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Carol Neves
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 10:37
O peixe-leão entrou no radar das autoridades ambientais de Porto Seguro há apenas três meses. A primeira ocorrência da espécie invasora no município foi confirmada em junho de 2026, no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora. Desde então, a presença do animal levou a cidade a adotar uma série de medidas para tentar impedir sua disseminação pelo litoral. O peixe é venenoso e oferece riscos (leia mais abaixo).>
Em cerca de um mês, quase 500 exemplares foram retirados do mar. O município também elaborou um Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão, publicado no Diário Oficial em 13 de agosto, com estratégias de monitoramento, captura, pesquisa e prevenção de acidentes.>
A avaliação da prefeitura é de que a invasão ainda se encontra em estágio inicial. Por isso, uma das prioridades é localizar e retirar rapidamente os animais, antes que a espécie consiga ampliar sua presença. Pescadores, mergulhadores e outros usuários do ambiente marinho participam dessa estratégia.>
Peixe-leão
Fora das áreas protegidas, a prefeitura também adotou um incentivo financeiro para estimular as capturas. Segundo a administração municipal, pescadores recebem R$ 10 por exemplar entregue. >
Depois de capturados, os peixes têm como destino prioritário o Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal do Sul da Bahia (Lecomar/UFSB). Os exemplares são utilizados em pesquisas que buscam entender fatores como distribuição, alimentação, reprodução e tamanho da população.>
O plano estabelece ainda que os animais retirados não podem ser devolvidos vivos ao ambiente. Outra possibilidade em análise é o aproveitamento do peixe-leão para consumo humano e sua eventual inserção em uma cadeia produtiva, desde que sejam cumpridos requisitos sanitários, ambientais e econômicos.>
Espécie pode produzir milhões de ovos>
Originário do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) se espalhou pelo Atlântico e encontrou condições favoráveis para sobreviver fora de seu habitat natural. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o animal não possui predador natural no Atlântico e apresenta elevada capacidade de reprodução.>
Uma única fêmea pode produzir até 2 milhões de ovos por ano, segundo o instituto. A espécie também é considerada um predador generalista e se alimenta de peixes e invertebrados nativos.>
Essa combinação pode provocar impactos nos ecossistemas onde o animal se estabelece. O próprio plano elaborado em Porto Seguro aponta riscos para a biodiversidade, o equilíbrio dos recifes e a atividade pesqueira, além de possíveis reflexos sobre o turismo.>
Espinhos venenosos oferecem risco>
A presença crescente do peixe-leão também exige cuidados por causa dos espinhos venenosos. Um exemplar adulto pode apresentar até 18 dessas estruturas, que representam risco principalmente para pescadores, mergulhadores e outras pessoas que tenham contato com o animal.>
Acidentes podem provocar dor intensa e náuseas e, em casos mais graves, convulsões. A orientação é evitar qualquer contato com o peixe e buscar atendimento médico caso ocorra uma perfuração pelos espinhos.>
Além das ações de captura e monitoramento, o plano de Porto Seguro prevê capacitação de pescadores e mergulhadores, campanhas de orientação e integração com a rede municipal de saúde para o atendimento de eventuais acidentes.>