20.08.2011 | Atualizado em 20.08.2011 - 11:55
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Doris Miranda | Redação CORREIO
doris.miranda@redebahia.com.br
Ele fez o rastejante Gollum na trilogia O Senhor dos Anéis, o imponente gorila na refilmagem de King Kong e agora é César, um dos protagonistas de O Planeta dos Macacos: A Origem, filme de Rupert Wyatt, que estreia sexta que vem no Brasil, depois de faturar quase US$ 115 milhões em duas semanas de exibição nos Estados Unidos.
Você, provavelmente, só conhece os personagens citados. Mas, ao tirar a impecável máscara da tecnologia, surge a expressiva face do ator inglês Andy Serkis, 47 anos. É quase um desconhecido do público em geral, não há como negar. Mas que, depois dessas experiências emblemáticas, se tornou o maior especialista em atuação com captura de movimentos, tecnologia criada em O Senhor dos Anéis e aprimorada no arrasa-quarteirão Avatar.
Serkis virou referência não só pela consistência da atuação por trás do faz de conta, mas pelo desprendimento absoluto do ator para se jogar sem pudor no personagem. Tanto que você olha e realmente acredita na existência corpórea deles.
Corra para a internet e procure vídeos de making of de O Planeta dos Macacos: A Origem para vê-lo atuando como símio. Não é desconcertante? Pois é, a entrega é total.

O chimpanzé virtual César e o ator inglês Andy Serkis: almas gêmeas criadas pela técnica
Primatas
Foi seu papel mais difícil, o próprio Serkis não nega. Para compor César, ele, que já tinha adquirido experiência com primatas em King Kong, foi pesquisar a fundo a linguagem corporal dos chimpanzés.
“A carga dramática dessas atuações com captura de movimentos existe ou não pelo conteúdo que os atores dão ao personagem nas filmagens. Nunca tive uma postura diferente por se tratar de captura digital. O processo de atuação é absolutamente idêntico”, explica Andy, que defende publicamente a inclusão de ‘atores digitais’ nas principais categorias do Oscar.
Não que, para isso, sejam criadas novas categorias. “Devemos reconhecer que existem duas partes no processo. A primeira é o desenvolvimento do personagem. Só depois que vamos para a conversão digital”, diz.
A dedicação para incorporar César da maneira certa foi tanta que ele passou seus conhecimentos para os colegas que também vestiram a roupa digital, um traje especial com sensores para captar movimentos, atuando como uma espécie de diretor de elenco.
Humanidade
Se virar um macaco não foi desafio o suficiente, Serkis e companhia tiveram uma câmera acoplada no rosto (exatamente como em Avatar) para capturar suas expressões mais sutis. A diferença desse Planeta dos Macacos para Avatar é que agora essa câmera pode ser usada em locações externas.
Esse foi um motivo que fez Andy Serkis aceitar César. Isso e o roteiro, claro. “Minha reação imediata foi: ‘Por quê? É realmente uma série que precisa ser ressuscitada?’”, lembra o ator inglês.
“Então li o roteiro. E preciso dizer, esse foi o motivo para tê-lo feito. É uma história poderosa, tocante, bastante humana, sobre relacionamentos. César foi criado em um ambiente em que era amado e tratado com respeito e ele realmente não entende que é diferente dos humanos. Então, após certos eventos, ele se enfurece e experimenta uma autoconscientização, um momento em que percebe que não é como essas pessoas que o criaram”, explica.
VEJA UM POUCO DA CRIAÇÃO DO CHIMPANZÉ CÉSAR NO FILME
Amizade
O primeiro passo para o reconhecimento veio com Gollum, papel para o qual foi recrutado só para dublar. Mas, depois de vê-lo em ação, num rastejar decadente e regurgitando bolas de pelo imaginárias, como seus gatos, para emitir o som característico do personagem, Peter Jackson resolveu deixá-lo por inteiro no personagem.
Nascia ali uma amizade que só renderia bons frutos. O próximo ‘papel’ foi o adorável gorila gigante de King Kong , também de Jackson. A dupla se reuniu de novo em Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne, a primeira parte de trilogia de Steven Spielberg e Peter Jackson, com estreia para dezembro. Em 2012, Serkis e Jackson voltam à Terra Média através de O Hobbit, filme apresentado em duas partes, no qual o ator encarna novamente Gollum.
Em Hobbit, Serkis será mais do que ator. Ele aceitou dirigir a segunda unidade do longa. “Eu acho que entendo a sensibilidade de Peter e temos uma história em comum. Ele me ofereceu isso em um e-mail que veio do nada. Foi uma surpresa fantástica”, comemora.
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