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A 100 dias das eleições, conheça o grupo criado para monitorar violência contra jornalistas

Missão é monitorar ações violentas contra profissionais da imprensa durante a campanha, identificar padrões de ataques e propor medidas de proteção

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 26 de junho de 2026 às 21:00

Fiscais se misturam às multidões para vigiar quem faz boca de urna no dia das eleições
Fiscais se misturam às multidões para vigiar quem faz boca de urna no dia das eleições Crédito: Paula Fróes/CORREIO

A contagem regressiva para as eleições gerais de 2026 chegou à marca de 100 dias nesta sexta-feira (26). Às vésperas desse marco, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) formalizou o Grupo de Trabalho (GT) Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, que terá a missão de monitorar casos de violência contra profissionais da imprensa durante a campanha, identificar padrões de ataques e propor medidas para reforçar a liberdade de imprensa e a proteção dos comunicadores.

A primeira reunião do grupo foi realizada na quarta-feira (24), na Secretaria Nacional de Justiça (Senajus). A iniciativa surge em um momento em que especialistas alertam para o aumento de ataques a jornalistas em períodos eleitorais, marcados por episódios de intimidação, campanhas de desinformação, assédio nas redes sociais, agressões físicas e verbais e até o chamado assédio judicial, quando processos são usados para constranger o exercício da atividade jornalística.

Patrícia Campos Mello (Folha de S.Paulo): Alvo de uma intensa campanha de ataques virtuais e de desinformação após reportagens sobre disparos em massa de mensagens financiados por empresários aliados de Jair Bolsonaro na eleição de 2018. Também foi alvo de ofensas públicas e de ações judiciais, tornando-se um dos casos mais emblemáticos de assédio contra jornalistas no Brasil. por Reprodução

Criado em 2023, o Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais monitora casos de violência contra profissionais da comunicação, apoia investigações, reúne dados sobre o tema e propõe políticas públicas voltadas à proteção da categoria. O novo grupo de trabalho terá foco específico nas eleições de 2026.

Entre as atribuições do GT estão o mapeamento dos principais padrões de violência registrados durante a campanha, a sistematização de informações sobre os casos, a articulação entre diferentes instituições e a elaboração de recomendações para prevenir e responder às ocorrências.

Segundo a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, proteger jornalistas é também proteger o processo democrático. "Proteger jornalistas e comunicadores é proteger a democracia. Toda tentativa de intimidar quem informa é também uma tentativa de limitar o direito da sociedade de saber, debater e escolher livremente", afirmou.

Ela acrescentou que o período eleitoral exige atenção especial das instituições. "É quando a atividade jornalística exerce papel fundamental para a democracia. Nosso objetivo é fortalecer os mecanismos de prevenção, acompanhamento e resposta aos casos de violência."

O grupo reúne representantes do Governo Federal e da sociedade civil, além de instituições convidadas, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério Público Federal (MPF) e organizações que atuam na defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos.

Como denunciar

Jornalistas e comunicadores que sofrerem violência no exercício da profissão podem registrar denúncias por meio da plataforma Fala.Br, canal oficial do Governo Federal. O sistema permite anexar documentos, fotos, vídeos e outros elementos que auxiliem na apuração dos fatos. Após o envio, é gerado um número de protocolo para acompanhamento da manifestação.

Tags:

Jornalista Eleição Violência Eleições 2026