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Em entrevista ao CORREIO, Marcelo Camelo fala sobre a volta, o segundo CD solo, Mallu Magalhães e Ivete

Los Hermanos faz show extra em Salvador. Vendas começam na segunda-feira

26.08.2010 | Atualizado em 26.08.2010 - 09:44

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Foto: Divulgação

Cantor se reúne com os amigos do Los Hermanos

Álvaro Andrade | Redação CORREIO
vida@correio24horas.com.br

Em outubro, a banda Los Hermanos, em recesso desde 2007, volta para realizar quatro shows. Dois deles, em Salvador: dias 17 e 18. A segunda data foi marcada em função da enorme procura por ingressos para o dia 17: num fato raro, as 5 mil entradas para a Concha Acústica do Teatro Castro Alves esgotaram em menos de duas horas.

Os ingressos (R$ 60/R$ 30) para o segundo show começam a ser vendidos segunda-feira na bilheteria do TCA e nos SACs dos shoppings Iguatemi e Barra, para o bem de milhares de corações soteropolitanos aflitos.

DEVOÇÃO
É que os fãs da banda carioca sãomuito apaixonados, numa devoção comparada à que ocorria -em maior escala - com a Legião Urbana nos anos 80 e 90. De resto, a mesma histeria durante as apresentações, que em Salvador são acompanhadas, do início ao último suspiro, por coro, aos brados, pela multidão.

O cantor e compositor Marcelo Camelo, 32 anos, um dos frontmen da banda, faz suspense quanto ao repertório dos shows ao lado de Rodrigo Amarante (guitarra, vocal), Bruno Medina (teclados) e Rodrigo Barba (bateria).

Em entrevista ao CORREIO, por e-mail, ele fala do seu próximo disco solo, da estrela baiana Ivete Sangalo e da admiração pela namorada, a cantora Mallu Magalhães, 18.

Por que a decisão de se reunirem para realizar esses shows e o que motivou a escolha de tocarem Salvador, Recife e Fortaleza?
A ideia desses shows começou por ocasião de um convite pra fazermos dois shows fechados em Recife e Salvador. Nós topamos e começamos a encaminhar as coisas, no último minuto alguém de lá deu pra trás. Como já tínhamos marcado, resolvemos manter os shows. Acrescentamos Fortaleza pra ajudar a viabilizar a viagem e pra aproveitar um pouco mais o encontro.

Vocês estão planejando alguma surpresa para o show, como tocar algum cover, alguma música das gravações não-oficiais ou dos trabalhos solo dos integrantes?
Mas aí não seria surpresa, né?

Desde o recesso da Los Hermanos, já são duas voltas e alguns shows. Você disse em entrevista à revista Trip que só valeria a pena voltar de vez com um repertório novo. Há alguma composição nova ou inédita da banda?
Não que eu saiba.

Depois de dez anos de bandae mais três de carreira solo já é possível um olhar mais distante sobre o trabalho? Qual o legado da Los Hermanos?
Puxa, é difícil dizer ainda pra mim. Me sinto ainda do lado de dentro disso tudo. Acho que estivemos junto de uma mudança grande na cena musical. Fizemos parte disso.

Você está prestes a lançar o segundo disco solo, depois do sucesso como Sou [Nós], que é um álbum alegre e leve, e declarou que o novo trabalho será mais pulsante. Qual sua busca musical na carreira solo?
Não tem muito busca de carreira. É como se cada música fosse um passo. O disco junta elas e faz suporumatrajetória. Eu procuro me divertir mais, estar mais de bem com as coisas, em comunhão com o que acontece. Estar com e para as coisas. Com e para é o sistema de operação que venho tentando realizar.


