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Estudante de Direito com 22 inquéritos por estelionato é preso fingindo ser juiz criminal

Selmo dos Santos Pereira apresentou documento falso

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 10:03

Selmo dos Santos Pereira
Selmo dos Santos Pereira Crédito: Reprodução/TV Globo

O estudante de Direito Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos, foi preso na noite de segunda-feira, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, após se apresentar como juiz criminal durante uma abordagem da Polícia Militar. A checagem da identidade revelou um mandado de prisão em aberto por estelionato.

O caso ocorreu por volta das 21h30, no Jardim do Mar. Policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano abordaram o motorista de um veículo que trafegava, segundo a ocorrência, acima da velocidade permitida para a via.

Na fiscalização, o homem entregou um documento em nome de Jarbas Luiz dos Santos, que apresentava sinais de adulteração, conforme a PM. Ele afirmou aos agentes ser juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André e professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Selmo apresentou RG falso por Reproduçaõ

A versão foi questionada ainda durante a abordagem. Uma mulher que passava pelo local reconheceu o motorista e, ao ser ouvida pelos policiais, informou que ele era estudante de Direito da instituição, não professor.

O homem foi levado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. A identificação por impressões digitais apontou que se tratava de Selmo dos Santos Pereira.

Enquanto ele era identificado, outra equipe da PM localizou em São Caetano do Sul o verdadeiro juiz cujo nome aparecia no documento. O magistrado compareceu à delegacia, confirmou sua identidade e relatou uma tentativa recente de compra de imóvel com uso de seu nome. A possível ligação entre os casos será investigada.

Segundo a ocorrência, a consulta aos sistemas apontou uma ordem de prisão contra Selmo relacionada a condenação por estelionato e crime eleitoral, com pena ainda pendente de cumprimento em regime fechado. O registro citado pelo g1 também indica que ele acumulava 78 processos e 34 inquéritos, sendo 22 por estelionato.

O caso foi registrado como uso de documento falso e recaptura de procurado. Selmo permaneceu preso e à disposição da Justiça.

Histórico

Em 2010, quando já estava preso por estelionato, Selmo tentou concorrer a deputado federal por São Paulo pelo então DEM. Na ocasião, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 91,65 milhões, um dos maiores entre os candidatos daquele pleito.

Segundo reportagem de O Globo publicada à época, o principal bem informado era uma instituição de ensino chamada Unilma, avaliada em R$ 80 milhões. Selmo se apresentava como “reitor fundador”, mas a entidade não tinha registro no Ministério da Educação. A candidatura foi contestada pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo e acabou impedida.