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Da Redação
Publicado em 14 de outubro de 2009 às 08:37
- Atualizado há 3 anos
Uma questão vem dando nó na cabeça dos vestibulandos e não se trata de fórmulas ou equações: como arranjar tempo para a leitura da grande quantidade de obras exigidas pelas universidades baianas? Para a primeira fase da Universidade Federal da Bahia (Ufba) são seis. Mas, quando outras três estaduais e a segunda fase da Ufba entram na jogada, a lista sobe para 23 livros e dois contos- um de Machado de Assis e outro de Lima Barreto. >
“O ideal é que houvesse uma unificação das listas, principalmente nas estaduais. O aluno que vai fazer todas não tem condições de ler tantas obras. Acaba sendo malfeito, ou alimentando a indústria do resumo”, , critica o professor de literatura André Duarte, do 3º ano e pré-vestibular do Gregor Mendel. Duarte é testemunha da avidez dos vestibulandos pelos resumos: seu livro sobre as obras da Ufba vendeu 500 exemplares em três semanas. >
“Acho que menos livros facilitaria. Até porque tem ainda uma série de assuntos das outras matérias e a gente nunca escolhe só uma universidade', reclama Ana Luiza Oliveira, 20 anos, que vai fazer vestibular para engenharia química, na Ufba, e administração, na Universidade do Estado da Bahia (Uneb). >
Ana Luiza priorizou os livros da Ufba e as matérias de sua área>
Para dar conta dos dez livros que teria que ler, ela focou em um objetivo: descartou quatro das cinco obras da Uneb e leu todas as seis exigidas na primeira fase da Ufba. Da estadual, leu apenas o conto Teoria do medalhão, de Machado de Assis, e mesmo assim só porque ele será cobrado no vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde ela também vai tentar engenharia química. “Tinha que priorizar matérias específicas de minha área”, explica Ana Luiza. . >
UNIFICADONo Brasil, as universidade de SãoPaulo ( USP) e a Estadual de Campinas (Unicamp) há dez anos usam uma lista única de nove livros para o vestibular, o que facilita a vida dos cerca de 150 mil estudantes que todo ano tentam uma vaga nas instituições. “Foi um benefício. Os alunos gostaram, principalmente da redução nos custos com a compra dos livros”, defende o coordenador de comunicação da Fundação Universidade para o Vestibular da USP (Fuvest), José Coelho Sobrinho. >
Na Bahia, a ideia ainda não conhece os gabinetes onde são decididos os rumos dos vestibulares. Nas estaduais, o consenso até então é exatamente o oposto. Nas reuniões semestrais entre as comissões de vestibular da Uneb, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) - esta última não adota livros -, um dos pontos de pauta é justamente fazer com que os livros exigidos não coincidam. >
“É para não caírem questões parecidas e também forçar o aluno a ler”, justifica o gerente da Comissão Permanente do Vestibular (Copeve) da Uesb., José Coelho Sobrinho. Na Ufba, a proposta ainda não foi discutida, segundo o pró-reitor de Graduação, Maerbal Marinho. “O motivo de ter a obra literária é que as pessoas leiam, então essa diversidade é positiva”, comenta Maerbal.>
Prioridades devem ser definidas“É preciso ser matemático: se o livro tem X páginas, você calcula o tempo diário de leitura necessário. Em geral, uma hora ou meia hora são suficientes”, ensina a professora de literatura Anya Moura, dos colégios Oficina, Módulo e Apoio. E já que ler é um prazer, ela recomenda que a leitura seja feita em horários mais amenos, como antes de dormir ou no intervalo dos estudos. O importante é não perder o ritmo. >
O professor de literatura José Carlos Bastos, dos colégios Módulo e Oficina, recomenda ao aluno começar o ano letivo pelos livros considerados mais difíceis e então partir para os de leitura mais tranquila. Bastos não considera a quantidade de livros indicados para o vestibular excessiva. “Não vejo como você achar ruim a indicação de obras, mas se houvesse uma lista convergente seria o ideal”, pondera.>