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Reis e rainhas africanos inspiram imersão do CORREIO para o Afro Fashion Day 2026

Palestra com Saulo Sankofa aprofundou o conhecimento sobre a história da diáspora africana e os legados culturais presentes na Bahia

  • G
  • Gabriela Araújo

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 10:24

Afro Fashion Day 2026
Paulo Sankofa Crédito: Gabriela Cruz/Estúdio Correio

O CORREIO recebeu, nesta quarta-feira (5), a visita do professor e pesquisador Saulo Sankofa para um mergulho na história da diáspora africana e nos legados das Rainhas e Reis desse território, que serão tema da 12ª edição do Afro Fashion Day, que acontece no dia 14 de novembro, no Pelourinho, em Salvador.

O momento reuniu membros de todos os setores do jornal para uma imersão no tema para além dos estereótipos ocidentais. A ideia é ampliar o olhar sobre o significado da realeza negra, conhecendo mais sobre a riqueza cultural e o legado dos povos africanos e afro-brasileiros.

Palestra de Saulo Sankofa no jornal Correio - Afro Fashion Day por Gabriela Cruz/Estúdio Correio

"A África é lembrada como um lugar de pobreza, de guerras e fome. Isso implica diretamente na forma como a gente imagina o continente africano. Então, nós, que somos afrodiaspóricos, ao lembrarmos de África, por conta dessa lacuna [na história] que ainda existe, acabamos esbarrando nesses imaginários de que os reis e rainhas africanos vieram desses lugares, quando, na verdade, o que a história conta não é bem assim", explicou.

O educador também destacou que heranças dos reinos africanos podem ser observadas nas manifestações culturais brasileiras, especialmente na Bahia. "Nós temos, por exemplo, na organização das comunidades tradicionais, a maneira como lidamos com os mais velhos, com respeito a eles. [...] Dentro do universo da cultura afrobaiana, temos os orixás, que são entendidos como reis e rainhas. Essa maneira de entender os orixás dessa forma contribui para o fortalecimento da identidade, uma vez que essa divindade africana também foi humana e, hoje, é celebrada como rei e rainha, a exemplo de Xangô e Oxum", afirmou.

Com trajetória dedicada à arte-educação, atuando em escolas públicas e privadas, projetos socioculturais e espaços comunitários, Saulo é mestre em Ensino e Relações Étnico-Raciais, pela Universidade Federal do Sul da Bahia, (UFSB), tem licenciatura e é doutorando Dança, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Sua trajetória acadêmica, docente e artística foi construída na intersecção entre arte, educação e relações étnico-raciais, com aprofundamento em temas relacionados às negritudes e poéticas da velhice, ancestralidade e memória, abrangendo processos criativos e práticas de educação intergeracional a partir de comunidades tradicionais, como quilombos, terreiros e aldeias.