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Perla Ribeiro
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 05:00
Dinheiro e abundância estão relacionados, mas não significam necessariamente a mesma coisa. Para os brasileiros, ter uma casa própria e um emprego estável estão entre os principais sinais de sucesso, mas fatores como sentir-se amado, preservar a saúde física e mental e manter boas relações familiares aparecem com mais força quando a pergunta é o que traz felicidade. >
Os dados fazem parte de duas pesquisas da Ipsos divulgadas em 2026 e ajudam a mostrar como a percepção de prosperidade vai além do patrimônio acumulado. Na pesquisa Life Aspirations 2026, realizada com mais de 22 mil pessoas em 30 países, 67% dos brasileiros disseram considerar a casa própria um sinal de sucesso, enquanto 66% associaram realização a ter um emprego estável. Ao mesmo tempo, o Ipsos Happiness Report 2026 mostrou que 80% dos brasileiros entrevistados se consideram felizes.>
8 situações em que o dinheiro volta a ser essencial
Dinheiro é importante, mas não aparece sozinho>
A situação financeira continua tendo peso importante na vida dos brasileiros. Segundo o levantamento de felicidade, 54% apontaram as finanças como um dos principais motivos de infelicidade. Saúde mental e bem-estar apareceram em seguida, citados por 37%. Quando a pergunta muda para o que contribui para a felicidade, porém, a ordem se altera. Sentir-se amado aparece em primeiro lugar, com 34% das respostas. Depois vêm saúde física e mental, com 31,4%, e relacionamento com a família e os filhos, com 29,4%.>
Para Elainne Ourives, psicanalista, pesquisadora e treinadora mental, os números mostram que o patrimônio não deve ser transformado na única medida de sucesso. “Dinheiro importa. Ele proporciona segurança, escolhas e conforto. Mas abundância não pode ser reduzida ao saldo de uma conta”. Segundo a especialista, uma pessoa pode alcançar uma situação financeira confortável e ainda sentir falta de tempo, relações saudáveis, tranquilidade ou propósito.>
Inadimplência mostra o peso da segurança financeira>
A importância do dinheiro também aparece nos indicadores de crédito. Em julho, a inadimplência nas operações com recursos livres chegou a 6,4% no Brasil, acima dos 6% registrados em junho e no maior nível da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2011, segundo os dados apresentados no material.>
No mesmo período, os juros cobrados pelas instituições financeiras nessas operações ficaram em 47,7% ao ano. Para Elainne, esses números mostram que não é possível tratar o dinheiro como algo secundário. “Não podemos romantizar a falta de dinheiro. Quando alguém não consegue pagar suas contas ou construir uma reserva, existe uma preocupação concreta”. A questão, segundo ela, é entender que a estabilidade financeira resolve uma dimensão importante da vida, mas não necessariamente todas as outras.>
Por que algumas conquistas nunca parecem suficientes?>
Outro ponto levantado pela especialista é a busca permanente pela próxima conquista. A pessoa aumenta a renda, alcança um cargo desejado ou compra um imóvel, mas rapidamente passa a considerar insuficiente aquilo que acabou de conquistar e direciona a atenção para uma nova meta. >
“Buscar crescimento é saudável. O problema aparece quando nenhuma conquista consegue ser reconhecida porque a referência está sempre no próximo resultado”. A comparação com outras pessoas também pode reforçar essa sensação. Renda, imóveis, cargos e viagens são facilmente percebidos e mensurados, enquanto autonomia, equilíbrio emocional, relações pessoais e satisfação com a rotina são aspectos menos visíveis.>
Dinheiro amplia escolhas, mas não garante felicidade>
Os levantamentos mostram que segurança financeira e felicidade não são conceitos opostos. A situação econômica tem impacto direto sobre o bem-estar, principalmente quando falta dinheiro para pagar contas ou lidar com imprevistos. Ao mesmo tempo, os brasileiros colocam vínculos pessoais e saúde entre os principais elementos associados à felicidade.>
Para Elainne, essa diferença ajuda a separar riqueza financeira de uma ideia mais ampla de abundância. “Dinheiro amplia possibilidades. Ele pode comprar conforto, permitir experiências, proteger diante de imprevistos e dar mais autonomia. Mas não decide sozinho se aquela vida é satisfatória”. A especialista defende que construir patrimônio e buscar crescimento profissional podem fazer parte de uma vida próspera, desde que as conquistas também sejam aproveitadas.>
Prosperidade também envolve aproveitar o que foi conquistado>
Ampliar o conceito de prosperidade não significa, portanto, diminuir a importância de ganhar dinheiro ou construir patrimônio. A ideia é considerar também tempo, liberdade de escolha, relações, saúde emocional e capacidade de desfrutar da própria vida.>
“Uma vida abundante não exige escolher entre dinheiro e felicidade. A questão é fazer o dinheiro ocupar o lugar que ele pode ocupar, como recurso para ampliar possibilidades, e não como única identidade de sucesso. Prosperidade financeira é importante. Conseguir viver aquilo que foi conquistado também”, conclui Elainne. A relação entre prosperidade, comportamento e dinheiro será discutida pela especialista no Cocriador Milionário, encontro previsto para os dias 11, 12 e 13 de setembro, em São Paulo.>