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Flávio Dino afasta sobrinho de governador da presidência do TCE por risco de inferferência em investigação de homicídio

Ministro do STF apontou risco de que ele atrapalhe investigações sobre assassinato de empresário em São Luís

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 13:24

Daniel Itapary Brandão
Daniel Itapary Brandão Crédito: Divulgação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou nesta segunda-feira (17), por 180 dias, o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Itapary Brandão. Sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB), o conselheiro é investigado em um caso que envolve o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em São Luís, em 2022.

A medida foi tomada a pedido da Polícia Federal. Segundo Dino, há indícios de que a posição ocupada por Daniel no TCE-MA poderia ser usada para interferir na investigação e dificultar o esclarecimento do homicídio.

"Há, inclusive, fortes indícios de que o referido investigado tem se valido da relevante função pública de Conselheiro do TCE-MA para ocultar sua identidade nas investigações do crime de homicídio ocorrido no edifício Tech Office em 2022", afirmou o ministro.

Governador do Maranhão e o sobrinho Daniel por Divulgação

Além do afastamento, Daniel está proibido de acessar as instalações e os sistemas do TCE-MA, participar de eventos em razão do cargo e utilizar recursos do tribunal, como veículos, celulares, passagens aéreas e servidores. Também não poderá manter contato com Carlos Brandão e outros investigados pela PF.

Assassinato e suspeita de propina

João Bosco Sobrinho foi morto a tiros em agosto de 2022. Gilbson Cutrim Soares Júnior foi condenado em 2024 pela execução. Inicialmente, a Polícia Civil apontou um desentendimento pessoal como motivação, mas a investigação posterior passou a relacionar o crime a uma possível disputa envolvendo propinas e desvios de recursos públicos.

Imagens do local mostram Daniel Brandão em parte da reunião que antecedeu o assassinato. De acordo com a PF, essa presença não teria sido registrada na investigação inicial da Polícia Civil.

O caso chegou ao STJ em 2025 e, depois, foi encaminhado ao STF. Durante as apurações, a PF também identificou uma gravação na qual, segundo os investigadores, o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim teria oferecido "vantagens, dinheiro e casas" ao pai do condenado para "tirar o nome do Daniel [presidente do TCE-MA] e do pessoal da família Brandão" dos depoimentos.

O pai do executor afirmou ter recebido R$ 160 mil em dinheiro para silenciar o filho.

Dino afirmou que as investigações precisam avançar para esclarecer o eventual envolvimento de Daniel Brandão no homicídio e em suspeitas de desvios de recursos públicos.

Carlos Brandão nega irregularidades relacionadas ao caso.