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Carol Neves
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 09:28
A Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA) pediu esclarecimentos ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e ao governo do estado sobre a segurança dos depósitos judiciais e precatórios administrados pelo Banco de Brasília (BRB). A manifestação ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que o banco permaneça por mais 90 dias responsável pela gestão dos recursos.>
Os ofícios foram enviados pela presidente da seccional baiana, Daniela Borges, na última quinta-feira (27). A entidade quer saber quais medidas estão sendo adotadas para garantir que os valores permaneçam protegidos e disponíveis para pagamento aos respectivos titulares.>
A preocupação está relacionada à situação financeira do BRB e aos próprios fundamentos usados pelo ministro Luiz Fux para impedir, temporariamente, que o TJ-BA transferisse a gestão dos depósitos para a Caixa Econômica Federal.>
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Na decisão, Fux apontou que uma interrupção imediata do fluxo de novos depósitos judiciais poderia afetar a liquidez do BRB e as medidas de recuperação financeira em andamento. O ministro chegou a mencionar a existência de um "grave risco sistêmico", com possíveis consequências para o sistema financeiro, a administração da Justiça e clientes da instituição.>
"A OAB-BA acompanha com atenção e preocupação o cenário envolvendo a gestão dos depósitos judiciais e precatórios pelo BRB. Estamos falando de recursos que pertencem aos cidadãos e que, em muitos casos, têm natureza alimentar. Diante da decisão que manteve a instituição na gestão desses valores, nosso papel é zelar pela proteção dos direitos dos seus titulares e contribuir para que esses recursos permaneçam seguros e disponíveis", afirmou Daniela Borges.>
O que a OAB-BA quer saber>
Nos documentos encaminhados ao TJ-BA e ao governo da Bahia, a Ordem pediu informações sobre as providências adotadas para assegurar tanto a segurança quanto a efetiva disponibilidade dos depósitos judiciais e dos recursos destinados ao pagamento de precatórios.>
A preocupação é especialmente voltada aos credores que aguardam valores reconhecidos pela Justiça. Parte dos precatórios envolve verbas de natureza alimentar e beneficiários que esperam há anos pelo recebimento.>
A OAB-BA também citou nos ofícios desdobramentos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no fim de 2025, além de informações relacionadas à aquisição, pelo BRB, de ativos de difícil recuperação do Banco Master, estimados pela entidade entre R$ 9 bilhões e R$ 12 bilhões.>
"Não podemos admitir que a incerteza em torno da gestão desses recursos se transforme em mais uma barreira para quem já espera há anos pelo cumprimento de uma decisão judicial. A OAB-BA vai acompanhar o caso e atuar junto aos órgãos competentes para garantir a proteção dos direitos dos titulares desses valores", acrescentou Daniela Borges.>
STF impediu transferência para a Caixa>
O contrato entre o TJ-BA e o BRB havia chegado ao limite de 60 meses, e o tribunal baiano preparava a transferência da operação para a Caixa Econômica Federal.>
Os planos mudaram após Fux conceder uma medida cautelar determinando que o contrato com o BRB fosse mantido por outros 90 dias. Nesse intervalo, o TJ-BA também ficou impedido de transferir a operação ou realizar atos de migração para outra instituição financeira.>
O ministro considerou que uma saída imediata do BRB poderia afetar o fluxo financeiro da instituição. Segundo informações apresentadas no processo, o banco deixaria de receber aproximadamente R$ 394 milhões mensais em novos depósitos, mas continuaria responsável pelos levantamentos das contas que já administra.>
A medida foi concedida em caráter liminar e ainda será analisada pela Segunda Turma do Supremo.>
O TJ-BA já havia informado, após a decisão, que cumpriria a determinação e manteria a prestação dos serviços pelo BRB. Segundo o tribunal, as operações financeiras e o processamento dos depósitos judiciais seguem normalmente.>
Não há registro de interrupção dos pagamentos>
Apesar do pedido de esclarecimentos, não há, até o momento, informação de que credores estejam impedidos de receber valores ou de que os recursos tenham se tornado indisponíveis.>
Para o advogado especialista em precatórios Gilberto Badaró, o cenário exige fiscalização, mas não significa que exista atualmente uma interrupção nos pagamentos.>
"Não há notícia de interrupção dos pagamentos ou de indisponibilidade desses recursos, e o próprio Tribunal de Justiça da Bahia informou que as operações continuam normalmente. Por outro lado, a situação merece atenção", afirmou.>
Segundo ele, os 90 dias determinados pelo STF também permitem acompanhar a capacidade do BRB de disponibilizar os recursos e preparar eventuais medidas caso surjam dificuldades.>
Badaró defende que sejam mantidos mecanismos para uma transferência organizada dos recursos para outra instituição financeira caso apareça algum sinal concreto de problema, evitando prejuízo ou novos atrasos aos credores.>
"O que não pode acontecer é o credor, depois de esperar anos pelo reconhecimento e pagamento de seu direito, ficar exposto a um novo risco relacionado à instituição que administra esses recursos", afirmou. "A melhor resposta neste momento é prevenção, transparência e acompanhamento permanente.">