Foto: Antonio Saturnino/ CORREIO
Após enterro, moradores fecharam avenida
Bruno Menezes, Felipe Campos e Léo Barsan
São 22h no Alto do Coqueirinho e os moradores avisam: é hora de entrar em casa e trancar as portas. Isso porque o terror na comunidade, antes imposto apenas pelas disputas do tráfico, agora também chega de viatura, denuncia a comunidade. O toque de recolher e a violência que assola a região também era retratado pelas músicas do grupo BKS (Blacks, ou negros, em inglês).
“A comunidade está sofrendo, é muita humilhação. Jovem da periferia é visto como ladrão”. As frases faziam parte de uma das últimas composições de André de Jesus Cardoso, 21 anos, um dos líderes do grupo, morto na madrugada de segunda-feira ao lado do companheiro da banda, Tiago Santos Silva, 20.
Os jovens, segundo a polícia, teriam furado uma blitz e acabaram mortos em confronto. Parentes e amigos da comunidade, no entanto, negam a versão da polícia e dizem que os jovens foram executados.
A morte da dupla abalou não só o BKS, mas toda a comunidade, que na tarde de segunda-feira protestou contra a violência em frente à sede da 12ª Delegacia de Polícia, em Itapuã. E deu coragem para que moradores denunciassem as agressões sofridas por policiais dentro de casa. Ontem, pelo menos 400 integrantes da comunidade protestaram contra as ações de policiais militares na região.
“Eles entram em sua casa, quebram tudo, mexem nas panelas. Chegam a reclamar até do cheiro da comida. E já avisaram: se virem qualquer um em atitude suspeita, vai pro saco, como eles dizem”, explica uma moradora, que, por medo de represálias, pede para não ser identificada.
A assistente social Ana Cristine, 40, reforça a tese dos exageros na comunidade nas investidas policiais. “Estamos reprimidos, com medo. Vivemos coagidos há muito tempo. É comum a Rondesp chegar na comunidade e agredir os moradores. Invadem as casas sem perguntar quem é, se as pessoas são de bem”.
O ritmo acelerado de assassinatos na região, segundo o presidente do Conselho Comunitário do Alto do Coqueirinho, Reinaldo Costa, preocupa a todos os moradores. “Em pouco mais de um mês, foram nove mortes.
"Estamos reprimidos, com medo. Vivemos coagidos", disse Ana que trabalha na região
Confiamos no papel das polícias Civil e Militar. Temos muito respeito pelas instituições, mas algum grupo dentro dessas forças está exterminando nossos jovens. Estamos aqui para reivindicar a mudança desse quadro. São mais duas vidas que se vão. Queremos explicações e providências da Secretaria de Segurança Pública para que esses maus policiais sejam apresentados e expulsos. Exigimos justiça”, protesta o líder comunitário.
Os jovens foram enterrados na manhã de ontem, no Cemitério Municipal de Itapuã. Durante a cerimônia, o pai de André, Adilson Sousa Santos, reiterou a suspeita de que os PMs confundiram Tiago com o autor da morte do engenheiro mecânico Heder Rodrigues, 49 anos, assassinado dia 2.
“Eles (os policiais) confundiram Tiago por causa de uma tatuagem no braço. Quando cheguei no Hospital Roberto Santos, fui abordado por um policial. Ele perguntou se Tiago era branco ou preto, porque eles estavam mesmo atrás do mais escuro”, denuncia.
PROTESTO
Após o enterro, a comunidade fez novo protesto em frente à 12ª Delegacia, em Itapuã. Os moradores bloquearam, por uma hora, a avenida Otávio Mangabeira nos dois sentidos. Durante o protesto, os manifestantes foram informados de que três moradores foram detidos quando voltavam para casa.
O trio foi revistado e teve seus pertences apreendidos por policiais civis, que seriam lotados na Delegacia de Furtos e Roubos. “Nos pegaram sob a alegação de roubo e levaram duas correntes e três celulares. Queremos nossos bens de volta. Não sou criminoso”, afirma Marcos Antônio Pereira dos Santos, 27 anos, um dos detidos.
Marcos contou que ficou em poder dos policiais por aproximadamente 20 minutos. Após ser solto, ele seguiu com o presidente do Conselho Comunitário para a delegacia de Itapuã, onde registrou queixa contra a abordagem sofrida e pedindo a devolução dos pertences apreendidos.
O líder comunitário Reginaldo Costa garantiu que enviará hoje um ofício à Secretaria de Segurança Pública e ao Ministério Público exigindo proteção da vida, a devolução das correntes e dos telefones, além de pedir ao secretário César Nunes mais rigor nas apurações das ações da polícia na comunidade.
