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Brenda Viana
Publicado em 12 de janeiro de 2024 às 06:00
Os senhores Dodô & Osmar já diziam que o baiano tem o sagrado e o profano na veia, seja nas ruas do Carnaval, ou em festas populares. Há quem vai para a caminhada do Senhor do Bonfim para agradecer pelos pedidos alcançados, mas também tem aqueles que encaram mais de 8km apenas pelo fato de estar na "bagaceira", tomando a loira gelada. >
Na parte profana do sagrado da segunda quinta-feira de 2024, a cerveja ficou entre as bebidas mais apreciadas e desejadas dos baianos e turistas, que encararam o sol tomando o álcool mais consumido no país inteiro. >
O comerciante André Afonso, de 46 anos, se reúne há mais de 15 anos com os amigos e vizinhos do bairro do Imbuí, em Salvador, para curtir a festa regada a encontros, risadas, e claro, a tão presente cerveja gelada, que é elogiada por ele: "Eu, sinceramente, prefiro a parte do profano, da cachaça, que venho só para estar na galera". >
Ele comenta que são 15 pessoas que se encontram para fazer a corrida da igreja da Conceição da Praia até a Basílica do Senhor do Bonfim todos os anos a partir das 6h da manhã, chegando na CBx às 7h40. Desde então, a cerveja toma conta de cada mão, com um leve intervalo para ingerir água. >
Outro integrante do grupo, Vinícius Santos, também reforçou a importância da parte profana após a fé na igreja: "A melhor parte é encontrar todo mundo, já que ninguém tem como se encontrar direto, e não temos horário para voltar para casa. É sem relógio mesmo", disse o servidor público, que comenta que a cerveja é tradição e raiz das festas populares de Salvador. >
Enquanto o grupo da corrida não tinha pretensão de voltar cedo, dona Euvânia Reis Barros, de 60 anos, estava só esperando os parentes retornarem da Basílica para voltar para casa após enfrentar, pela primeira vez, a festa católica. A manicure, que foi para agradecer por ter se curado da covid-19 após ficar entubada durante um mês, estava na cadeira de rodas, mas não deixou o copo de cerveja cair, muito menos ficar vazio. >
A 'hidratação' com a 'loirinha gelada' estava sendo reforçada pela amiga, Gildete Maria Santos, que brincou que tem problema de saúde e não bebia tanto: "Eu não bebo, não. Tenho problema de saúde, aqui é só para brindar com uma caixa, duas caixas, apenas para refrescar mesmo, tudo ótimo". >
Bem próximo dali, Rafael Santana chegava com um carrinho de música, intitulado de "Mini trio baiano", que só tocava os clássicos do axé music. Questionado sobre a criatividade, o rapaz contou que todo mundo o seguia segurando os coolers, bebendo, e decidiu colocar em prática o "pequeno caminhão". >
"Todo ano eu faço desde a Conceição da Praia até o final do trajeto. Eu saio da Boca do Rio, estou aqui desde às 5h da manhã, já colocando o povo para dançar, suar, enquanto bebem ainda mais nesse calor", comentou o empresário sendo levado pelo público. >
Tinha cervejas de todos os valores e combos. Algumas sendo vendidas três por R$ 25, outras a unidade saindo por R$ 5, e até bebida que é mais cara, como a Colorado, que, em supermercados de Salvador, pode custar até R$ 15. Mas a bebida mais consumida, sem dúvida, foi a água, que estava sendo comercializada no início do trajeto por R$ 2 a unidade, aumentando até para R$ 8 já no Bonfim. >
O comerciante Reinaldo Matos nem conseguiu dar entrevista direito devido à grande procura de cerveja no pequeno isopor em frente ao Colégio da Polícia Militar, no Dendezeiros. "Não paga muita coisa, mas já ajuda nas contas de casa desse mês", disse ele 'despachando' duas turistas. >