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Esposa de foragido pelo 8 de janeiro, mulher que sustenta os seis filhos sozinha tem bens bloqueados pelo STF

Caminhoneiro condenado a 14 anos deixou o país e a família em 2024

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 10:09

Mãe diz que cria os 6 filhos sozinha
Mãe diz que cria os 6 filhos sozinha Crédito: Reprodução

Vanessa Rolim Vieira, moradora de Ji-Paraná, em Rondônia, afirma enfrentar dificuldades financeiras desde a prisão do marido, o caminhoneiro e empresário Ezequiel Ferreira Luis, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Foragido em outro país desde maio de 2024, ele é pai dos seis filhos dela.

A esposa pede à Justiça a liberação parcial dos bens bloqueados e, em um dos processos em análise no STF, solicitou autorização para licenciar os caminhões financiados pelo casal. A medida, segundo ela, permitiria que os veículos voltassem a trabalhar e gerassem renda para o pagamento das parcelas.

O julgamento virtual começou na sexta-feira (28) e está previsto para terminar no dia 4. Até agora, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Dias Toffoli acompanharam o relator Alexandre de Moraes e votaram contra o pedido.

Grupo invadiu Congresso, STF e Palácio do Planalto por Marcelo Camargo/Agência Brasil

Vanessa, que é funcionária pública estadual e está afastada por licença médica, diz que suas contas e o patrimônio da família foram atingidos pelas restrições impostas após a prisão do marido. “Até minha conta-salário segue bloqueada, e isso é absurdo”, afirmou à Gazeta do Povo.

A defesa dela sustenta que Vanessa não foi denunciada nem condenada e, por isso, não deveria sofrer os efeitos patrimoniais do processo criminal que envolve Ezequiel. Em nota, os advogados João Lucas Silva e Guilherme Gomes do Prado ressaltaram que ela “Não é ré”.

Segundo o pedido apresentado ao Supremo, a intenção não é liberar a venda ou transferência dos veículos, mas permitir o licenciamento para exploração da atividade de transporte. Vanessa relata que os caminhões, comprados como investimento da família, estão parados.

“Enfrentamos o caos financeiro, agravado com o impedimento do licenciamento dos caminhões que havíamos financiado. […] Os caminhões que adquirimos para conquistar um patrimônio para nossa família estão mofando e apodrecendo”, disse.

Os advogados afirmam que a inadimplência pode resultar na retomada dos veículos pelos bancos, prejudicando Vanessa e os seis filhos menores. A defesa também argumenta que a desvalorização dos bens atingiria eventual reparação financeira decorrente da condenação.

Marido foi preso no 8 de janeiro

Ezequiel foi preso dentro do Palácio do Planalto no 8 de Janeiro e permaneceu sete meses na Papuda, em Brasília. Ele foi condenado por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.

Após a condenação, deixou o país em maio de 2024, 21 dias depois do nascimento do filho mais novo. Vanessa afirma que ele mantém contato semanal por chamada de vídeo, mas não informa onde está. “O Ezequiel não se sente seguro e tem medo”, declarou. “Foi tirado tudo dele”.

A esposa relata que enfrenta sozinha a rotina com as crianças e o impacto da ausência do pai. “Sou a única adulta presente para cuidar de tudo: dos nossos seis filhos, da educação moral, espiritual e intelectual deles, da alimentação, da saúde de cada um, inclusive a minha”, afirmou.