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Foto: Vanner Casaes/Divulgação
Henrique Paixão, diretor da construção
Redação CORREIO
Antes mesmo de acontecer, o buuuum das dinamites que colocarão abaixo o anel superior da Fonte Nova estremece o coração de algumas pessoas. Com as casas já fragilizadas pelas detonações do metrô, os donos de 2,4 mil imóveis no entorno do estádio estão amedrontados com a possibilidade de mais prejuízos.
Serão 17 segundos assustadores para quem ainda guarda em casa as marcas deixadas por cinco anos de explosões. As rachaduras nas portaseparedes, além dos afundamentos de pisos, não deixam ninguém esquecer. A cada explosão para abrir o túnel do metrô na Ladeira da Fonte Nova, os estragos se multiplicavam. Pior: diferente do que foi prometido, garantem os moradores, ninguém apareceu depois para consertar as estruturas danificadas.
“Prometeram mundos e fundos, fizeram jogo de empurra e nada até hoje.Estamos com medo de que aconteça o mesmo com essa implosão da Fonte Nova”, disse o autônomo Paulo Henrique Brito, morador da casa 8 da Vila Neuza, um tranquilo condomínio de dez casas localizado atrás do estádio, nas proximidades da Ladeira da Fonte das Pedras.
No seu imóvel, as dinamitações do metrô quebraram peitoris das janelas, vidros e rodapés das portas. Mesmo depois de uma reforma em que gastou R$ 4,5 mil do próprio bolso, ainda existem rachaduras para mostrar. Dessa vez, o alerta já foi dado. O Consórcio Arena Salvador 2014 tenta preparar os moradores.
VISTORIA
Além de os moradores serem notificados, os mais de 2,4 mil imóveis sofreram uma vistoria cautelar. Além de teremas casas vistoriadas e até fotografadas, os vizinhos à Fonte Nova assinaram uma declaração em que se colocam cientes de um prazo de dez dias para “reclamar qualquer eventual dano provocado em seu imóvel pela implosão a ser efetivada”.
Maso que também se questiona é a qualidade das vistorias. Segundo disseram os moradores, essas não foram feitas por engenheiros. “Um desrespeito só. Eles mandaram estagiários, jovens treinados só pra tirar fotos”, observou o segurança Josué Araújo Silva, proprietário da casa 4, que acabou de terminar uma reforma devido aos abalos causados pelo metrô. Agora, ele teme que o trabalho tenha sido em vão. “No dia, eu quero estar bemlonge daqui. Vou rezar para minha casa ficar de pé”.
DESCRENÇA
Moradora de Nazaré, a dona de casa Jaciara Silva dos Santos não acredita que sua residência saia ilesa da implosão. Principalmente pelos abalos que a estrutura do imóvel já apresenta. “Elesnão voltaram para concertar depois do metrô e eu duvido que voltem agora”, diz Jaciara, bem em cima de um remendo de concreto feito no chão da cozinha, que cedeu numa das dezenas de vezes que a casa tremeu nos últimos anos. 
Paulo Henrique mostra rachadura: ‘Prometeram mundos e nada’
O subsecretário de Defesa Civil de Salvador (Codesal), Osny Bonfim, assegura que as escavações do metrô foram devidamente monitoradas. “Desconheço essas rachaduras”, observou.
DESCRENÇA
Mas a autônoma Tânia Maria Almeida garante conhecê-las bem. Segundo relata, teve que reconstruir toda a casa onde mora, na rua Cova da Onça, também em Nazaré.O imóvel está em obras até hoje. “Gastei pra mais de R$ 10 mil com pedreiro. Com mais essa agora, pelo visto vai cair tudo”, lamenta Tânia.
Como escaldados que são, os moradores do entorno da Fonte Nova têm medo de explosão. Ainda mais depois da mostra que tiveramcoma demolição do Ginásio Antônio Balbino, realizada no dia 21 de junho. Pelo que dizem, a explosão fez estremecer as casas. “Tremeu tudo. E ainda subiu uma nuvemde poeira enorme. Sujou todos os meus móveis e lençóis”, conta a vendedora Jessia Cristina de Souza.
Secopa: ‘casas não vão ser desapropriadas’
A Secretaria Extraordinária para Assuntos da Copa do Mundo (Secopa) garantiu que o projeto da nova arena não prevê desapropriações de imóveis no seu entorno. O chefe de gabinete da Secopa, Everaldo Augusto, disse que a chamada Matriz de Responsabilidade, assinada no dia 13 de janeiro de 2010, não indica qualquer valor a ser pago em indenizações no seu orçamento.
“Pelo contrário, aquela área vai ser valorizada. Se houvesse desapropriações, isso estaria indicado no orçamento”. Everaldo Augusto destacou que “desapropriações mínimas” poderão ocorrer, sim, na construção do corredor estruturante - obra de mobilidade urbana que vai ligar o aeroporto Luís Eduardo Magalhães ao estádio.
ENTREVISTA/HENRIQUE PAIXÃO
‘Impacto menor que do metrô’
Além de garantir o ressarcimento dos proprietários dos imóveis caso haja prejuízos, o diretor do Consórcio Arena Salvador 2014, Henrique Paixão, assegura que a evacuação das casas e a implosão do anel superior da Fonte Nova vão provocar consequências menos graves que as escavações do metrô.
Há motivo para preocupação? O que a implosão pode trazer para as casas e prédios históricos das redondezas?
O projeto da implosão leva em consideração os limites de vibração toleráveis pelos imóveis históricos e mais críticos, localizados no entorno da Fonte Nova. Serão utilizadas as práticas mais modernas de demolição e implosão. Além disso, todos os limites de tolerância às normas brasileiras, no que diz respeito a ruído, poeira e vibração do solo serão obedecidos. O comportamento das estruturas será monitorado com o uso de sismógrafos. 
Jaciara aponta piso da cozinha que cedeu após as explosões das obras do metrô de Salvador
Os moradores reclamam de prejuízos causados por explosões do metrô. É possível que ocorra o mesmo?
É importante ressaltar que o tipo de trabalho a ser realizado na Fonte Nova é diferente do executado no túnel do metrô. A implosão do anel superior do estádio vai gerar uma vibração muito menor no seu entorno.
Como se deu o trabalho de preparação com os moradores para a implosão?
Realizamos a vistoria cautelar em mais de dois mil imóveis, localizados em um raio de até 250 metros do equipamento. A equipe fez registros fotográficos, na presença do proprietário e elaborou relatórios descrevendo as condições de cada imóvel. O relatório produzido foi assinado pelo vistoriador e pelo proprietário do imóvel, que também ficou com uma via do documento.
Emcaso de dano, o que o proprietário deve fazer?
Ao final da obra, os proprietários que registrar em alguma alteração terão seus imóveis revistoriados e, caso comprovado algum dano causado pela demolição, o consórcio será responsável por essa correção.
Moradores indicam que a inspeção e as fotografias tiradasde suas casas foram feitas por ‘estagiários’...
A vistoria cautelar foi realizada por equipes de assistentes sociais, engenheiros contratados pelo Consórcio Arena Salvador 2014.
Qual é a quantidade de explosivos a ser utilizada?
Essa informação ainda não pode ser divulgada por medida de segurança.
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