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Perla Ribeiro
Publicado em 18 de maio de 2026 às 17:33
Uma balconista de 57 anos, moradora de São João da Boa Vista, no estado de São Paulo, perdeu R$ 50 mil após cair no 'golpe do amor' e acreditar que estava se relacionando com o cantor britânico James Blunt. Ela informou à polícia que conheceu o golpista pela internet e conversou por um ano com o homem que se passava pelo cantor e compositor britânico de 52 anos. Com o pretexto de que havia se desentendido com o empresário e tido a conta bancária bloqueada, ele passou a pedir dinheiro. Blunt ficou mundialmente famoso em 2004 com o hit "You're Beatiful'. As informações são do G1.>
Em depoimento à polícia, a balconista contou que o golpista dizia que precisava pagar contas e que queria vir para o Brasil. O homem pediu dinheiro para a gasolina do carro, conserto de geladeira e para o pagamento do voo - alegando que tinha metade do valor e que ela só ajudaria com a outra parte. Totalizando todas as transferências, a vítima estima que sofreu um prejuízo de R$ 50 mil com o suposto cantor. O primeiro boletim foi registrado eletronicamente pela vítima, em fevereiro desse ano.>
Em uma das ocasiões, o homem afirmou que estava preso em São Paulo, fazendo com que a vítima encaminhasse R$ 400 para que ele pagasse um táxi até São João da Boa Vista. Em seguida, a balconista pediu para o homem devolver o valor para ela pagar um taxista para ir buscá-lo na capital paulista e levá-lo até a cidade dela, mas o golpista disse que não devolveria o dinheiro, o que fez com que a mulher desconfiasse da situação. "Agora estou desconfiando, eu acho que ele é um golpe do amor. Ele não é o James Blunt, todo esse tempo ele me enganou", disse ela no registro do BO.>
No começo deste mês, a balconista esteve na Delegacia Seccional de São João da Boa Vista para prestar depoimento sobre o golpe que sofreu. A mulher confirmou as denúncias registradas anteriormente no boletim eletrônico e contou que percebeu se tratar de um golpe ao realizar os pagamentos por PIX solicitados pelo homem e ele nunca chegar em São João da Boa Vista. A balconista explicou que solicitou fotos para o suposto cantor e em uma delas aparecia um táxi do Rio de Janeiro e em outra um da Bolívia.>
No registro on-line, a vítima alegou que tinha todos os comprovantes das transferências PIX enviadas ao golpista. Segundo ela, cada vez que ele pedia dinheiro enviava uma conta bancária no nome de uma pessoa diferente, alegando que estava com a dele bloqueada. De acordo com a vítima, o golpista, usando imagens do James Blunt, sempre estava com a barba feita e roupas limpas, mostrando incompatibilidade com a situação descrita por ele. Ao perceber que tratava-se de um golpe, parou de respondê-lo e bloqueou os contatos do homem.>
Após isso, ele usou outros números e perfis diferentes para falar com ela. A balconista afirmou, ainda, que trocou o número de telefone, o que fez com que a vítima perdesse parte das provas e conversas que teve com o criminoso durante um ano. Apesar de ter sido vítima do golpe, a balconista manifestou o desejo de arquivar o boletim de ocorrência, não querendo dar prosseguimento nas investigações. O caso havia sido registrado como estelionato e estava sob investigação do 2º Distrito Policial (DP) da cidade.>
Responsável pelo caso, o delegado Caio Ricardo Alves explicou, em entrevista ao G1, que a vítima foi chamada duas vezes na delegacia e manifestou interesse pelo arquivamento das investigações. "Às vezes acontece essa questão, a pessoa tem vergonha de seguir ou não quer mais continuar com isso". De acordo com o delegado, por ter menos de 70 anos, há a necessidade da vítima representar o crime para que as investigações prossigam. >
"No caso dela, eu necessito formalmente que ela queira representar e como ela não quer, eu aguardo, caso ela mudar de ideia, não tem problema dentro do prazo decadencial [de 6 meses], para que eu continue com as investigações". "Aqui nós continuamos as investigações no sentido de [identificar] outros golpes conexos com esses, então os investigadores continuam com as investigações para [ver] se essa pessoa está relacionada com outros golpes", complementou Caio.>
O delegado explicou que os golpistas se aproximam das vítimas, estabelecem uma conexão como se elas fossem a única pessoa a salvá-las. "Eles vão conseguindo estabelecer, é como se fosse um relacionamento mesmo e é quando as vítimas acabam caindo nos golpes". Caio orienta que as vítimas que se identifiquem em situações como essa ou estejam com alguma dúvida em relação a estarem ou não sofrendo um golpe a procurarem imediatamente a delegacia antes de realizar qualquer tipo de transferência bancária.
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