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Chefe da polícia e ex-estagiário do MP são presos por extorquir traficantes por proteção em investigações

Grupo é investigado por repassar informações confidenciais

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 9 de junho de 2026 às 10:01

Operação prende ex-estagiário do MP de SP, chefe de investigadores e ex-policial civil suspeitos de serem infiltrados do PCC
Operação prende ex-estagiário do MP de SP, chefe de investigadores e ex-policial civil suspeitos de serem infiltrados do PCC Crédito: Polícia Civil

Um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo foram presos nesta terça-feira (9) durante uma operação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em instituições públicas. Segundo as investigações, os suspeitos teriam atuado para beneficiar integrantes da facção criminosa e estariam ligados a um plano para assassinar um promotor de Justiça.

A ação foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e cumpriu três mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista. Um policial penal também foi alvo das medidas judiciais.

De acordo com os investigadores, o grupo utilizava informações sigilosas para favorecer criminosos investigados e extorquir dinheiro em troca de suposta proteção contra operações policiais e ações do Ministério Público.

O principal elo do esquema seria um ex-estagiário do MP, atualmente advogado. Conforme a apuração, ele teria acessado bancos de dados internos da instituição para identificar alvos de investigações e, posteriormente, oferecer vantagens ilícitas mediante pagamento.

Polícia Civil por Divulgação Ascom/PC-BA

A investigação aponta que ele contava com o apoio do ex-policial civil e de um policial penal. Já o chefe de investigadores preso é suspeito de repassar informações privilegiadas a criminosos em troca de dinheiro.

Segundo o Ministério Público, o policial atuava na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas durante apurações relacionadas a um suposto plano para matar um integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), além de investigações sobre lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas.

Os investigadores também apuram se integrantes da facção chegaram a efetuar pagamentos pelas informações obtidas de forma ilegal. A operação desta terça-feira busca reunir novas provas para esclarecer a extensão do esquema e identificar outros possíveis envolvidos.

O ex-estagiário deixou a promotoria onde atuava poucas semanas após operações que investigavam integrantes do PCC e passou a trabalhar em um escritório de advocacia na região de Campinas. O endereço profissional dele também foi alvo de buscas.

Por envolver agentes da Polícia Civil e da Polícia Penal, a operação contou com a participação das corregedorias das duas corporações. A Comissão de Prerrogativas da OAB também acompanhou diligências realizadas em escritório de advocacia.

Em nota, o Ministério Público afirmou que "todos os fatos estão sob apuração no Gaeco e o apoio das Polícias Militar, Civil e Penal demonstra que as instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros, garantindo que a sociedade sempre tenha à disposição um serviço público eficiente, contínuo e transparente".

As investigações seguem em andamento para apurar a atuação dos suspeitos e eventuais conexões entre agentes públicos e integrantes da facção criminosa.