Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Bahia Farm Show começa com anúncios de investimentos bilionários

Iberdrola anuncia investimentos de R$ 25 bilhões e planos de dobrar fornecimento de energia na região Oeste

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 9 de junho de 2026 às 05:00

Cerimônia de abertura da Bahia Farm Show Crédito: Donaldson Gomes/CORREIO

Na primeira metade do século XX, o então presidente Getúlio Vargas estabeleceu como slogan a ideia de que o Brasil se tornaria o “celeiro do mundo”. A profecia se concretizou e décadas depois, o ministro da Agricultura, André de Paula, atualizou a frase, ao dizer que o Oeste da Bahia “é o celeiro do Brasil”. A região que já foi uma nova fronteira, hoje é uma realidade. Mas o desenvolvimento do Oeste passa também por uma crescente diversificação de cadeias produtivas. A terra que ficou conhecida pela soja continua importante na produção dos grãos, mas acrescentou ao seu portfólio o milho, sorgo, café, pecuária e uma diversificada fruticultura, com um destaque cada vez maior para o cacau.

A solenidade de abertura da 20ª edição da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (LEM), realizada ontem, foi na verdade uma celebração ao poder transformador do agro. Foi a produção agrícola a responsável por transformar o antigo distrito de Mimoso do Oeste no município que hoje registra o quinto maior Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia, como lembrou o prefeito de LEM, Junior Marabá. Ele é um exemplo vivo que o círculo virtuoso criado pela produção agrícola se expande para outros setores econômicos e possui enorme capacidade de transformação social. “O agro fez desta cidade uma terra de riquezas. Deu esperança à minha família e transformou a minha vida, assim como a de muitas outras pessoas”, destacou.

Para o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o que está acontecendo no Oeste da Bahia, em especial na cidade de LEM, demonstra o papel transformador que a agricultura exerce. Ele lembrou que há 50 anos o Brasil era um país que importava alimentos. “Com os avanços da agricultura brasileira, hoje estamos entre os três maiores produtores do mundo e somos o maior exportador de alimentos do mundo. Para ter uma ideia, no ano passado, nós exportamos US$ 169 bilhões de dólares. O Brasil bateu o seu recorde, com US$ 349 bilhões, mesmo com todas as dificuldades do mundo, e o agro foi responsável por 40% deste resultado. Como ele é pouco importador, o saldo da balança comercial foi de US$ 149 bilhões”, destacou o vice-presidente.

Alckmin explicou que o desempenho é fundamental para a estabilização da economia brasileira. Segundo ele, a abertura de 585 novos mercados e a concretização de novos acordos comerciais é fundamental para o desempenho positivo. Entre os exemplos, ele destacou as negociações entre o Mercosul e Singapura, com a União Europeia, entre outros.

Segundo o vice-presidente, o governo segue tentando reverter a proibição de proteínas brasileiras para a União Europeia. “Vamos fazer um grande empenho para equacionar este problema com a União Europeia”, prometeu. Segundo Alckmin, o novo tarifaço norte-americano impacta muito pouco os produtos agrícolas brasileiros. Ainda assim, disse, o governo vai trabalhar para tentar reverter o cenário. “Seria muito injusto sermos taxados numa relação em que os Estados Unidos já possuem um superavit. O setor do agro está praticamente fora, mas os produtos que eventualmente estiverem inclusos, vamos ter todo o empenho do mundo para enviar porque seria muito injusto com o Brasil”, afirmou. Segundo ele, dos dez produtos mais exportados pelos EUA para o Brasil, oito têm tarifas zeradas.

Em acenos para a atividade, o vice-presidente destacou que o novo programa para auxiliar as empresas atingidas pelas tarifas vai oferecer uma linha de R$ 15 bilhões, com juros de 9% ao ano para empresas que tenham registrado perdas em seu faturamento acima de 1%. Como antecipou a coluna Farol Econômico, Alckmin confirmou o Move Agrícola com taxas de juros de 9,2% para compras de máquinas e outros equipamentos agrícolas. Além disso, destacou ainda um programa para renovação de frotas de ônibus e caminhões, com recursos da ordem dos R$ 21 bilhões. Neste caso, os juros cobrados devem ser 12%.

Alckmin destacou ainda as oportunidades que serão criadas para os produtores rurais brasileiros com o aumento da mistura de biodiesel nos combustíveis utilizados no país. Hoje o percentual é de 15%, mas o governo deve elevar para fazer frente aos desafios criados pela guerra no Oriente Médio. “Veja como o biocombustível é importante, neste momento de guerra, quando disparou o preço do petróleo, faz diferença o Brasil ser o campeão dos biocombustíveis. O biodiesel atingiu 15% e poderá crescer mais após os testes”, disse. Além disso, lembrou o etanol anidro, que compunha 27% da gasolina comum no país, passou a figurar em 30% e o governo estuda elevar a mistura para 32%. “O etanol de milho, que nos últimos cinco anos cresceu 800%, produz etanol, energia e DDG (produto para nutrição animal rico em proteínas)”, completou.

Segundo Alckmin, as perspectivas em relação ao novo Plano Safra, que deve ser anunciado até o final deste mês, é de um volume maior do que o anterior, com juros de 1 dígito.