É diferente compor para um disco solo e compor para um trabalho de banda? O que muda quando a música é para Camelo e não para a Los Hermanos ou outro intérprete?
Quando é um outro intérprete, você, eu no caso, tento imaginar aquela figura cantando. É quase que um exercício de futurismo, de ouvir aquela pessoa já com disco pronto, fazendo show e cantando aquela música. Ao mesmo tempo é que nem um presente. Eu nunca dou de presente uma coisa que a pessoa compraria pra si. Um bom presente é uma proposta, uma contribuição sua, uma ideia sobre aquela pessoa que ela mesma nunca teve. Na banda é um trabalho mais complexo, porque eu conheço meus amigos de banda muito bem, então tento conjugar meu gosto pessoal, aquilo que gostaria de fazer, com as aptidões deles, com o jeitão da gente junto tocando. Se bem que as próprias mudanças estéticas da gente se deram nos momentos em que desafiamos isso tudo. Acho que com banda e sozinho é um exercício mais existencial, de conjugar a vida com a música e, no caso de um intérprete, é uma coisa mais direcionada.

Você é considerado um dos melhores compositores da sua geração. O que te dá mais prazer: compor ou interpretar?
São prazeres diferentes. Um, o de compor, me põe diante de uma coisa muito grande, do infinito. Qualquer palavra, qualquer nota, qualquer som: pega isso e organiza alguma coisa. Interpretar deve ser como surfar, é um prazer mais imediato, mais à flor da pele, mais ali mesmo. Também é o infinito, mas eu não estou mais olhando pra ele.

Você disse recentemente que sua namorada (a também cantora e compositora Mallu Magalhães) te trouxe uma “naturalidade de fazer as músicas”. Além da influência, vocês já compuseram algo juntos? Se sim, estará no disco novo?
Não, nunca compusemos juntos. Mas eu já presenciei a Mallu fazendo músicas na minha frente e mais parece um milagre.

O que você tem escutado e que provavelmente influenciou esse segundo disco? Haverá alguma participação, como houve no primeiro?
Não mudei muito meus gostos. É a Guiomar Novaes, o Moacir Santos, Moondog e o samba... Almir Guineto, Arlindo Cruz, o Zeca Pagodinho, Assis Valente. Outro dia mudei de canal e tava a Aracy cantando: “Tu pensas que tu é que é amelhor mulher do planeta, mas eu é que não vou fazer tudo que te der na veneta...”. Dá um prazer tipo comer arroz com feijão, tipo tirar o sapato, tipo chegar em casa. É um prazer que só o samba me dá.

O primeiro disco é um tanto praiano, carioca e tem, inclusive, uma música dedicada a Copacabana. A mudança para São Paulo estará, de alguma forma, no segundo disco? E o trabalho já tem nome?
Totalmente, aliás talvez seja o ponto principal. A diferença entre as cidades, não propriamente entre elas, mas entre o que elas causam em mim, já que eu só sei escrever sobre mim.

Quando você participou do DVD de Ivete Sangalo, Pode Entrar, em 2009, muita gente estranhou, por considerar que vocês são artistas que pertencem a universos musicais distintos. Como foi essa experiência?
Ah, isso é uma bobagem, né? Alguém pode duvidar da Ivete ainda, a essa altura? E universos musicais distintos é um termo chique pra uma coisa boba.

Em algumas entrevistas, você já falou do quanto o YouTube te encanta. Como as novas tecnologias e as redes sociais da internet têm influenciado sua criação?
Não sou muito de socializar na rede. Frequento muitos sites de informação. O baque comercial na indústria mexe muito com quem vivia de vender discos. Não acho muito justo que todo esse dinheiro vá pro Steve Jobs porque, no fundo, todo mundo, inclusive eu, quer um iPhone pra poder acessar todo mundo, menos o que Steve Jobs faz. A grana tá com o Steve Jobs e com o Velox. Eu acho que eles deveriam me dar um pouquinho. Ou, então, a gente deveria era piratear o iPhone e o Velox. Aí a coisa começaria a ficar mais interessante ainda.

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Arquilene

Não quero parecer piegas, mas amar é isso! O que o Marcelo escreve, fala ou canta – e tudo muito, muito bem! - causa em mim vontade de estar ainda mais no mundo. Parece que estou sendo ouvida através de suas palavras, que expressam tanto sentimento como eu gostaria de dizer. O cara é massa! E Los Hermanos é minha banda preferida. Vai ser tudo lindo!

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Priscila

Camelo me ancanta, sempre.

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