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Thais Borges
Publicado em 8 de agosto de 2026 às 04:00
Com cerca de 30 milhões de gatos em lares brasileiros, a espécie vem ganhando espaço em uma velocidade superior à dos cães, impulsionada por fatores como urbanização, novos modelos familiares e a facilidade de adaptação dos gatos à vida em apartamentos. >
Celebrado neste sábado (8), o Dia Internacional do Gato chama atenção para um cenário que preocupa especialistas: apesar do aumento da população felina, muitos animais ainda não recebem acompanhamento veterinário periódico. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD), menos de 40% dos responsáveis levam seus gatos para consultas regulares.>
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Na maioria dos casos, os felinos chegam ao consultório apenas quando apresentam uma emergência ou quando uma doença já está em estágio avançado. Isso acontece porque, ao contrário de outras espécies, os gatos costumam esconder sinais de dor e desconforto como uma estratégia natural de sobrevivência.>
"Os gatos evoluíram para esconder sinais de dor e de doenças. É um instinto de sobrevivência herdado de seus ancestrais selvagens. Por isso, mesmo quando estão sofrendo, costumam não demonstrar de forma evidente. Os sinais existem, mas são sutis: uma mudança no comportamento, no modo de se mover, na forma de usar a caixinha de areia ou de interagir com a família. Quando esses sinais finalmente chamam a atenção, muitas vezes a doença já percorreu um caminho longo em silêncio”, explica a coordenadora de serviços técnicos de Animais de Companhia da Zoetis, Alessandra Novak Bentes.>
Segundo especialistas, alterações no comportamento costumam surgir antes dos sinais físicos mais evidentes, e a observação dos tutores tem papel fundamental nesse processo. Mudanças como redução da atividade, dificuldade para subir em locais antes acessíveis, isolamento, alteração na rotina de higiene, menor ingestão de água ou uso inadequado da caixa de areia podem indicar que algo não está bem.>
O excesso de peso também exige atenção, já que pode aumentar o risco de doenças como diabetes e problemas articulares. Além disso, o sobrepeso pode prejudicar a movimentação e a capacidade de o próprio gato realizar sua higiene. No dia a dia, esses sinais muitas vezes são confundidos com preguiça, envelhecimento ou características naturais da espécie, atrasando a busca por atendimento veterinário.>
Outro desafio enfrentado pelos responsáveis é o transporte até a clínica. O medo de causar estresse no animal durante o deslocamento e a consulta faz com que muitos adiem as visitas preventivas, diminuindo as chances de detectar doenças ainda no início.>
Sensíveis a mudanças de ambiente, sons, cheiros e manipulação, muitos gatos podem ficar assustados, tentar se esconder ou apresentar reações intensas durante o atendimento. Esse estado de alerta pode dificultar a avaliação clínica, esconder sinais importantes e tornar procedimentos mais complexos para o animal e para o responsável.>
Diante desse cenário, cresce uma nova abordagem na medicina veterinária: o atendimento adaptado às necessidades dos felinos. As chamadas clínicas amigáveis aos gatos adotam práticas baseadas no comportamento da espécie, com mudanças no ambiente, treinamento das equipes e estratégias para reduzir medo e ansiedade durante todas as etapas da consulta.>
"As dificuldades encontradas na ida ao consultório veterinário acabam afastando muitos responsáveis das visitas regulares, justamente quando o foco deveria ser a prevenção e o acompanhamento contínuo. Por isso, é essencial adotar práticas voltadas ao conforto do gato como padrão de atendimento. Quando adaptamos a consulta às necessidades da espécie, favorecemos diagnósticos mais precoces, fortalecemos a cultura de prevenção e transformamos a experiência do animal e do responsável”, completa a médica-veterinária.>