O vice-presidente lembra que o mundo enfrenta duas guerras, que geram um efeito de retração econômica no Brasil, com queda do Produto Interno Bruto (PIB) e aumento da inflação. Segundo ele, o Brasil está entre os países que menos sentem os efeitos do conflito.

Para o ministro da Agricultura, André de Paula, os desafios externos enfrentados pelo agro brasileiro não devem prejudicar a trajetória virtuosa do setor no Brasil. O ministro lembrou que além de responder por 49% da pauta de exportações do país, o campo é responsável por cerca de 38 milhões de postos de trabalho. “No ano passado, o PIB do agro cresceu 11,7% e foi decisivo para segurar o desempenho da economia brasileira”, lembrou.

O ministro destacou que o momento é de esforços para que o próximo Plano Safra seja o melhor possível. “Nós trabalhamos sempre para superar o ano anterior e desta vez não deverá ser diferente”, projeta.

Para André de Paula, a Bahia Farm Show é um evento em que os números falam por si só. “Quando nós imaginamos que a feira já chegou ao seu limite, nos surpreendemos com um crescimento físico de quase 35% em relação à edição passada. São números que não deixam dúvidas sobre a força da atividade no Brasil e, de forma muito especial, no Oeste baiano.

“Se eu pudesse destacar uma característica do Oeste, diria que é uma das maiores histórias de transformação produtiva no Brasil, uma região que foi construída pela força do povo nordestino e pela coragem de milhares de imigrantes vindos de outras regiões, principalmente do Sul. Tudo isso, com o apoio decisivo da ciência, tecnologia e inovação”, descreveu o ministro.

Sem citar diretamente as restrições anunciadas pela União Europeia à carne brasileira, o ministro falou sobre o sistema de defesa agropecuária do país. Segundo ele, o Brasil conta com uma estrutura robusta para garantir a conformidade dos seus produtos agrícolas. “Não é por acaso que exportamos para mais de 170 países e há 40 anos exportamos para a Europa. Exportamos hoje e vamos seguir exportando”, apostou. Ele lembrou que na última semana, a China reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa.

Mais energia

Outro anúncio de investimentos bilionários que aconteceu durante a abertura da Bahia Farm Show foi o da Neoenergia na Bahia. O grupo que é responsável pela concessão da Coelba pretende investir R$ 50 bilhões no país até 2030. Deste total, R$ 25 bilhões serão aplicados no estado, de acordo com Ignacio Galán, presidente do grupo Iberdrola, principal acionista da Neoenergia. De acordo com Galán, até 2030 o Oeste vai receber R$ 3,2 bilhões na melhoria de sua rede elétrica, o que deve dobrar a capacidade de distribuição na região.

O executivo destacou o Brasil, e a Bahia em particular, como mercados estratégicos para a Neoenergia. “O Brasil é um mercado estratégico no qual estamos presentes há quase 30 anos, contribuindo para o desenvolvimento e fortalecendo a eletricidade para mais de 40 milhões de brasileiros por meio da Neoenergia”, destacou. Desde 1997, quando o grupo adquiriu a Coelba, já foram investidos R$ 120 bilhões no país. Além das operações de concessionárias de energia, hoje o grupo opera uma rede com mais de 8 mil quilômetros de linhas de transmissão e 4.000 MW de energias renováveis. “Somos a empresa que mais investe em infraestrutura elétrica no Brasil”, destacou Galán.

Na Bahia, os investimentos da Neoenergia Coelba prevêem 54 novas subestações, mais de 2.000 km de linhas de alta tensão e 42.000 km de média tensão, até 2030. “Este plano permitirá aumentar em mais de 40% a potência total, possibilitando ampliar a capacidade elétrica para acompanhar o crescimento econômico da Bahia, especialmente em setores estratégicos como o agronegócio”, acredita.

“Particularmente aqui no Oeste baiano, um dos maiores polos do país, nossos investimentos permitirão duplicar a capacidade elétrica até 2030, com cinco novas subestações ampliadas e milhares de quilômetros de novas linhas de alta tensão”, disse.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância do reforço na rede elétrica do Oeste e de outras fronteiras agrícolas do país. Para ele, a relevância econômica da atividade requer um olhar mais atento por parte do poder público.

Entre as iniciativas da pasta responsável pela área de energia, o ministro destacou a importância do fortalecimento da cadeia de biocombustíveis. Segundo ele, a mistura do biodiesel no combustível fóssil, que hoje está em 15%, pode chegar a até 25% no futuro. “Isso transforma subprodutos em energia e proteína animal, como o DDG do milho, mais barata, criando um ciclo virtuoso”, explicou.

Outra bondade anunciada para o setor foi a portaria que concede descontos especiais nas tarifas de energia elétrica para atividades de irrigação e aquicultura. “Antes, o desconto de mais de 50% era limitado ao horário das 21h30 às 6h. Agora, graças à abundância de energia solar durante o dia, autorizamos que os agricultores utilizem esse desconto durante todo o dia, com exceção do horário de pico (das 17h às 22h30)”, explicou.