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Wendel de Novais
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 14:38
Preso após se apresentar como juiz criminal durante uma abordagem da Polícia Militar em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, o estudante de Direito Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos, já havia sido detido por estelionato e acumulava registros relacionados a suspeitas de golpes financeiros e drogas. Em 2010, quando tinha 37 anos, ele chegou a tentar disputar uma vaga de deputado federal enquanto estava preso e declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 91,65 milhões, segundo O Globo.>
Naquele ano, Selmo era candidato pelo então Democratas (DEM) e apresentou uma relação de bens que o colocava como o sexto candidato a deputado federal mais rico de São Paulo, segundo os dados eleitorais citados no caso. A declaração, porém, não correspondia aos registros encontrados em seu nome. A única empresa localizada pelas autoridades era uma transportadora, que nem sequer havia sido incluída na relação de patrimônio entregue à Justiça Eleitoral.>
Aluno de Direito foi preso se passando por juiz
A candidatura foi contestada pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, que pediu que Selmo fosse impedido de concorrer. Ele estava preso desde o início daquele ano, após ser condenado por estelionato, e acabou tendo a candidatura barrada. Agora, 16 anos depois, voltou a ser preso, desta vez após, segundo a Polícia Militar, utilizar um documento com sinais de adulteração e afirmar ser magistrado.>
A nova prisão ocorreu por volta das 21h30 de segunda-feira (31), na região do Jardim do Mar. Policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano abordaram o veículo conduzido por Selmo depois de constatarem que ele trafegava acima do limite de velocidade. Durante a fiscalização, o motorista apresentou um documento em nome de Jarbas Luiz dos Santos e disse ser juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André, além de professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.>
A versão apresentada aos policiais começou a ser desmontada depois que uma mulher que passava pelo local reconheceu Selmo e afirmou que ele era, na verdade, estudante de Direito da instituição. Ele foi levado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, enquanto outra equipe da PM seguiu até São Caetano do Sul e encontrou o verdadeiro juiz cujo nome teria sido utilizado. >
O magistrado compareceu à delegacia, confirmou sua identidade e contou que havia ocorrido uma tentativa de compra de um imóvel usando seu nome. Uma possível ligação entre os episódios ainda será investigada. Na delegacia, Selmo foi identificado por meio das impressões digitais. >
A consulta aos sistemas apontou ainda a existência de um mandado de prisão em aberto, relacionado a uma condenação por estelionato e crime eleitoral, com pena a cumprir em regime fechado. A ocorrência foi registrada como uso de documento falso e recaptura de procurado. Selmo permanece à disposição da Justiça.>