Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Da Redação
Publicado em 7 de abril de 2011 às 04:39
- Atualizado há 3 anos
A Defensoria Pública do Estado de São Paulo vai entrar com um pedido de indenização administrativa para que o governo estadual faça uma reparação pecuniária à família de um suspeito de furto que foi executado em março por dois policiais militares em um cemitério de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. O crime foi presenciado por uma mulher, que ligou para o 190 no momento da execução. Os dois policiais estão presos no presídio Romão Gomes, da Polícia Militar.>
Os pais de Dileone Lacerda de Aquino se reuniram por cerca de três horas com a defensora pública Daniela Skromov, da coordenadoria do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria. “O objetivo desta reunião é prestar uma assessoria aos familiares da vítima, já que eles não têm condições de constituir um advogado”, explicou.>
Segundo ela, o pedido de indenização administrativa, uma via extra judicial, “é uma forma mais rápida de obter uma reparação por danos morais e materiais” por parte do governo estadual. “Uma ação na Justiça pode se estender por até dez anos”, disse.>
A Defensoria entrou com um pedido de indenização em caso similar há cinco meses para que a família de uma das vítimas do grupo de extermínio conhecido como “highlanders”, por cortarem as cabeças e membros de suas vítimas, receba uma indenização pecuniária. Segundo a defensora, não é possível antecipar o montante da reparação e nem quanto tempo irá levar para o pleito ser atendido pelo governo. "A ideia é que esta indenização seja equivalente ao que seria em juízo.">
PrecedentesDe acordo com a defensora, o pedido de indenização extrajudicial está respaldado pela lei estadual 10.177, de 1998, e que já há, inclusive, precedentes. Por meio de decreto, o então governador Alberto Goldman autorizou o pagamento de indenização a famílias de vítimas de atos ilícitos de policiais militares – o primeiro em 30 de abril e o segundo, em 13 de maio de 2010.>
Antes dele, o governador José Serra já havia autorizado pagamento semelhante, em 21 de dezembro de 2007, a uma família de Bauru, no interior do estado, também por abuso policial.>
“Estamos começando a fazer estes pleitos primeiro porque já houve declarações governamentais reconhecendo o erro por parte dos policiais. Além disso, é função da Defensoria buscar as soluções extrajudiciais dos conflitos e, por último, porque já houve estes precedentes concedendo as indenizações por meio de decreto”, justificou.>
A Defensoria quer tornar o caso deste homem morto por policiais militares emblemático. "Para que as pessoas saíbam que contam com a Defensoria para apoiá-las em uma situação semelhante e para que tal violência não volte a acontecer. A gente tem de bater o pé na questão da legalidade, do estado democrático de direito. Não importa quem foi morto, não é uma questão pessoal. A polícia, que representa o Estado, não pode julgar, não pode tirar vidas", enfatizou.>
Prisão preventiva O juiz Márcio Ferraz Nunes, da 2ª Vara Judicial de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, decretou nesta quarta-feira a prisão preventiva dos dois policiais militares acusados de executar Dileone Lacerda de Aquino, no dia 12 de março. A prisão em flagrante foi relaxada pelo mesmo juiz em razão do vencimento de prazo entre a remessa do processo da vara judicial onde foi distribuído inicialmente e o seu recebimento pela Justiça de Ferraz. Entretanto, os PMs não chegaram a ser libertados. Os PMs permanecerão presos no Presídio Romão Gomes durante a instrução do processo ao qual respondem por homicídio duplamente qualificado - por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima.>
Nesta quarta, a promotora de Justiça Mariana Apparício de Freitas, que denunciou os PMs, requereu à Secretaria Estadual de Justiça e de Defesa da Cidadania a inclusão da testemunha no Programa Estadual de Proteção à Testemunha (Provita). As informações são do G1.>