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Advogada é orientada a ‘abaixar a saia’ ao entrar em Tribunal de Justiça: ‘Fiquei sem entender o que estava acontecendo’

Anabel Pitaluga afirmou que se sentiu constrangida ao ser abordada antes de fazer uma sustentação oral; TJ-GO apura o episódio

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 3 de outubro de 2026 às 17:58

Advogada relatou constrangimento
Advogada relatou constrangimento Crédito: Reprodução

A advogada Anabel Pitaluga relatou ter vivido um momento altamente constrangedor ao tentar entrar no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), em Goiânia. Ela afirma que foi orientada a “abaixar a saia” por uma segurança do local, que  teria considerado a peça curta demais para o ambiente e afirmado que seria proibido entrar daquela forma.

O episódio aconteceu na tarde de terça-feira (29), quando Anabel se dirigia à 5ª Câmara Cível para realizar uma sustentação oral. “Pede para ela abaixar a saia, porque está curto e é proibido entrar assim”, teria dito a segurança a Gabriela Fernandes, advogada que acompanhava Anabel.

Advogada relatou constrangimento por Reprodução

Segundo Anabel, a orientação foi inicialmente direcionada à colega porque ela estava ao telefone resolvendo uma questão profissional.

Anabel contou que vestia um conjunto verde e afirmou que a saia ficava, no máximo, dois dedos acima do joelho. “Era uma saia de, no máximo, dois dedos acima do joelho, confeccionada em um tecido mais firme, que praticamente não se movimenta para cima ou para baixo”, afirmou.

Antes da abordagem, a advogada havia passado pela recepção, se identificado e recebido um adesivo da OAB, colocado na blusa. Ao se aproximar da catraca, ela e a colega foram abordadas. “A Gabriela olhou para ela, claramente surpresa. Eu também fiquei sem entender o que estava acontecendo. E a segurança repetiu: ‘Pede para ela abaixar a saia, está curta’”, relatou. 

Anabel disse que chegou a segurar a barra da própria saia após ouvir a orientação. “Naquele momento, fiquei muito constrangida e, ao mesmo tempo, indignada, porque eu não considerava, e continuo não considerando, que aquela roupa ofendesse o decoro exigido no ambiente forense”, declarou.

Apesar do episódio, ela seguiu para o compromisso profissional. Segundo a advogada, naquele momento, a prioridade foi se recompor para realizar a sustentação oral e defender a cliente.

Caso repercutiu nas redes sociais

Depois de terminar os compromissos do dia, Anabel decidiu relatar o episódio nas redes sociais. A publicação provocou manifestações de apoio e também críticas. “O que tem me surpreendido muito desde então é a quantidade de manifestações que recebi, tanto de apoio quanto de críticas. E algumas críticas vieram, inclusive, de mulheres e de mulheres advogadas”, contou.

Para Anabel, eventuais regras sobre a vestimenta dos profissionais precisam ter critérios claros e não podem depender da avaliação subjetiva de quem controla o acesso ao tribunal.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Goiás informou que tomou conhecimento do relato e que o Gabinete Militar, responsável pelo controle de acesso, está apurando as circunstâncias do episódio.

O TJ-GO acrescentou que as equipes responsáveis pela recepção e segurança receberão uma nova orientação sobre a norma e afirmou estar à disposição da advogada e da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO).

A OAB-GO informou que acompanha o caso e prestou apoio à advogada. A entidade destacou que cabe à própria Ordem disciplinar a indumentária da advocacia e afirmou manter diálogo com a direção do tribunal para aprimorar os procedimentos de acesso e evitar constrangimentos aos profissionais.