Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Cidade na tríplice fronteira com apenas 1 habitante por km² é a pior para se morar no Brasil, diz ranking

Apontado como o pior do país, município é o mais indígena do país proporcionalmente

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 24 de maio de 2026 às 09:36

Uiramutã
Uiramutã Crédito: Divulgação

Uiramutã, no extremo norte de Roraima, foi apontada como a cidade com pior qualidade de vida do Brasil no Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). O município recebeu nota 42,44 em uma escala de 0 a 100, ficando na última colocação entre os 5.570 municípios avaliados.

O levantamento utiliza 57 indicadores públicos para medir áreas como saneamento básico, moradia, saúde, segurança, educação e meio ambiente. A média nacional registrada foi de 63,40. Entre as 20 cidades com pior desempenho, 11 estão no Pará, reforçando a concentração dos menores índices na Amazônia Legal.

Além da posição negativa no ranking, Uiramutã chama atenção por características únicas. O município fica na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, a cerca de 280 quilômetros de Boa Vista. O acesso é considerado difícil e grande parte do trajeto é feita por estradas de terra. De carro, a viagem pode durar até 12 horas.

10º Ibiassucê por Reprodução

A cidade também é conhecida por abrigar o Monte Caburaí, ponto mais ao norte do Brasil, e parte do Monte Roraima, um dos cenários naturais mais conhecidos do país.

Com território superior a 8 mil km², Uiramutã tinha 13.751 habitantes no Censo 2022 do IBGE. A densidade demográfica é uma das menores do Brasil, com cerca de 1,69 morador por quilômetro quadrado.

O município ainda carrega outro dado simbólico: proporcionalmente, é a cidade mais indígena do país. Segundo o IBGE, 13.283 moradores — o equivalente a 96,6% da população — se autodeclaram indígenas.

Grande parte do território municipal está inserida na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, área que reúne comunidades indígenas e extensas regiões de preservação ambiental. Por causa da posição estratégica na fronteira, Uiramutã também abriga um pelotão especial do Exército Brasileiro.

Dificuldades enfrentadas

Os indicadores econômicos ajudam a explicar parte das dificuldades enfrentadas pela população. O município possui o menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil, com R$ 11.985,64, segundo dados de 2020 do IBGE. Além disso, 52,4% dos moradores sobrevivem com renda de até meio salário mínimo por pessoa.

Segundo o relatório do IPS, municípios com baixo desempenho costumam apresentar baixa densidade populacional, isolamento geográfico e distância dos grandes centros urbanos. O estudo também aponta que indicadores ambientais, como desmatamento e emissão de gases de efeito estufa, impactam negativamente cidades da Amazônia Legal.

Dados históricos mostram que as dificuldades socioeconômicas não são recentes. Uiramutã registrou a maior queda de IDH do Brasil entre 1991 e 2000, passando de 0,569 para 0,542. Já o IDH de renda caiu 23,23% no período, a maior redução do país.

Em nota, a prefeitura de Uiramutã afirmou que reconhece os desafios históricos e estruturais enfrentados pelo município, “especialmente por se tratar de uma das regiões mais isoladas do país”. A gestão informou que, desde 2021, construiu mais de 15 escolas, implantou postos de saúde e busca ampliar investimentos em saneamento, habitação e abastecimento de água.

“A gestão municipal entende que os índices apresentados refletem a necessidade de ampliação dos investimentos federais — incluindo a atuação da FUNAI — e estaduais, considerando que a maior parte do território municipal está localizada dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Esses investimentos são fundamentais para superar a carência histórica de infraestrutura básica, especialmente nas áreas de água, saneamento e habitação”, afirmou a prefeitura.

O governo de Roraima também comentou os resultados e informou que os dados do IPS são avaliados pela Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan) como “um importante instrumento de diagnóstico das desigualdades regionais e dos desafios históricos enfrentados pelos municípios mais isolados do Estado, especialmente Uiramutã, Alto Alegre e Amajari”.

Confira as 10 cidades com pior índice de qualidade de vida do Brasil, segundo o IPS 2026:

Uiramutã (RR) – 42,44

Jacareacanga (PA) – 44,32

Alto Alegre (RR) – 44,72

Portel (PA) – 45,42

Amajari (RR) – 45,58

Pacajá (PA) – 45,87

Anapu (PA) – 45,91

Japorã (MS) – 46,23

Santa Rosa do Purus (AC) – 46,70

Uruará (PA) – 46,80