédia..mas é uma agressão aos ouvidos. Preefria ficar 10 horas na fila sem pagode do que ficar três com essa gritaria. O Axé está morrendo, quero saber que estilo vai desbancar o pagode..que venha logo.
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Rayanna
Gosto cada um tem o seu !!
A Bahia é terra para tds se viver e tds se curtir poorque carnaval tds curti tudo então vamos viver e ser feliz deixa cada gosta do seu gosto e pronto. Agente não manda no gosto de Ninguém, neh no carater e nem na personalidade
eu sou uma pessoa que gosto de pagode e de axé então não discrimino nenhuma outra banda, ou musica .
VAMOS VIVER ISSO E OQ IMPORTAR
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Mariana
Se falasse que pagode é música de preto e pobre, eu estaria sendo racista!Mas a garotinha pode falar numa boa que o axé é musica de amarelo e classe média...
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Babi
é amigo Ademário, parece que imprensa local está apoiando as musicas que xingam, q fazem apologia a sexo, a depreciação da mulher baiana, enfim. Nas materias citam musicas de Luiz Caldas e esquecem de citar musicas de Black Stile (xingando a mulher de cadela). Nao gosto de politica ams a Deputada está correta. Porque nao se usa a criatividade para musicas que elogiam as mulheres.A criatividade so serve para denegrir a imagm das mulheres??? Tanta gente fazendo coisas boas pelo social e a imprensa local se preocupa com isso...vergonhoso
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antonio
A matéria já começa errando quando relaciona pagode a música. Com rarissimas exceções, e o Harmonia do samba é um exemplo, o que chamamos de pagode hoje na Bahia é uma mistura de baixaria, ausência de musicalidade e apologia ao sexo e às drogas, CHEGA!!!!!!!
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Henrique
O que dizer? ñ entendo porque tantas criticas... galera vamos estudar, vamos voltar ao passado e ver que todo e qlqr ritmo tem uma passagem de duplo sentido, agora assim tem aqle ditado: "Quem aponta os erros n tem direito de errar", vamos viver o procurar melhorar o mundo de alguma forma e não fazer criticar e julgar...temos problemas muito piores a serem resolvidos...
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Adriana Almeida
Esse resulado mostra que o baiano ainda tem um pouco de senso,pois dzer que esse estilo que nao tem nada de cultural,estaria a frente da MPB isso realmente seria o fim.
Sou baiana,detesto pagode,sim a musica de qualidade,sim a MPB.
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Freitaz
Pagode é cultura sim. Qualquer manifestação musical, principalmente com aquilo que o Povo entende e convive, é cultura. Tem muita MPB aí que de cultura só tem o paladar elitista do pseudo-intelectualismo. Pagodão é, de fato, a música popular baiana.
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Cinara
O MPB sempre será a preferência, nota-se pelas casas de show lotadas quando acontecem em Salvador
Quem gosta desses pagodes baixaria, são pessoas com nível cultural baixissimo ou fazem apologia ao sexo e as drogas.
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