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Wendel de Novais
Publicado em 9 de junho de 2026 às 09:45
A decisão de não comprar farinha de trigo de um fornecedor imposto por criminosos terminou em morte para um comerciante na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, Rafael Oliveira Braga foi executado após se recusar a aderir a um esquema que obriga donos de estabelecimentos a adquirir produtos de empresas ligadas a milícias e facções. As informações são do Fantástico. >
O assassinato ocorreu em março do ano passado e é apontado pelos investigadores como um dos casos mais emblemáticos da violência utilizada por organizações criminosas para controlar setores da economia em áreas sob sua influência. De acordo com as investigações, Rafael foi morto em frente à própria padaria depois de rejeitar a compra de farinha de trigo de distribuidoras indicadas pelo grupo criminoso. Dois homens apontados como integrantes de uma milícia foram indiciados pelo homicídio.>
A apuração revelou que a imposição sobre os comerciantes vai além da simples escolha dos fornecedores. Proprietários de padarias ouvidos pela polícia afirmaram que perderam a autonomia para negociar preços e marcas, sendo obrigados a comprar produtos de empresas determinadas pelos criminosos.>
Os relatos apontam ainda que, em muitos casos, os estabelecimentos recebem quantidades superiores às solicitadas e são forçados a aceitar a mercadoria. Quem tenta descumprir as regras ou buscar alternativas enfrenta ameaças, intimidações e, em situações extremas, violência.>
Caso é investigado pela Polícia Civil
Segundo comerciantes, a prática também afeta diretamente os consumidores. Isso porque os produtos fornecidos pelos esquemas criminosos costumam ter preços mais elevados e qualidade inferior, elevando os custos de operação e impactando o valor final vendido ao público.>
Para a Polícia Civil, a morte de Rafael evidencia a expansão das atividades de milícias e facções para mercados considerados legais. As investigações apontam que a comercialização forçada de produtos se transformou em uma importante fonte de arrecadação para essas organizações.>
Além da farinha de trigo, os grupos criminosos são investigados por interferir na venda de água mineral, gás de cozinha, frango assado, hortifrúti e outros itens de consumo básico.>
Na última quarta-feira, agentes da Polícia Civil cumpriram 14 mandados de busca e apreensão em imóveis ligados às empresas investigadas. Em um dos depósitos fiscalizados, foram encontrados produtos com prazo de validade vencido, resultando na prisão em flagrante de um homem.>
Em outro endereço, os policiais identificaram condições inadequadas de armazenamento de alimentos, incluindo produtos mantidos próximos a fezes de animais.>
Segundo os investigadores, o dinheiro obtido com o controle desses mercados abastece o chamado caixa de guerra das organizações criminosas, utilizado para financiar a compra de armas, remunerar integrantes e fortalecer o domínio territorial exercido em diversas comunidades do estado.>