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'Abaixa a saia': advogada denuncia constrangimento ao entrar em Tribunal de Justiça

Abordagem teria ocorrido antes de uma sustentação oral; tribunal informou que apura o episódio e que equipes de segurança receberão nova orientação

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 4 de outubro de 2026 às 07:43

'Abaixa a saia': advogada denuncia constrangimento ao entrar no Tribunal de Justiça
'Abaixa a saia': advogada denuncia constrangimento ao entrar em Tribunal de Justiça Crédito: Reprodução

A advogada Anabel Pitaluga, que iria fazer uma sustentação oral no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), em Goiânia, afirma ter sido constrangida na entrada do prédio por causa da roupa que usava. Ela contou, em entrevista ao g1 Goiás, que uma segurança pediu a uma colega que a acompanhava para que ela “abaixasse a saia” antes de seguir para a sessão. Segundo o relato da advogada, o episódio aconteceu na tarde de terça-feira (29). Ela estava ao telefone naquele momento e, por isso, a orientação teria sido dada diretamente à colega. “Pede para ela abaixar a saia, porque está curto e é proibido entrar assim”, teria dito a segurança.

Anabel afirmou que ficou surpresa com a abordagem e precisou se recompor antes de seguir para o compromisso profissional. O nome da segurança não foi divulgado. Segundo Anabel, ela usava um conjunto verde e considera que a saia estava cerca de dois dedos acima do joelho. A advogada afirmou ainda que o tecido era mais firme e não ficava subindo ou descendo durante os movimentos.

Ela contou que chegou atrasada ao tribunal e estava resolvendo uma questão profissional pelo telefone. Acompanhada da também advogada Gabriela Fernandes, passou pela recepção, apresentou a identificação e recebeu um adesivo da OAB para colocar na roupa. Foi quando as duas se dirigiram à catraca que, segundo Anabel, ocorreu a abordagem. “A Gabriela olhou para ela, claramente surpresa. Eu também fiquei sem entender o que estava acontecendo. E a segurança repetiu: ‘Pede para ela abaixar a saia, está curta’”, relembrou.

A advogada disse que, naquele momento, olhou para a própria roupa e segurou a barra da saia. “Fiquei muito constrangida e, ao mesmo tempo, indignada, porque eu não considerava, e continuo não considerando, que aquela roupa ofendesse o decoro exigido no ambiente forense”, afirmou. Apesar do episódio, Anabel seguiu para o compromisso. Ela disse que preferiu não se concentrar na situação naquele momento porque precisava fazer a sustentação oral. “Eu precisava me recompor, porque estava ali para exercer o meu trabalho e defender a minha cliente”, afirmou.

Caso repercutiu nas redes sociais

Depois de terminar os compromissos no tribunal, Anabel decidiu falar sobre o episódio nas redes sociais. A publicação provocou manifestações de apoio e também críticas, segundo ela. “O que tem me surpreendido muito desde então é a quantidade de manifestações que recebi, tanto de apoio quanto de críticas. E algumas críticas vieram, inclusive, de mulheres e de mulheres advogadas”, contou.

A advogada também questionou quais critérios devem ser utilizados para definir a roupa adequada para profissionais que atuam no Judiciário. Para Anabel, caso exista uma regra específica sobre vestimenta, ela precisa ser conhecida pelos profissionais e aplicada com critérios objetivos. Ela também defendeu que a avaliação sobre o traje não fique sujeita à interpretação individual de quem trabalha no controle de acesso.

O que dizem TJ-GO e OAB-GO

O TJ-GO informou que tomou conhecimento do relato e que o Gabinete Militar, responsável pelo controle de acesso ao tribunal, está apurando as circunstâncias do episódio. O tribunal também afirmou que as equipes de recepção e segurança receberão nova orientação sobre a norma de acesso.

Em nota, a OAB-GO disse acompanhar o caso e prestar apoio à advogada. A entidade afirmou ainda que mantém diálogo com a direção do TJ-GO para aperfeiçoar os procedimentos adotados na entrada do tribunal. A Ordem também destacou que considera o livre acesso de advogados e advogadas às dependências judiciais uma garantia do exercício profissional e afirmou que acompanha a forma como profissionais da advocacia são abordados nos prédios do Judiciário.