Esportes

Time dos sonhos do Bahia: Don Paulo Rodrigues

Sem se comunicar direito, suas chances estavam aos seus pés: somente eles poderiam alçar seu voo além do que ele precisava para ganhar impulso e voltar a se apaixonar perdidamente pela bola

Paulo Leandro | Redação CORREIO
paulo.leandro@redebahia.com.br

Paulo Rodrigues Barcelos já estava para desistir. Aos 28 anos, tinha passado toda a carreira entre o Nacional da sua Uberaba, em Minas Gerais, e o Botafogo de Ribeirão Preto, São Paulo. Estava decidido a fazer sua última tentativa naquele time de grande torcida de Salvador, cidade desconhecida para ele.

Mineiríssimo daqueles que nem se ouve a voz, Paulo tinha contra si a extrema timidez. Sem se comunicar direito, suas chances estavam aos seus pés: somente eles poderiam alçar seu voo além do que ele precisava para ganhar impulso e voltar a se apaixonar perdidamente pela bola.

Pois o Bahia foi esta plataforma de lançamento para o futebol deste volante clássico, de fino trato, 70 quilos em 1,80m, campeão do Brasil de 1988 que não teve sua justa oportunidade na Seleção, dirigida por Sebastião Lazaroni.
Na conquista da segunda estrela tricolor, don Paulo fez o papel de condutor. Mestre Evaristo andava insatisfeito com a saída de bola. Ao mesmo tempo em que reclamava da lentidão, preocupava-se com a proteção insuficiente à zaga.
Sentia falta do passe preciso e do senso de colocação tão necessários para um time competitivo. Qualidades que sobravam no meia magrelo e já ficando careca.

Limpo
Os elogios deram a pista para os repórteres que frequentavam o Fazendão. Don Paulo Rodrigues voltaria ao time a qualquer momento. “Po‘deixar, seu Evaristo”, disse, sem mais palavras, ao receber a missão de titular contra o Atlético, lá mesmo, em sua Minas Gerais, na sexta rodada.

Paulo resolveu a meiúca. Protegeu e lançou, combateu e passou, redonda, para Bobô inventar uma bela arte ou Zé Carlos atacar em velocidade, até marcar o gol de empate.

Evaristo estava feliz, não só com o famoso homem de ligação, mas com o guerreiro da marcação, dois caras em um só . E com a vantagem de não fazer falta, jogando limpo, sempre na bola.

Naquela Copa União, empate no tempo normal dava em disputa de pênaltis: o Atlético venceu por 4x1. No jogo seguinte, contra o Sport, Paulo atuou um pouco mais recuado que Gil, no meio-campo, corrigindo o posicionamento. Novo empate de 1x1, na Fonte Nova, mas desta vez, vitória tricolor, nos pênaltis, por 5x4.

Paulo não saiu mais do time. Até voltou a jogar mais à frente, com Sales de volante fixo, na derrota de 3x0 para o Internacional pela fase de classificação. Mas depois recuou de vez e se encontrou.

Perfeito na sua posição, o mineiro caladão, hoje dono de um motel, deslizou em campo e falou com os pés a mais pura verdade: o Bahia é, para sempre, duas vezes  campeão brasileiro.

Reserva
A eleição de Paulo Rodrigues se justifica pelo alcance da conquista do título nacional. Mas ficaria em bons pés se o nosso colégio eleitoral apontasse para Baiaco.

Um de seus fãs é o ídolo Douglas, que jogou com o volante durante todo o hepta 1973-1979. Baiaco pendura até hoje as faixas da coleção no quarto de sua casa em São Francisco do Conde, única decoração do cômodo. “Gostava muito de ver Baiaco jogar pela entrega. Ele destruía, marcava e aparecia. Tocava a bola e era muito rápido. Ele sabia a limitação para jogar. Marcava dois caras tranquilo”.

Orgulho tricolor: não é todo time que tem o luxo de um Paulo Rodrigues titular, com Baiaco de reserva imediato.

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