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Gigante americana demite 100 funcionários pelo Whataspp após fechar fábrica no Brasil

Sindicato contesta os desligamentos e leva caso ao TRT em busca da reversão das demissões

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 10:39

Ato contra o fechamento da fábrica
Ato contra o fechamento da fábrica Crédito: Roosevelt Cássio/Divulgação

O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) realiza nesta terça-feira (18), às 11h, uma audiência para tentar um acordo entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a Parker Hannifin. A empresa fechou a fábrica de Jacareí, no interior de São Paulo, e demitiu todos os funcionários durante uma greve iniciada em 20 de julho, segundo denúncia do sindicato. A empresa nega irregularidades (lei mais abaixo).

Os trabalhadores receberam os avisos de desligamento por telegrama e também por WhatsApp, segundo o sindicato, que contesta as demissões e afirma que a medida é ilegal porque os funcionários estariam em greve. A Lei 7.783/89, que trata das greves, estabelece a suspensão do contrato de trabalho durante a paralisação.

Parker Hannifin por Arquivo/SindmetalSJC

A entidade acionou o TRT para tentar retomar as negociações com a empresa e preservar os empregos. Caso os desligamentos não sejam revertidos, o sindicato pede a transferência dos trabalhadores para a unidade de São José dos Campos ou para outras cidades de São Paulo.

Para quem não aceitar a transferência, a entidade reivindica uma indenização social maior que a oferecida pela Parker. No comunicado de demissão, a empresa propôs R$ 20 mil, valor que já havia sido rejeitado nas negociações.

A audiência será conduzida pelo desembargador Wilton Canicoba, vice-presidente judicial do TRT-15, com participação do Ministério Público do Trabalho.

Na quinta-feira (13), os trabalhadores fizeram uma assembleia em frente à matriz da Parker, em São José dos Campos. Durante o ato, os telegramas de demissão foram queimados.

“A queima dos telegramas representa a indignação dos trabalhadores diante de uma demissão em massa feita durante a greve. A Parker tentou forçar o encerramento da nossa luta, mas não conseguiu. A luta vai continuar”, afirmou a diretora do sindicato Fatima Silva.

O sindicato também organizou uma caravana para levar trabalhadores à audiência desta terça. Os ônibus saíram às 7h da subsede da entidade em Jacareí.

O que diz a empresa

Segundo a Parker, o fechamento da fábrica de Jacareí ocorreu após uma análise voltada à sustentabilidade das operações da empresa no Brasil. A companhia afirma que manteve negociações com representantes dos trabalhadores, mas que não houve acordo.

No comunicado enviado aos funcionários, a empresa informou que os contratos ligados à operação de Jacareí seriam encerrados. A Parker disse ainda que pagaria as verbas rescisórias previstas em lei, além de uma indenização adicional.

O pacote prevê cerca de R$ 20 mil para cada trabalhador, além da manutenção dos planos de saúde e odontológico e do vale-alimentação por seis meses.

Sobre o envio das demissões por WhatsApp, a empresa afirmou que utilizou o aplicativo para agilizar a comunicação com os funcionários diante da paralisação das atividades da fábrica e da falta de outros canais de contato com parte da equipe.