Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Perla Ribeiro
Publicado em 5 de setembro de 2026 às 10:55
Um homem apontado pela Polícia Civil do Espírito Santo como chefe do tráfico de drogas na Serra, na Grande Vitória, foi preso em um apartamento de luxo que pertence ao jogador David Corrêa, conhecido como “DVD”, do Vasco. Édson Vander da Silva Júnior, 32 anos, foi capturado em agosto de 2024, em Vila Velha, mas detalhes da investigação foram divulgados após a deflagração da Operação “A Tropa”, na segunda-feira (31). >
Segundo a polícia, Édson era empresário e gestor da carreira e das finanças do jogador ao mesmo tempo em que comandava o tráfico no bairro Serra Dourada 3. Ele foi preso inicialmente por suspeita de envolvimento em uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024. A investigação aponta que o suspeito teria assumido o controle do tráfico na região junto com Ruan de Freitas Camargo Cruz, de 27 anos, após o assassinato do antigo chefe do local, conhecido como “Leleto”.>
Suspeito teria ordenado tentativa de homicídio>
A investigação que levou à prisão de Édson começou a partir de uma tentativa de homicídio ocorrida em 15 de março de 2024, no bairro Novo Porto Canoa. Segundo a Polícia Civil, um jovem próximo a Édson e Ruan foi sequestrado porque o grupo suspeitava que ele estaria repassando informações sobre as atividades do tráfico para uma facção rival.>
A vítima foi colocada em um carro clonado e levada para outro bairro. Édson teria planejado e ordenado a ação, enquanto Ruan acompanhava a execução no banco do passageiro. Outro suspeito dirigia o veículo e um adolescente estava no banco traseiro para vigiar o jovem.>
Quando o grupo parou para conversar, a vítima aproveitou a distração e tentou fugir. Ela foi baleada durante a fuga e caiu no chão. Um dos criminosos teria se aproximado e feito outro disparo contra suas costas. Mesmo ferido, o jovem conseguiu sobreviver ao fingir que estava morto. Depois, colaborou com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra e prestou depoimentos que ajudaram os investigadores a identificar os envolvidos.>
Apartamento de jogador do Vasco>
Édson foi preso em 20 de agosto de 2024, em um apartamento de luxo em Vila Velha que, segundo a investigação, pertence ao jogador David Corrêa. Na mesma operação, Ruan também foi preso. De acordo com a polícia, os dois teriam coordenado atividades como compra de drogas, distribuição de tarefas, aquisição de armas e munições e movimentações financeiras por meio de Pix. O vínculo entre Édson e o jogador chamou a atenção dos investigadores porque o suspeito, além de apontado como líder do tráfico, administrava a carreira e a vida financeira do atleta.>
Celular revelou conversas com o jogador>
Após a apreensão do celular de Édson, autorizada pela Justiça, investigadores encontraram conversas diretas entre ele e David Corrêa. Segundo a Polícia Civil, três diálogos passaram a integrar a investigação. Em um deles, após a tentativa de homicídio contra o jovem, Édson teria informado ao jogador sobre o estado de saúde da vítima. A resposta atribuída a David foi: “Ele mereceu tomar uns tiros mesmo”.>
Em outra conversa, Édson teria enviado ao atleta uma fotografia de uma pistola. Segundo a investigação, David respondeu: “Tem que matar um para ver de qual é”. Também foram identificadas mensagens relacionadas ao veículo usado na tentativa de homicídio. Três dias depois do crime, Édson teria encaminhado a David um áudio no qual Ruan pedia dinheiro para substituir o carro utilizado na ação. As mensagens são tratadas pela polícia como elementos que indicariam possível conivência do jogador com integrantes do grupo e eventual financiamento da estrutura criminosa. As investigações, porém, seguem sob sigilo.>
Operação cumpriu mandados em quatro estados>
As descobertas feitas a partir do celular de Édson levaram ao compartilhamento das informações com o setor de inteligência da Polícia Civil do Espírito Santo. O trabalho resultou na Operação “A Tropa”, deflagrada na segunda-feira (31). Cerca de 120 policiais civis participaram da ação, que cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão temporária simultaneamente no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal. As investigações continuam sob sigilo, e a Polícia Civil informou que outros detalhes não foram divulgados.>