Jovens tinham grupo de rap
Um sonho de ser reconhecido pela música e pela dança. Inspirado nas batidas e nos movimentos de gueto, esse jovens da periferia baiana encontraram no gênero americano do hip hop um meio de traduzir em letras e no comportamento a realidade de sua comunidade.
Crescendo em meio à violência e ao tráfico de drogas do Alto do Coqueirinho, o grupo de jovens entre 10 e 21 anos resolveu se juntar para formar uma equipe que cantava rap e dançava em apresentações. O BKS, diminutivo de “Blacks” - negros em inglês - surgiu da ideia de André Cardoso, um dos integrantes mortos pela polícia na madrugada de anteontem .
Determinado em ser um cantor de sucesso, André foi reunindo amigos interessados na música e na dança, como Tiago Santos, dançarino do grupo também morto no mesmo dia. Com certa popularidade local, o grupo se apresentava em casas de show e já tinha até um fã-clube.
Existem diversas comunidades de orkut referentes ao grupo e aos integrantes. Eles ainda têm uma página no Myspace onde contam um pouco da história do conjunto.
Segundo a página, André era um rapaz que passou por muitas dificuldades, chegando ao ponto de desistir do grupo. “Mas ele realmente tem um sonho e já estava muito apegado ao seu trabalho, então enfrentou muitas pessoas que só o criticavam, como sua mãe que dizia que não ia levar a nada”, contava na internet.
Já Tiago, conhecido no grupo como 1000º Grau (sic), já foi lutador de boxe e era dono de uma barbearia no local. Ele se interessou pelo grupo e inclusive entrou em aulas de dança para aprimorar seus passos.
O BKS estava atualmente concorrendo a um concurso de bandas de hip-hop, e sonhava em participar do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. Até um clipe foi feito, com a música Juliana, onde, assim como os astros do rap americano, eles ostentavam carros, correntes de prata e mulheres.
Os integrantes remanescentes ainda não decidiram se vão seguir em frente após a perda dos dois integrantes.
“Estamos todos chocados e sem entender porque fariam isso com eles. Vão fazer falta e deixar muita saudade. Só não podemos deixar o sonho morrer”, garante um dos dançarinos do grupo.
Esposa de Tiago, grávida de três meses, também não sabe que rumo dará à própria vida. “Ele morreu quando completamos quatro anos juntos e 15 dias casados. E agora quando meu filho nascer? Ele vai perguntar quem é o pai e eu vou ter que responder: a polícia o matou. É mais um que vai crescer revoltado”.
PM: apuração será concluída em 40 dias
A PM informou que, em 40 dias, o inquérito policial militar deve estar concluído. Procurado pelo CORREIO, o secretário de Segurança Pública, César Nunes, afirmou que o caso está sendo apurado como qualquer outra denúncia. Mesmo com a repercussão e o protesto dos moradores fechando uma via importantíssima da cidade, o secretário garante que não há motivos para medidas extraordinárias.
“Temos as duas versões. Não adianta especulação agora. Para aqueles que presenciaram, por favor, que entrem em contato. A perícia também será feita e, com certeza, se for comprovado o excesso de força, vamos agir”, garante Nunes.
Moradores temem ‘lista da morte’
Além de André e Tiago, de acordo com Costa, fazem parte da lista dos moradores mortos na comunidade Ivan, Alexandre, Marcone, Douglas, Tiago, Flávio de Jesus e Jeferson Luís Teixeira Santos.
Na comunidade, os moradores também contam que, na ações da polícia, os PMs teriam informado sobre a existência de uma lista com pelo menos 30 nomes de pessoas que estariam marcadas para morrer.
“Eles mesmos (os policiais) já falaram dessa lista de morte. Ainda disseram: avisem às mães que os filhos delas não voltam mais para casa. A ordem agora é ‘se correr, vai pro saco’. A gente fecha as portas de casa mais cedo por medo da polícia e não de ladrões”, garante um morador que não quis se identificar, temendo represálias.
“Os policiais passam na comunidade e tiram fotos nossas. Para quê? Só pode ser para nos acusar de algo ou nos matar logo”, denuncia um jovem.
