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Alagamento expõe problemas do aeroporto da capital baiana

A enxurrada que alagou o Aeroporto Internacional de Salvador, na madrugada de segunda-feira, arranhou a imagem de Salvador

23.03.2011 | Atualizado em 23.03.2011 - 08:55

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Foto: Evandro Veiga

Rick Presentes: problemas com fiação após chuva

Victor Albuquerque|Redação CORREIO
victor.silva@redebahia.com.br

A enxurrada que alagou o Aeroporto Internacional de Salvador, na madrugada de segunda-feira, arranhou a imagem de Salvador, que pretende sediar a abertura dos jogos da Copa do Mundo, em 2014. Além disso, as fotos do saguão completamente alagado expuseram, ainda, as fragilidades da infraestrutura do terminal por onde passam, anualmente, mais de 7,68 milhões de pessoas. Essa é a análise de representantes do setor turístico e lojistas, que se dizem preocupados com a situação.

“O aeroporto de Salvador está defasado e precisando de reformas urgentes desde 2009. Mas, infelizmente, a verba destinada para as obras [R$ 45 milhões]  é infame”, comentou o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav-BA), Pedro Galvão. “Nós lamentamos muito o incidente que ocorreu, porque  ele prejudica os interesses de quem quer vir para a cidade, principalmente na baixa estação”.

Quem também demonstra preocupação com a imagem do estado diante do incidente é o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), José Manolo Garrido. “A primeira imagem que o turista que chega de avião tem é a do aeroporto. E ela deveria ser positiva”.

Mas, de acordo com ele, isso não envolve apenas a questão de infraestrutura. “Tem uma série de outros problemas, como, por exemplo, o assédio dos taxistas e a falta de organização no trânsito, que sequer tem fiscalização”.

A presidente da Associação dos Concessionários Aeroportuários de Salvador (Acap), Angélica Munford, concorda com o fato de que os problemas do terminal são maiores. “Cada hora aparece uma coisa desagradável. É o ar-condicionado que não funciona, são problemas com sanitários, entre outros. E são coisas fáceis de resolver. Acho que falta atitude da gestão para resolver essas coisas”.

Ela conta que o problema prejudicou, pelo menos, 30 lojistas e trouxe prejuízos incalculáveis. “Se a chuva em uma única vez causou aquilo tudo, imagine o que pode acontecer com a chegada da estação mais chuvosa”.

Ney Campello, da Secretaria Extraordinária para Assuntos da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 (Secopa), classificou o fato como um “episódio infeliz” e emendou: “Com certeza, isso não vai contribuir para fortalecer a imagem da Bahia para a Copa do Mundo”. Contudo, ele minimizou o impacto do alagamento e alertou para problemas maiores. “Se todo o problema do aeroporto fosse uma calha entupida, seria fácil. Nós precisamos ampliar as reformas que estão previstas e, para isso, temos que assegurar um investimento maior do que os R$ 45 milhões”. 

Até o momento, estão em vista obras para reforma e adequação do terminal de passageiros, do pátio de aeronaves, além da construção de uma terceira pista.  Os trabalhos devem começar em junho de 2012, com previsão de conclusão em agosto de 2013. “Mas precisamos, também, aumentar o número de fingers, que são os berços de atração de aeronaves, entre outras coisas, para que não tenhamos surpresas negativas em 2013”, pontuou.
 
Tudo em ordem 
O superintendente da Infraero, Afrânio Souza Mar, disse, ontem, que a situação no aeroporto já está normalizada. Ele afirmou que o que aconteceu no terminal na madrugada de segunda foi uma fatalidade. De acordo com Souza, uma empresa foi contratada em dezembro para fazer o serviço de impermeabilização do aeroshopping. Além disso, ele informa que a manutenção das calhas, onde ocorreu o problema que provocou a inundação, é feita uma vez por mês e que, depois do incidente, está sendo feita uma inspeção diária.

Sobre a preocupação dos empresários baianos, Souza foi enfático. “Vão ter que falar com São Pedro, porque não é problema de infraestrutura. Isso é uma coisa que pode acontecer em qualquer cidade”. O superintendente comentou ainda que o dinheiro previsto para as obras no aeroporto é “adequado” para o que a Infraero tem condição de executar agora.

Já sobre os lojistas, ele disse que já procurou os donos de lojas que foram mais afetados - dois, segundo ele - para fazer um levantamento do prejuízo e, posteriormente, arcar com os gastos. “Vamos nos responsabilizar por isso”, afirmou.

Entre os prejudicados, que de acordo com Souza foram procurados pela Infraero, estaria o dono da livraria do Aeroporto, Augusto Carvalho. Ontem à noite, entretanto, o proprietário da loja disse que nenhum funcionário da Infraero procurou ele para saber dos prejuízos.


Lojistas contabilizam prejuízos - Adriana Planzo
Os donos das 30 lojas atingidas pela água da chuva no aeroporto tiraram a manhã de ontem para contabilizar os prejuízos. Foram roupas perdidas, computares queimados, luminárias estouradas, além de câmeras de segurança danificadas.

A Livraria Aeroporto, um dos estabelecimentos mais prejudicados, teve só de revistas perdidas 3.742 exemplares, cada uma custando cerca de R$ 10. Um prejuízo, até agora, contabilizado em R$ 37.420 mil, de acordo com o empresário Augusto Carvalho. Ele acredita que o valor dobrará quando forem somados outros prejuízos, como conserto de prateleiras e reparo do teto que desabou. 

Já Adriana Reis, dona da Rick Presentes, ainda não sabe o valor do prejuízo, mas disse que a Infraero não autorizou o funcionamento da loja, devido a um curto-circuito que ocorreu no momento da infiltração. “As maquinetas de cartão de crédito ainda estão sem funcionar”, acrescentou.

Também sem funcionar até as 12h de ontem, a loja Dufry, que teve a seção de produtos infantis perdida, terá que passar por algumas reformas como a troca de parte do gesso do teto que despencou e pintura de parte da parede que teve sua lateral danificada.

Através de nota, enviada para o CORREIO às 16h30 de ontem, a assessoria de comunicação da Infraero informou que a situação já estava normalizada e que todas as lojas já estavam funcionando. Com relação aos danos, a empresa disse que os prejuízos serão avaliados, mas que tudo depende de tempo. “A Infraero nunca fugiu de suas responsabilidades. Se for comprovado que as causas foram de responsabilidade da empresa, as providências devidas serão tomadas”.

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Pedro

"Não é problema de infraestrutura" !!?? Piada de mau gosto.

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