Vida

Trio cômico de Novo Mundo brinca com temas sérios do Brasil

Jeitinho brasileiro e escravidão são alguns dos temas retratados com humor pelo trio Elvira, Germana e Licurgo

Laura Fernandes (laura.fernandes@redebahia.com.br)
Atualizado em 18/06/2017 12:01:42

Trio parada dura Jeitinho brasileiro, escravidão e descoberta da feijoada são alguns dos aspectos da história do Brasil que são retratados com humor pelo trio Elvira, Germana e Licurgo, personagens que têm feito sucesso na trama da novela Novo MundoAo mesmo tempo em que a novela Novo Mundo se baseia em fatos históricos para contar a história do Brasil de Dom Pedro I, ela mostra outros aspectos do país e seu povo com liberdade poética e boa dose de humor. Essa última parte fica por conta de três personagens que têm feito bastante sucesso na trama das seis da Globo/TV Bahia: Elvira (Ingrid Guimarães), Germana (Vivianne Pasmanter) e Licurgo (Guilherme Piva).

A primeira é uma atriz portuguesa, atrapalhada e refinada, que separa o casal de mocinhos. Mas quem pensa que a vilã é odiada, está enganado. "As pessoas me param toda hora pra falar que amam a personagem, que não conseguem ter raiva dela", revela a atriz Ingrid Guimarães, 44 anos, que está fazendo sucesso até em Portugal. "Finalmente a Elvira alcançou a fama internacional que tanto queria", diz, rindo.

Elvira (Ingrid Guimarães), Licurgo (Guilherme Piva) e Germana (Vivianne Pasmanter) formam o trio cômico (Foto: Estevam Avellar/TV Globo/Divulgação)

Sua personagem, que vai fingir a própria morte nos próximos capítulos, é uma atriz de Commedia dell'Arte, forma de teatro popular que surge no século XV. "Um dos maiores prazeres é poder representar o papel de uma atriz de teatro de Commedia dell'Arte, que estudei quando comecei na carreira. É um privilégio poder fazer um personagem teatral na televisão", vibra Ingrid.

A segunda personagem é Germana, uma mulher mandona, impulsiva e até animalesca, que sonha em ser rainha e dirige uma taberna com o marido, Licurgo. O casal "sujinho" e atrapalhado está momentaneamente separado, porque Licurgo está apaixonado por Elvira. "Adoro o texto dela, eu morro de rir, tem uma coisa meio sonsa, sabe?", diverte-se a atriz Vivianne Pasmanter, 45, sobre Germana.

Irreconhecível na pele da personagem, cuja caracterização inclui dentadura e "quilos" de maquiagem, Vivianne também caiu no gosto do público com seu dente torto e sua cara mal-encarada. "É uma personagem que chega a ser escatológica, causa certa repulsa e poderia ter uma rejeição do público, mas me parece que não tem. A Germana é um bicho. Eu adoro ela!", elogia. "Foi um risco grande, mas estou muito feliz", completa sobre a caracterização.

Licurgo, por outro lado, "representa esse jeitinho brasileiro de querer se dar bem nas pequenas coisas", explica o ator Guilherme Piva, 49. "Ele é muito genuíno. De uma forma torta, ele é verdadeiro, fala o que está sentindo sem filtros, sem máscaras. Isso atrai as pessoas", acredita Guilherme , que comemora o sucesso do trio. "Nossa química deu supercerto! Sabia que nosso texto era bom, mas não achei que a gente ia ter um resultado tão forte. Estou feliz", vibra.

(Foto: João Miguel Júnior/TV Globo/Divulgação)

Autocrítica
O humor do trio é encarado pelos atores como um ingrediente poderoso para abordar todo tipo de assunto. Desde os mais "bobos", aos mais sérios, fazendo uma grande crítica social da época. "A Germana é uma mameluca, que representa essa coisa de mistura dos povos. Está sempre querendo se dar bem, sem pensar no coletivo", compara Vivianne.

A atriz cita, ainda, que Novo Mundo representa uma época na qual a questão da escravidão era vista como algo normal. "A novela explica muitas coisas que existem hoje, lá atrás, faz essa ponte. Acho muito legal esse período mostrar e entender como é que se formou esse Brasil de hoje", completa.

Ingrid, por outro lado, destaca que a mistura de personagens anônimos com históricos, como o imperador Dom Pedro (1798-1834) e a imperatriz Leopoldina (1797-1826), é poderosa. A partir dela, continua a atriz, há a liberdade para falar coisas que não necessariamente estão nos livros. "Meu núcleo, que é um núcleo mais divertido, fala sobre como foi descoberta a feijoada, o quindim e outras coisas que não são históricas, mas que te dão liberdade poética de brincar", explica.

Guilherme destaca que fazer um papel como esse no contexto atual do Brasil é uma "oportunidade excelente", porque permite que o brasileiro faça uma autocrítica. "Acho que nada melhor para atingir mesmo essa autocrítica do que o humor, porque com o humor a gente faz as pessoas rirem de si mesmas. Tem uma certa leveza, mas sabem lá no fundo que estão vendo o seu problema também", acredita.

O jeitinho de Licurgo é comparado, por Guilherme, a comportamentos de pessoas que jogam lixo no chão, mas reclamam que quando chove dá enchente, e fecham o cruzamento, impedindo que outros carros andem. "São pequenas coisas que vão fazendo e acham que não é nada. Pequenas ações de agora que geram as ações do futuro. Poder mostrar isso com humor e as pessoas rirem é uma oportunidade excelente", comemora.

Guilherme destaca, ainda, que vive-se um momento muito crítico e delicado no Brasil e no mundo e as pessoas têm mania de "achar que vai vir o messias" para resolver todos os problemas. "A gente vota para alguém cuidar de tudo, sendo a responsabilidade toda dessas pessoas e a gente se exime um pouco disso. Todos nós temos que fazer nossa parte, não adianta botar a responsabilidade em um salvador", opina.

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