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Cerqueira
Alei E Paulo Sergio é muito facil vcs jugarem sem saber quem são posso contar e relatar com provas toda a vida dos jovens André e Tiago pois o conhecia perfeitamente e a respeito da banda BKS vc pode procurar por videos na internet acho que vc não sabe que bandido ñ gosta de se aparecer eles se escondem e os policiais que os matarão são daqui da região e sabiam que eles ñ eram marginais mas o primeiro tiro ja tinha sido dado então eles ñ poderiam deixar provas que os condenace então os mataram por que cadaver ñ fala eu tenho parentes policiais que mim explicarão e mim fizerão tentar entender os motivos deles (policiais) tentarem dirtorcer os fatos pra ñ perderem a farda só fica um conselho pra vcs quando ñ sabemos ao certo o que realmente aconteceu ñ devemos fazer cometários futeis pois todos nós podemos passar pela mesma situação quem vos fala é a namorada de um deles
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Leandro silva
Esta tragédia no Alto do Coqueirinho, os crimes cometidos pela polícia patrimonialista que prioriza tudo menos a vida é como a elite capitalista brasileira pensa segurança publica no Brasil, imaginar construir uma nação forte democrática e de todos com pensamentos atrasados que colocaram opiniões a cerca do acontecido fica dificíl pois não podemos culpar as vítimas, se os jovens mortos tivessem nascido brancos em família de nome tradicional e tivesse furado o bloqueio polícial num bairro de ricos esta violência não teria se consumado, pois os políciais desde seus treinos na academia de polícia apredem que todo marginal é preto e pobre, os jovens ricos e brancos são apenas rebeldes, tipo, coisas da juventude, lamento muito, não só isso, faço a luta pra que um dia tudo isso seja uma página virada no Brasil
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Alei
Esses dois mortos eram envolvidissímos com o tráfico da região, essa tal banda de rap servia como disfarce, e como quem manda são os bandidos as pessoas não falarão à verdade. O tumulto ocorrido foi mais uma ordem dada pelos traficantes locais justamente pra desviar o foco de atenção. Lembro que dias antes um engenheiro foi brutalmente assassinado dentro de sua casa pelos marginaias do mesmo bairro, não lí ou ví em nenhum lugar que os moradores protestaram por mais segurança, será que os "jovens" eram mais inocentes que o engenheiro? Vamos ser realistas, sei que muitas vezes a polícia erra, mas marginal tem mesmo que morrer as cadeias já estão muito cheias.
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Lucas, 36
Lanny, quanta inocência sua em dizer que os bandidos respeitam mais que a polícia. Não seja contaminada pela má informação ou por jovns ciminosos sem passagem na polícia, os chamados "tiros surdos". Não sou a favor de atirar em quem fura bloqueio mas eles deveriam parar já que se diziam homens de bem. No máximo levariam uma multa e teria o veículo recolhido, agora estão debaixo da terra de graça. Agora vamos nos colocar no lugar destes policiais maus pagos e maus treinados que vivem no estresse máximo de todo dia ter uma possibilidade grande de levar um tiro ou morrer durante o trabalho. Na testa de ninguém está escrito que é bandido ou não... tudo é julgado de forma rápida e pela ação do cidadão à frente.
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sandra
REPENSAR A SEGURANÇA É PRECISO, NUNCA A BAHIA TEVE ALGO MAIS VIOLENTO DO QUE ESSA RONDA E RONDESP, O GOVERNO FECHA OS OLHOS PARA ESSE LASTIMÁVEL ACONTECIMENTO, O SEU SECRETÁRIO TAMBÉM NÃO.
SÓ ALGUNS PROGRAMAS TELEVISIVOS SENSACIONALISTAS APOIAM ESSA VIOLÊNCIA E AINDA INCENTIVAM INCLUSIVE A APRESNTADORA DE UM JORNAL LOCAL QUE DIZ AQUI TEM POLÍCIA, TEM?
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LANNY
POLICIAIS são piores que os próprios marginais onde os ladrões respeitam mais os moradores que esse povo que de um jeito ou de outro somos nós que pagamos os sálarios e ao invés de nos proteger e matam pessoas de bem bando de vagabundos que deveriam sair da coorporação pois também existe policiais bons
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Fábio Nascimento
É assim que a Bahia vai bem , nos baianos ainda reelegemos os culpados disso , como o proprio Governador que depois de sua gestao ,a violencia so aumentou
Parabens Jaques Vagner vc consegui.....
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robson kadosh
Eu Acho que a policia militar, é um orgao do estado para trazer tranquilidade a comunidade e tenho certeza disso. Agora se uma impericia desta diligencia trazendo desconforto a comunidade, tem que ser avaliado pelo secretario de justiça com muita coerencia e isso sei que que existe, porque se nao, eles nao estariam lá, agora precisa ser apurado e nao engavetado. Rssalto a Policia é um orgao de suma importancia para a nossa comunidade que precisa ser respeitada, seja ela preta ou branca, pobre ou rica...
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Eduardo
Protestar o quê ???
A Bahia reelegeu todos os governantes que já estão no poder. Então está tudo ótimo. Não há motivo algum para reclamar.
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Paulo Sergio
Esses caras sempre estão envolvidos com o trafico mesmo, tem que ir pro saco, a população não tem coragem de denunciar os traficantes mas quando os policiais derrubam(matam) um deles a população reclama. Reclama porque tem um filho, sobrinhos ou outros parentes envolvidos e jogam a culpa na policia.
Tem que acabar com todos esses bandidos mesmo.
Tem que ir pro saco!!!!!!!!!!!
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