Empregos

Investir na carreira aumenta remuneração em até 50%

Profissionais com cursos de pós-graduação, MBA, mestrado ou doutorado têm maiores chances de aumentar salário

Priscila Natividade (priscila.oliveira@redebahia.com.br)
Atualizado em 22/08/2016 11:42:53

Ainda que esteja cada vez mais difícil fechar as contas todo mês no azul, investir em qualificação deve estar no horizonte de todo profissional. Até por ser um investimento com retorno garantido pois é convertido em ganhos salariais. É o que mostra o resultado mais recente da Pesquisa Salarial da Catho, site líder na oferta de empregos no país.

De acordo com o levantamento, profissionais que investem no aumento do nível de escolaridade - com cursos de pós-graduação, MBA, mestrado ou doutorado – têm maiores chances de incrementar em mais de 50% a remuneração. A fluência em línguas como o inglês, por exemplo, pode agregar um pouco mais: os ganhos mensais aumentam em até 61% a depender do nível de hierarquia (confira no infográfico abaixo).  

Engenheiro civil Renan Silva optou por uma especialização
para conseguir crescer na empresa onde trabalha

(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

“A estimativa é bem volátil e vai variar a depender do cargo. Mas com a busca que o profissional faz pela qualificação, o aumento no valor do salário acaba sendo uma consequência”, destaca o diretor da Catho Educação, Cristovão Loureiro.

Ainda de acordo com ele, é preciso focar na demanda do mercado, sobretudo, diante do cenário de crise. “A escolha da empresa vai ser sempre pelo profissional mais capacitado. É isso que vai fazer a diferença. Mais do que nunca, o profissional vai ter que investir nisso”. 

E como um aumento de salário não vai cair do céu, o engenheiro civil Renan Silva decidiu investir em um curso de especialização na expectativa de crescer na empresa e ser promovido. “O meu diretor sugeriu o curso e disse que se eu buscasse essa qualificação eu teria oportunidade de crescimento na empresa após a conclusão do MBA”, conta. 

Renan trabalha atualmente com representação de serviços na área de engenharia civil e não pensou duas vezes em ir atrás de uma qualificação que agregasse na área de vendas e, por isso, optou pela a Especialização em Marketing e Branding. “O conhecimento técnico eu já tenho, mas precisava do marketing pra facilitar na hora de vender o produto", diz. "Essa especialização pode aumentar meu salário em até 30% com a melhoria da minha função dentro da empresa”, acredita.

O engenheiro conseguiu um bom desconto por ser ex-aluno da universidade onde cursou a graduação e também por conta da nota que alcançou no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). “Ao todo, eu consegui um desconto de 80% no valor da mensalidade. Se não tivesse esse benefício pagaria em média, R$ 500. É um investimento que vai valer a pena”. 

Mais um degrau
Para o associado da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA) e especialista em Educação Continuada, Geandro Silva, apesar de ser um investimento com um retorno entre médio e longo prazo, continuar se qualificando torna o profissional imune aos efeitos da crise e ao risco de desemprego. “O crescimento na carreira é contínuo, independente da situação difícil que a economia do país está atravessando. Fazer este investimento em educação continuada vai, com certeza, dar este retorno em forma de um salário maior se o profissional souber usar isso com eficiência”, recomenda. 

(Clique na imagem para ampliar)

Na hora de escolher o curso vale fazer uma boa pesquisa e ter bem definido qual o direcionamento que pretende dar a carreira. “Pesquise o curso, a instituição, converse com amigos e profissionais que atuam na área. É importante ter bem claro qual o caminho profissional que quer trilhar”, continua Silva. 

Foi justamente isso o que fez a professora universitária Verônica Sales, quando optou há um ano por cursar um mestrado. “O mercado tem exigido muito a titulação e então tive que correr atrás disso. Se eu for me candidatar para ensinar em uma instituição pública, vou precisar do mestrado”. 

Para dar conta do Mestrado em Gestão e Tecnologias em Educação, que cursa na Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Verônica precisou abrir mão de turmas e teve que reduzir a carga horária no trabalho. “Apesar de ser um curso gratuito, exige da gente um tempo que me impediu de pegar mais disciplinas na faculdade, e quando reduz carga horária, reduz o salário também. Mas em compensação vou ter uma melhora salarial já no próximo ano”.

Planejamento
O investimento, no entanto, tem um preço. Por isso vai ser necessário rever as contas  e se planejar para mais uma despesa fixa que entra no orçamento do mês, como pontua o educador financeiro, Antônio Carvalho. “Estamos falando de mais um compromisso adicional, que vai entrar na lista de despesas. É preciso estabelecer novos padrões de consumo para encaixar a parcela do curso, lembrando que o sacrifício de agora vai ser recompensado por um retorno financeiro melhor no futuro”. 

Carvalho também reforça a necessidade de poupar. “Faça todo um replanejamento da sua vida financeira e identifique as despesas onde há um excedente que possa se converter em uma reserva que irá ajudá-lo a honrar as parcelas do curso que optou por fazer”, orienta o educador.

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