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'Produtividade é valor, não é suor', afirma CEO no Agenda Bahia

Empresários discutiram liderança, tecnologia e desenvolvimento humano durante painel realizado pelo Correio na quarta-feira (12)

  • Foto do(a) author(a) Esther Morais
  • Esther Morais

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 15:12

Empresários discutiram liderança, tecnologia e desenvolvimento humano durante painel realizado pelo Correio  Crédito: Estúdio CORREIO

É possível aumentar a produtividade sem diminuir as pessoas? A pergunta orientou o debate sobre produtividade humana e crescimento durante o Agenda Bahia, realizado na quarta-feira (12), em Salvador. Para os participantes, o desafio das empresas é conciliar tecnologia, estratégia e desempenho com desenvolvimento humano, qualificação e capacidade de adaptação.

O painel foi mediado por Linda Bezerra, editora-chefe do Jornal Correio, e contou com César Souza, cofundador e CEO do Grupo Empreenda; Paulo Bittencourt, CEO do Plano Brasil Saúde; e Paulo Cavalcanti, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (Faceb).

Em primeiro plano, César Souza defendeu que produtividade não deve ser associada apenas ao aumento da produção ou à redução de custos. Para ele, o desempenho das organizações também depende das condições oferecidas às pessoas. “Produtividade tem que estar junto com felicidade. Em ambientes felizes, a produtividade aumenta. Não é produtividade a qualquer custo. Produtividade é valor, não é suor”, afirmou.

O executivo também chamou atenção para a necessidade das empresas se prepararem para mudanças constantes. Segundo ele, muitos negócios estão enfrentando desafios que não existiam anteriormente, provocados por fatores como juros altos, custo de capital, mudanças nos hábitos dos consumidores e novas tecnologias.

Uma pesquisa apresentada por Souza, com respostas de 178 donos de empresas, apontou entre as principais preocupações a falta de um plano de longo prazo para o país, a insegurança jurídica, a crise de governabilidade e a polarização política.

Carlos Henrique Passos, presidente da Fieb por Renata Marques/CORREIO

Tecnologia exige qualificação e humanização

Paulo Bittencourt também ressaltou que a adoção de tecnologia não elimina a importância das pessoas. Para ele, a humanização deve continuar sendo um diferencial, especialmente em serviços que envolvem momentos de maior vulnerabilidade. “O que há de mais moderno é a humanização, é o acolhimento nos momentos difíceis, é o que as pessoas mais necessitam”, afirmou.

Bittencourt também falou sobre a formação de profissionais como parte do desafio de produtividade. Segundo ele, a Bahia possui atualmente 37 cursos de Medicina e, quando um profissional não tem a qualificação esperada, pode recorrer excessivamente a ferramentas tecnológicas e solicitar mais exames e recursos, o que aumenta custos e afeta a eficiência do serviço.

Já Paulo Cavalcanti argumentou que o Brasil pode mudar, mas ressaltou que o país possui características próprias e não deve simplesmente reproduzir modelos de outras nações. Para ele, o desenvolvimento depende da convergência entre diferentes forças da sociedade. O presidente da Faceb também defendeu maior articulação da classe produtiva em torno de pautas relacionadas ao desenvolvimento econômico.

'Quem vive mais tempo é quem tem capacidade de morrer várias vezes', diz CEO

Durante a palestra individual que abriu o segundo eixo do Agenda Bahia, César Souza, cofundador e CEO do Grupo Empreenda, também defendeu que a capacidade de adaptação é essencial para a sobrevivência das empresas diante das mudanças econômicas e tecnológicas.

Ao falar sobre longevidade empresarial, Souza questionou qual seria o prazo de validade das organizações e afirmou que empresas precisam estar dispostas a abandonar modelos que deixaram de funcionar para criar novas formas de atuação. “Quem vive mais tempo é quem tem capacidade de morrer várias vezes”, disse.

Como exemplo, o executivo citou a Companhia de Seguros Aliança da Bahia, empresa baiana com 156 anos de história. Segundo Souza, a companhia voltou a ser comandada por José Renato Tourinho e passa por um processo de recuperação e expansão, com a estratégia de ampliar sua atuação para outros estados do país.

Para Souza, o caso mostra que longevidade não significa permanecer igual, mas ter capacidade de se adaptar e encontrar novos caminhos. Ele também afirmou que a liderança é um dos principais fatores para conduzir esse processo. “O principal ativo que existe na empresa é o capital liderança. É a alavanca para mudar a vida das empresas”, afirmou.

O executivo ainda criticou empresas que concentram investimentos em tecnologia sem acompanhar esse movimento com a capacitação dos funcionários. Para ele, pessoas preparadas são fundamentais para transformar inovação em resultado.

Realizado pelo Jornal CORREIO, o Agenda Bahia 2026 tem patrocínio de Acelen, Echoenergia e Unipar, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, apoio de Braskem, FIEB, Plano Brasil Saúde, Salvador Bahia Airport, Sebrae e Sotero, além de parceria da Claro.