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Quatro alunos faltam à aula e sobrevivem ao desabamento no Rio

Eles frenquentavam o curso de informática no sexto andar do prédio. Três não trabalhavam no local e uma delas é funcionária da TO Tecnologia

29.01.2012 | Atualizado em 29.01.2012 - 21:04

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Quatro alunos do curso de informática, que era ministrado três vezes por semana no sexto andar do Edifício Liberdade, não foram à aula na quarta-feira (25) e conseguiram se salvar do desabamento do prédio.

Marcel, Mario e Luiz não trabalhavam no prédio, mas frequentavam o  curso que começava às 18h30 e terminava às 21h. Uma quarta pessoa, que também faltou à aula, é funcionária da empresa TO Tecnologia, mas não quis gravar entrevista.

Um pedido de carona não estava nos planos do Marcel. “Foi basicamente a carona dele e aí a vontade de chegar em casa logo que eu falei: ‘Está bom, vamos embora’”, comentou.

Mário não esperava ter que levar a avó ao hospital justo naquele dia. “Apesar de ter sido uma coisa trivial o que ela teve, se não fosse por isso, com certeza, eu teria ido ao curso”, diz.

Se não fosse por isso eu teria ido. O cansaço venceu Luiz de uma forma que não acontecia havia tempo. “Eu estava muito cansado. Por isso, não fui à aula”, contou.

Era um curso avançado em tecnologia da informação. Quem dava as aulas era Omar Mussi, especialista respeitado na área. Na primeira fila, sentavam Marcelo Rebello e Yokania Bastone Mauro. Logo atrás sentavam-se Sabrina Prado, Priscilla Montezano e Bruno Gitahy Charles. Luis Leandro de Vasconcelos e Flávio Porrozzi completavam a turma naquela quarta-feira (25). Nenhum deles escapou. O lugar de Luiz, na primeira fileira, estava vazio. Assim como a última mesa, onde ficavam Mário e Marcel.

Novo emprego e carona
Marcel foi chamado para uma reunião em uma universidade perto do Edifício Liberdade. Ele foi acertar os últimos detalhes do novo emprego como professor. “Possivelmente eu venho dar aula e eu vim definir o horário”, comentou.

Da universidade, Marcel iria direto para o curso de informática. “Só que a reunião atrasou. Ainda dava tempo de ir ao curso, saindo às 20h eu conseguiria chegar. Era muito próximo, eu conseguiria chegar tranquilamente”, disse.

Mas os planos mudaram quando o novo chefe pediu uma carona. “Ele ficou até meio sem graça, porque eu vi que existia algum outro compromisso que eu não sabia qual era. Eu perguntei: ‘Marcel, não vai atrapalhar em nada a carona?’“, contou o chefe Sérgio.

“Eu falei: ‘Está bom, dou a carona. Vamos’. Ainda vou mais cedo para casa ver se ainda dá tempo de pegar minha filha acordada”, acrescentou Marcel.

Assim que Sérgio desceu do carro, Marcel ligou o rádio. “Foi quando eu ouvi a primeira notícia sobre um desabamento no Centro da cidade. Falava sobre o prédio anexo ao Teatro Municipal. Eu sabia que era a área do prédio onde eu estaria, mas eu não pensei na coincidência de ser exatamente o mesmo prédio”, lembra.

No caminho, Marcel resolveu checar os e-mails. Às 20h18, o professor Omar escreveu: “Vocês hoje não vieram ao curso e fiquei preocupado”. Isso foi 15 minutos antes de o prédio desabar. A mensagem do professor era para Marcel e Mario.

Avó salva neto

Mario também faltou ao curso, mas tinha decidido isso mais cedo. “Por volta de 16h20, minha mãe me ligou para falar da minha avó, que ela estava meio febril e que seria bom a gente dar uma olhada, levar em hospital e ver o que poderia ser, porque como ela tem uma certa idade. A gente não costuma muito postergar esse tipo de coisa”, contou.

Mario pegou um táxi e levou a avó ao hospital. Não era nada grave. Ela foi liberada no dia seguinte. “Acho que minha avó me salvou também. Não só ela como a história que eu tenho com ela. Se não fosse pela história, de repente eu não teria vindo. O cara lá de cima soprou no ouvido da minha avó e falou: ‘Ó, arruma um negócio aí para puxar teu neto para casa, porque não está na hora’”, se emociona Mario.

‘Vou ou não vou?’
Também não era a hora do Luiz. “Eu não estava lá, entendeu? Podia estar. As coisas acontecem na vida da gente e não tem muita explicação”, diz. Na quarta-feira (25), Luiz trabalhou o dia inteiro em casa.

“Eu lembro que por volta de 17h40, mais ou menos, foi a hora que eu parei de trabalhar. Fui tomar banho e eu estava realmente muito cansado. Eu estava na dúvida: ‘Vou ou não vou?’. Queria muito ir, não queria perder a aula, porque o curso estava muito bom. Por outro lado, eu já estava praticamente dormindo”, comentou.

O cansaço venceu. Luiz dormiu até meia-noite. Foi só aí que ele descobriu o que tinha acontecido. As informações são do G1.

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