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Donaldson Gomes
Publicado em 25 de julho de 2026 às 05:00
A nova versão do tarifaço dos Estados Unidos contra diversos países vai trazer um efeito colateral importante para a economia norte-americana: a perda do posto de maior exportador agrícola do mundo. Após as taxações, a China, maior compradora de alimentos do mundo, reduziu as compras de produtos da terra de Donald Trump, de acordo com uma reportagem do Financial Times, um dos principais jornais de finanças do planeta. >
Em paralelo, por aqui a produção agrícola é impulsionada por ganhos contínuos de produtividade, graças a décadas de pesquisas, investimentos massivos em tecnologia e abertura de novas fronteiras agrícolas. Foi assim que o Oeste baiano prosperou, inicialmente como uma área de expansão, mas agora como uma realidade cada vez mais difícil de ser ignorada. >
Mesmo antes da onda de tarifas, o Brasil já vinha reduzindo a diferença em relação aos Estados Unidos. Em 2021, as exportações agrícolas norte-americanas superaram as brasileiras em US$ 56 bilhões. No ano passado, os dados indicaram que essa diferença caiu para US$ 2 bilhões, com o Brasil vendendo US$ 169 bilhões para outros países do mundo. O jornal britânico destacou ainda que no primeiro semestre deste ano, o Brasil aumentou as exportações em 6%. >
Um dos destaques do crescimento é o mercado de algodão, que já teve os EUA como o maior exportador do planeta, até ser superado pelo Brasil.>
O Financial Times aponta as "perturbações comerciais" como fator central para a perda de espaço dos produtos americanos no mercado internacional. As tarifas teriam levado os chineses a comprar cada vez mais daqui e menos de lá, num movimento que vinha crescendo, mas ganhou força após sua adoção. >
O Financial Times, que esteve no estado do Mato Grosso, destacou o baixo custo da terra em regiões de fronteiras agrícolas, mas também os investimentos na expansão da produção em áreas que já foram consideradas inférteis ou improváveis para determinadas culturas. E, neste último caso, é impossível esquecer que no cerrado da Bahia florescem, além de diversos tipos de grãos de altíssima qualidade, culturas como café e cacau, além de tantas outras que os livros de geografia diziam não se adaptarem à região. >
No horizonte próximo, a produção rural brasileira vai ter que lidar com os efeitos do El Niño. Aqui na Bahia, os prejuízos com o fenômeno climático podem chegar a R$ 13 bilhões, segundo estimativas da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), mas um Super El Niño não aparece todo dia, tampouco afeta apenas o Brasil. >
A verdade é que a reportagem do Financial Times é uma verdadeira ode à agricultura brasileira, que deve mesmo ser motivo de orgulho. Agora, imagina se esses produtores não tivessem que lidar com condições inapropriadas de infraestrutura, taxas de juros proibitivas e um nível de insegurança jurídica assustador. Aí não teria para ninguém.>
O craque de um time só >
A vitória da Espanha sobre a Argentina na final da última Copa do Mundo, no último domingo (dia 19), colocou em destaque algumas histórias de superação, honra, lealdade e todos os outros atributos que se costumam associar aos campeões. Vejam bem, fosse a Argentina, o mundo estaria glorificando os feitos de Messi e companhia. Não foi, falemos dos campeões. Um dos que merece destaque é o artilheiro espanhol, o goleador de um time só. Mikel Oyarzabal já rejeitou convites para jogar em alguns dos maiores clubes do planeta, como o Barcelona e o Manchester City, mantendo-se fiel à camisa da Real Sociedad. “Dá para dizer não ao Barcelona? Sim, dá. Claro que dá. Outros jogadores já o fizeram”, diz com tranquilidade. O Barça já disse que vai tentar novamente convencê-lo a mudar de camisa. >
Linda tradição>
Após o apito final da Copa, Pedri se dirige à marca de pênalti de um dos gols. Seu pai está debaixo da trave, de braços abertos, concentrado. O jogador espanhol cobra com pouca força e a uma distância que permite ao seu velho cair e fazer a defesa do lance. É um ritual que os dois mantêm vivo com muito carinho. Toda vez que o jogador conquista um título, dá ao pai a chance de viver um pouco do que ele abriu mão por causa da família. Fernando González estava prestes a se profissionalizar como goleiro quando precisou trocar o sonho por um emprego que garantisse o sustento da mulher e dos filhos. Foi lindo. >
Drake e as apostas>
O que dizer do rapper Drake, que apostou US$ 1,5 milhão na vitória da Argentina? Se os hermanos tivessem levado a melhor na copa, ele teria ficado US$ 5,175 milhões mais rico. Na Copa de 2022, ele já tinha apostado US$ 1 milhão na Argentina e se deu bem. Dois anos depois, na Copa América, colocou US$ 300 mil na vitória do Canadá sobre os argentinos e se deu mal. No mundo das apostas esportivas, o rapper tem fama de pé frio. No mesmo fim de semana da final da copa, ele apostou US$ 1 milhão na vitória do irlandês Conor McGregor contra Max Holloway, no UFC e, adivinha? Perdeu. Drake apostando em alguém é quase como Mick Jagger torcendo no estádio: vai dar ruim.>
A batalha das canetas>
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, entrou com uma ação na Justiça dos Estados Unidos contra a americana Eli Lilly, do Mounjaro e do Zepbound. A acusação é de publicidade enganosa. A Eli Lilly teria comparado doses mais elevadas dos seus produtos com versões menores dos produtos concorrentes. As duas gigantes do mercado farmacêutico disputam, palmo a palmo, o mercado de medicamentos para emagrecimento, que deve movimentar US$ 100 bilhões até 2030, só nos Estados Unidos. >
meme da semana>
A Copa do Mundo acabou e é hora de trocar os memes e dar um descanso para o nosso menino Ney e os seus companheiros do mundo da bola. A eleição, por outro lado, está chegando e certamente já tem um monte de gente tirando a paz dos parentes no grupo da família. >
(Viu algum meme interessante? Encaminha para donaldson.gomes@redebahia.com.br)>