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Donaldson Gomes
Publicado em 9 de junho de 2026 às 14:25
Em uma imersão pelo agronegócio no Oeste da Bahia, a presidente da Neoenergia Coelba, Fabiana Lopes, detalha os planos da concessionária para sustentar o crescimento acelerado da região. Nesta entrevista, a executiva revela que, após um ciclo de R$ 13 bilhões nos últimos anos, a companhia inicia uma nova etapa, com aportes de R$ 25 bilhões, até 2030. Os recursos viabilizarão a construção de 44 mil quilômetros de rede. O foco no Oeste é estratégico. Com a região crescendo a dois dígitos por muitos anos, a Coelba planeja dobrar a capacidade instalada local com 10 novas subestações e 15 ampliações. >
Quem é>
Fabiana Lopes é natural de Campinas (SP). Formada em Direito, possui MBA Executivo em Economia e Gestão de Energia pelo Instituto de Pós-Graduação em Administração (COPPEAD), da Universidade Federal do Rio de Janeiro; MBA em Inovação Estratégica pela HSM University; Executive Program pela Singularity University; Executive Programa pelo INSEAD e especialização em Economia Financeira e Modelos de Previsão pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A executiva possui experiência de mais de 20 anos no setor elétrico, tendo passado por diversas áreas como Planejamento Energético, Regulação, Marketing e Inteligência de Mercado. Atuou como conselheira e presidente do Conselho da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) por dois mandatos. Como diretora no Grupo Neoenergia, Fabiana Lopes foi responsável pelas áreas de Planejamento de Mercado e Contratação de Energia, Planejamento Energético e da Expansão da Rede de distribuição, além do planejamento estratégico das distribuidoras do grupo. Ocupa o cargo de diretora-presidente da Neoenergia Cosern desde janeiro de 2023.>
Você está tendo a oportunidade de fazer uma verdadeira imersão aqui no agronegócio baiano. Quais são suas primeiras impressões?>
Primeiro, é impressionante o que cresce o Oeste, o extremo Oeste aqui da Bahia, impulsionado pelo agro. Ter esse primeiro contato, conhecer a feira, entender as demandas do setor e dessa região me deixa muito animada com os desafios que temos e com tudo o que temos de possibilidade de construção em conjunto. Sabermos que a energia elétrica é um importante vetor para o desenvolvimento do agronegócio e da região. Estamos trabalhando muito nessa frente e anunciamos investimentos importantes, para a Bahia como um todo, mas também para esta região, investimentos que começaram há três anos. Anunciamos R$ 13 bilhões em investimentos e estamos realizando muita coisa – inclusive, amanhã inauguraremos uma subestação aqui em Luís Eduardo Magalhães.>
Bahia Farm Show
Você já tem algumas entregas aqui na região. O que elas acrescentaram à infraestrutura da rede?>
Foram muitas subestações construídas. Esta que inauguramos é a 40ª subestação nova ou ampliada deste ciclo de investimentos. De fato, não é uma promessa, é a concretização e a entrega de investimentos em linhas de distribuição de média e alta tensão também. Agora, neste novo ciclo que anunciamos, de R$ 25 bilhões, serão construídos 44.000 km de rede e mais 1.226 subestações. Só para o Oeste, serão 10 subestações novas e mais 15 ampliadas, o que vai dobrar a capacidade instalada na região Oeste. São entregas que já estão acontecendo e que, com a renovação da concessão e a consequente segurança jurídica, nos possibilitaram seguir com essa linha de investimentos. Seguimos buscando um planejamento meticuloso e técnico, envolvendo a indústria, o comércio, o turismo, o governo do estado, as prefeituras, o agronegócio e a sociedade para que o planejamento seja assertivo. Planejamento energético é de médio e longo prazo, e essa troca com os parceiros faz toda a diferença para que ele aconteça onde a demanda está surgindo. Temos um ponto importante especificamente no Oeste, que é a necessidade de ampliação de pontos de suprimento de rede básica. O setor elétrico é uma cadeia que começa na geração, passa pela transmissão e chega na distribuição, que é o negócio da Neoenergia Coelba. Temos alguns gargalos na rede básica que estão sendo discutidos em parceria com a AIBA (Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia), a ABAPA (Associação Baiana dos Produtores de Algodão), outros stakeholders e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) para que os leilões de transmissão aconteçam. Não adianta construir a ramificação da distribuição se a rede básica de transmissão não chegar.>
Apresentamos um estudo para a EPE há cerca de 15 ou 20 dias trazendo nossa visão, junto com as associações, de novos pontos de suprimento para abastecer a demanda crescente do Oeste.>
Há algum tempo a Neoenergia apresentou um estudo mostrando que a demanda por energia aqui na região era muito acima da média do restante do estado. Como estão esses números hoje?>
De fato, a região Oeste cresce a dois dígitos já há alguns anos e segue com essa perspectiva. O agro é muito pujante, ainda há espaço para ampliação da irrigação, mas além dele, há uma possibilidade de industrialização e verticalização aqui. Por isso, a perspectiva de crescimento segue forte em dois dígitos para os próximos anos. Para atender a isso, é necessário um planejamento associado de toda a cadeia. Às vezes o estado gera muita energia, mas ela precisa de linhas de transmissão para chegar onde é demandada, como aqui no Oeste.>
Bahia Farm Show - coleta
Quais são as perspectivas, diante dessas conversas com a EPE e com o governo, de trazer essas linhas de transmissão no volume e na velocidade necessária?>
Muito positivas. A reunião com a EPE no Rio de Janeiro foi muito boa e a disposição em fazer acontecer foi posta desde o primeiro momento pelo próprio Thiago (Prado), presidente da EPE. Eles firmaram o compromisso de nos devolver essa avaliação até outubro deste ano, para que os leilões possam acontecer e que tragamos a energia que a região demanda. Estamos unindo esforços para que toda a cadeia se movimente, permitindo atender à demanda, gerar empregos e promover o desenvolvimento econômico e social.>
O projeto de cobertura do Bahia Farm Show 2026 é uma realização do jornal Correio, com patrocínio da AIBA.>