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'Mounjaro pet' ainda vai demorar: veterinária explica como combater a obesidade em cães e gatos

Medicamentos análogos de GLP-1 ainda estão em estudo para animais; cerca de 41% dos pets têm sobrepeso ou obesidade

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 13:50

A obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento do disco de hérnia em pets (Imagem: Masarik | Shutterstock)
“Mounjaro pet” ainda vai demorar: veterinária explica como combater a obesidade em cães e gatos Crédito: Imagem: Masarik | Shutterstock

Fofinho ou doente? O excesso de peso dos animais de estimação vai muito além da estética e tem preocupado especialistas. Cerca de 41% dos pets apresentam sobrepeso ou obesidade, segundo estudo apresentado pela veterinária endocrinologista Marcia Jericó durante o Congresso PET VET ANMV.

A especialista falou sobre o tema no evento, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, e destacou que o risco de desenvolver diabetes é quatro vezes maior entre pets que permanecem obesos por mais tempo ao longo da vida.

1. Invista em brinquedos interativos. por Reprodução | Instagram

Mudanças de comportamento podem ser os primeiros sinais de que o excesso de peso já está provocando consequências. O animal pode ficar mais quieto, apresentar dificuldade para se locomover ou até começar a mancar. Com a evolução do quadro, também podem surgir alterações respiratórias, como falta de fôlego e respiração ruidosa.

A especialista alerta ainda que, com o tempo, cães podem desenvolver alterações nos níveis de colesterol e triglicérides, gordura no fígado, problemas na vesícula e diabetes. Entre os gatos, a diabetes é uma das condições que podem surgir com maior facilidade.

Para prevenir o excesso de peso, as principais recomendações da veterinária são garantir que os animais tenham gasto de energia e oferecer uma alimentação saudável, com rações de boa qualidade e na quantidade indicada pelo profissional que acompanha o pet ou pelo rótulo da embalagem. Outro ponto importante é evitar ceder aos pedidos do animal por comida. “O petisco não pode ultrapassar 10% da ingestão diária de alimentos. Existem muitos cães e gatos que são insaciáveis e nessa hora é o tutor que precisa fechar os olhos, blindar o coração e não ceder”.

Para Márcia, suplementos emagrecedores podem ser utilizados de forma saudável quando administrados em doses terapêuticas prescritas por um profissional. No entanto, ela ressalta que esses produtos não promovem saciedade e que o gasto metabólico proporcionado é inferior ao obtido por meio da atividade física.

Já os medicamentos emagrecedores para animais, análogos de GLP-1, apresentam boas perspectivas, mas ainda devem levar algum tempo para chegar ao mercado como uma opção consolidada. “Hoje, cães e gatos ainda reagem muito mal às doses estudadas e aos princípios ativos usados em humanos. Existe um longo caminho a percorrer. A gente vai ter isso como uma ferramenta, mas em que dose, com que frequência, qual modelo, ainda não sabemos. Agora, o risco é maior do que o benefício”.

Enriquecimento ambiental

Enquanto os medicamentos ainda estão em fase de estudos, os tutores podem recorrer ao enriquecimento ambiental como aliado no controle do peso. A estratégia, além de estimular e entreter o animal, transforma a alimentação ou a brincadeira em uma atividade que envolve ações como farejar, lamber, mastigar, procurar e se movimentar.

A ferramenta ajuda cães e gatos a permanecerem ativos por mais tempo e a participarem do processo de obtenção do alimento. Comedouros lentos e brinquedos recheáveis, por exemplo, podem aumentar significativamente o tempo da refeição e evitar que o animal consuma a porção em poucos minutos, o que também pode contribuir para uma digestão mais adequada.

Daniella Silene é gerente de vendas do Grupo Mor, representante de marcas de alimentos e acessórios para pets. A empresa participa da PET South America 2026, principal encontro da indústria do setor na América Latina. Durante o evento, ela explicou que a proposta é substituir o hábito de ‘comer parado no pote’ por uma alimentação que estimule o animal a se movimentar. “O enriquecimento ambiental faz com que o animal tenha que trabalhar para conseguir a própria alimentação. Em vez de comer em duas ou três lambidas, ele passa mais tempo lambendo, farejando, mordendo, se movimentando e usando a parte cognitiva. Isso faz com que ele se alimente mais devagar, o que pode ajudar na prevenção e no controle da obesidade”.

Além da alimentação, o enriquecimento ambiental por meio de brinquedos também pode contribuir para o gasto de energia. Os arremessadores, por exemplo, são uma alternativa para estimular a atividade física. “O importante é fazer com que o cachorro se exercite de diversas formas. Com as bolas e os dispositivos de arremesso, ele percorre uma longa distância, vai e volta, se cansa e, com isso, é mais fácil manter o controle do peso”, acrescenta o gerente de exportação do grupo, André Santos.

Tags:

Pets