Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Donaldson Gomes
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 06:00
Na Arte da Guerra, o general e estrategista Sun Tzu dizia que quem escolhe o terreno tem vantagem no confronto e, nesta semana, o presidente dos Estados Unidos colocou a estratégia em prática. Donald Trump manteve a tradição de participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, mas foi fora do prédio da ONU que fez os seus principais movimentos diplomáticos. >
Durante o discurso na Assembleia Geral, acenou e, em seguida, ameaçou destruir o Irã. Depois, justificou a postura em relação à Venezuela com uma frase moralmente controversa: “ao vencedor, os despojos”. No plenário, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, não manifestou qualquer contrariedade em relação às palavras, o que legitimou Trump. Nenhuma menção ao Brasil.>
Terminou de falar e foi para os encontros que realmente lhe importavam.>
Com os presidentes de dez países alinhados ao seu governo na América Latina, Trump assinou um acordo, ainda na terça-feira (dia 22), para designar formalmente as facções narcotraficantes como “ameaças compartilhadas” e torná-las alvos de sanções. No bolo, com outros 22 grupos, estão o Comando Vermelho e o PCC.>
No dia seguinte, ainda em Nova York, Trump se reuniu com Delcy Rodríguez, que fez questão de postar a imagem em suas redes sociais. Sem demonstrar qualquer constrangimento por estar ao lado do homem que mandou prender o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Delcy aparece sorrindo e fazendo o sinal de “V” com dois dedos da mão direita. Trump também ri — será que se lembra do conselho dado por Lula, de se esforçar para parecer menos sisudo?>
De acordo com a imprensa norte-americana, o encontro aconteceu a cerca de 15 quilômetros da prisão onde Maduro está. Delcy disse que teve “uma reunião histórica” com Trump, na qual os dois discutiram formas de fortalecer a relação entre os países e “o avanço de uma agenda de cooperação em áreas estratégicas, como energia, mineração, segurança e outros assuntos de interesse comum”.>
“Venezuela e EUA compartilham uma relação histórica que, nesta nova etapa, somos chamados a conduzir por meio do diálogo”, afirmou.>
Na ONU, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou o mundo de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pretende ampliar a guerra para outros países europeus, incluindo territórios da Otan. Segundo ele, há pessoas de 47 países envolvidas na guerra ao lado das forças russas.>
Sem papas na língua, o argentino Javier Milei disse que as Nações Unidas se tornaram “inúteis” e acusou a entidade de inação diante da disputa histórica entre seu país e o Reino Unido pelas ilhas Malvinas.>
Enquanto isso, Trump seguia firme em sua agenda diplomática, cada vez mais distante das Nações Unidas. Recebeu o presidente da China, Xi Jinping, que manteve a tradição de não participar da Assembleia Geral. O líder chinês fez história ao desembarcar na Base Aérea Conjunta Andrews, em Washington, onde permaneceu até a última quinta-feira.>
A visita foi cheia de simbolismos e considerada o fato mais importante da semana, suplantando a Assembleia Geral da ONU. Em um mundo marcado por simbolismos, as agendas bilaterais ganharam um pouco mais de força em relação ao multilateralismo.>
ONU deve ser liderada por mulher>
A ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan está se cacifando para se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral das Nações Unidas, no lugar de António Guterres. Para chegar ao cargo, ela precisa alcançar a maioria dos votos e não ser vetada por nenhum dos cinco membros permanentes do conselho de segurança, formado por Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França. Nesta semana, ela conquistou dois votos de peso, da Rússia e da China. Numa consulta informal, o nome dela recebeu nove votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção. Quem conhece a política das Nações Unidas diz que se ela convencer os Estados Unidos, Reino Unido e França vão acompanha-la. A principal adversária de Rebeca é a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett. A principal bandeira de Rebeca Grynspan é "reformar sem destruir". O programa de reformar a ONU, de Guterres, o UN80, ia na mesma linha, mas acabou tendo pouco impacto efetivo. >
O risco da guerra>
Do lado de cá do Atlântico, o risco de uma guerra de grandes proporções parece improvável, mas no Reino Unido o governo começou a atualizar o livro de guerra, com instruções para a população sobre o como agir no caso de um conflito. Uma reportagem da BBC diz que a recomendação para a população é a de começar a estocar alimentos enlatados e água potável, fortalecer a resiliência cívica e se preparar para graves perturbações. O chefe do Estado-Maior da Defesa do Reino Unido, Richard Knighton, declarou que a ameaça da Rússia significa que o país vive o período "mais perigoso" dos seus 35 anos de carreira nas Forças Armadas britânicas. Ao contrário do que se temia nos anos de 1940, o principal risco agora é o de uma guerra cibernética, com ataques que coloquem em risco sistemas de infraestrutura energética ou de comunicação, entre outros. Não deixa de ser guerra. >
O jogo mata mais >
O brasileiro Tiago Morais, que criou o perfil @badboynaucrania mostrando sua rotina como soldado no exército ucraniano, divulgou um vídeo falando sobre o drama do vício nas bets. Tiago conta que no front faltam água e comida, os combatentes passam mais de 24 horas em estado de alerta e o risco de morte é constante. "Não venham para a guerra, isso não é brincadeira. O dinheiro não vale a pena, não venham. Eu vim porque estava viciado em jogos de azar e precisava sair do lugar e da situação em que eu estava", conta o carioca. "Eu tive que arrumar um problema maior para minha vida para esquecer os jogos", diz. De lá do campo de batalha ele garante que o vício mata mais que a guerra. >
Que calor é este?>
O Super El Niño pode causar 451 mil mortes em decorrência de dias de calor extremo — 13,3 mil apenas no Brasil, de acordo com uma estimativa do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, publicada pela Folha de S. Paulo. Segundo o relatório, o Brasil deve ser o quinto país mais impactado pelos danos à saúde do calor excessivo, atrás de Nigéria (31,4 mil mortes estimadas), Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,5 mil) e Índia (15, 8 mil). A margem de erro da projeção varia de acordo com a qualidade dos dados de cada nação. No caso brasileiro, é de 700 óbitos, para mais ou para menos. "É um número tão elevado que pode nos deixar insensíveis, mas ele é composto por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que trabalham, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas", afirma em comunicado Michael Greenstone, cofundador do laboratório.>
meme da semana>
Enquanto o presidente Lula, candidato à reeleição já está pensando nas canetas emagrecedoras, tem gente que ainda está à espera da picanha que ele prometeu na última disputa, em 2022. O jeito é aproveitar a criatividade da turma e rir mesmo>
(Viu algum meme interessante? Encaminha para donaldson.gomes@redebahia.com.br)>