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Wendel de Novais
Publicado em 3 de julho de 2026 às 08:36
Oito advogados foram presos nas primeiras horas desta sexta-feira (3), suspeitos de integrar um esquema que permitia a comunicação entre chefes de facções criminosas presos e integrantes das organizações em liberdade. As prisões ocorreram durante a Operação Sintonia de Gravata, que também cumpriu mandados contra detentos apontados como líderes dos grupos investigados.>
Entre os presos estão Fernanda Oliveira Borges, apontada como a primeira advogada trans da Bahia, além dos advogados Luan Mascarenhas de Souza e Ícaro Cardoso Viana, de Serrinha, e Maria Tereza Novaes Martins, de Feira de Santana. Também foram detidos Izabela da Silva de Oliveira, Maria Mariana Batista de Oliveira, Tamires Felix Alves Silva e Luã Santos da Costa, que integram conselhos da Seccional Bahia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA). Veja mais detalhes sobre os defensores presos clicando aqui.>
Ao todo, a Justiça expediu 22 mandados de prisão preventiva, sendo oito contra advogados e outros 14 contra integrantes de facções já custodiados no sistema prisional. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Salvador, Feira de Santana, Barreiras, Serrinha, Lauro de Freitas e Camaçari.>
Segundo as investigações, os advogados teriam abusado das prerrogativas da profissão para burlar as restrições impostas em um presídio de segurança máxima. Eles seriam responsáveis por transmitir mensagens, decisões e determinações entre lideranças encarceradas e criminosos que atuavam fora das unidades prisionais.>
Operação prendeu oito advogados na Bahia
As apurações indicam que esse canal clandestino de comunicação permitia que chefes de facções continuassem administrando o tráfico de drogas, a compra e circulação de armas de fogo, a movimentação de recursos financeiros e até a resolução de conflitos internos, mesmo presos. Para os investigadores, a estrutura era organizada, hierarquizada e dividida por funções, garantindo o funcionamento das organizações criminosas.>
Durante o cumprimento dos mandados, policiais apreenderam celulares, notebooks e diversos documentos que serão analisados para identificar outros possíveis envolvidos no esquema. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados, até o limite de R$ 10 milhões, além da indisponibilidade de veículos, imóveis, embarcações e aeronaves.>
De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), os elementos reunidos mostram que as facções mantinham um sofisticado sistema de comunicação clandestina, permitindo que lideranças presas continuassem exercendo influência direta sobre as atividades criminosas desenvolvidas fora dos presídios.>
A Operação Sintonia de Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc). Na Bahia, a ação foi realizada de forma integrada pelo Ministério Público da Bahia, pelas Secretarias da Segurança Pública (SSP) e de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), além da Polícia Civil, com participação de mais de 100 profissionais.>