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Influenciadora que falava sobre autismo e maternidade atípica morre aos 29 anos

Fernanda Fialho, do perfil Para Que Tabu, tinha 177 mil seguidores e compartilhava a rotina como mulher autista e mãe de uma criança também diagnosticada com TEA

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 4 de outubro de 2026 às 10:14

Influenciadora que falava sobre autismo e maternidade atípica morre aos 29 anos
Influenciadora que falava sobre autismo e maternidade atípica morre aos 29 anos Crédito: Reprodução

A influenciadora digital Fernanda Fialho morreu aos 29 anos. Conhecida por comandar o perfil Para Que Tabu, ela morava no Rio de Janeiro e usava as redes sociais para falar sobre autismo, maternidade atípica, inclusão, acessibilidade e os desafios enfrentados por pessoas neurodivergentes na vida adulta. A causa da morte não foi divulgada.

Fernanda Nathany Fialho Silva nasceu em 9 de novembro de 1996 e morreu em 1º de outubro de 2026. A notícia foi comunicada nas redes sociais na sexta-feira (2), em uma publicação de homenagem. “Seu amor, sua voz e sua história permanecem entre nós”, dizia a mensagem publicada no perfil que ela construiu ao longo dos anos.

Influenciadora que falava sobre autismo e maternidade atípica morre aos 29 anos por Reprodução

Diagnosticada com autismo nível 2 de suporte, Fernanda também era mãe de Ana Laura, de 5 anos, que está no espectro autista. A experiência das duas ocupava parte importante do conteúdo produzido por ela, que transformava situações da rotina familiar em discussões sobre diagnóstico, suporte, maternidade e neurodiversidade.

Perfil começou como espaço para falar da própria rotina

O perfil Para Que Tabu foi criado em 2018. Em uma publicação feita ainda em vida, Fernanda contou que a página nasceu em meio a uma trajetória marcada por consultas com psicólogos e psiquiatras, tratamentos, diagnósticos tardios e outras experiências que, segundo ela, fizeram parte de sua caminhada.

“Eu sobrevivi a muitas tempestades (internações psiquiátricas, diagnósticos tardios e violências invisíveis) até entender que a minha salvação começou quando encontrei a minha própria voz e o diagnóstico da minha filha”. Na mesma publicação, Fernanda contou que havia transformado as próprias experiências em uma atuação que ultrapassava as redes sociais. Palestrante e escritora, ela dizia viajar pelo Brasil para falar sobre inclusão, acessibilidade e luta antimanicomial, enquanto também mostrava a realidade de uma família formada por uma mãe e uma filha autistas.

“Por trás de cada conquista, dos livros publicados e dos palcos, existe a realidade de uma mãe e uma filha atípicas com suporte moderado, navegando um futuro incerto com coragem e amor”. O diagnóstico de Ana Laura teve papel importante na descoberta do próprio autismo por Fernanda. A menina recebeu o diagnóstico ainda pequena, e, ao acompanhar o processo, a influenciadora passou a reconhecer características semelhantes na própria trajetória.

Em uma publicação recente, ela resumiu essa transformação ao contar que o diagnóstico precoce da filha e a própria descoberta, já adulta, fizeram com que o perfil crescesse junto com a família. A página deixou de ser apenas um espaço pessoal e passou a reunir uma comunidade interessada em discutir experiências relacionadas à neurodivergência.

Na descrição do perfil, Fernanda se apresentava como “uma autista e mãe de autista tentando sobreviver à vida adulta”. O conteúdo abordava desde situações cotidianas até temas mais delicados, como necessidade de suporte, autonomia, saúde mental, preconceito e as dificuldades enfrentadas por adultos autistas.

Fernanda também falava sobre saúde mental

Em seu último vídeo publicado, Fernanda falou sobre a necessidade de suporte e supervisão enfrentada por algumas pessoas neurodivergentes durante a vida adulta. Ela explicou que o acompanhamento era importante para sua segurança e ajudava a evitar situações de risco em momentos difíceis. Ao mesmo tempo, relatou o impacto emocional de viver sob supervisão. Fernanda afirmou ser grata por ter acesso ao apoio necessário, mas reconheceu que a presença constante de outras pessoas em sua rotina também poderia provocar uma sensação de restrição.

O tema fazia parte de uma trajetória que ela própria descrevia como marcada por dificuldades e recomeços. Em outra publicação, escreveu que, apesar dos dias difíceis, havia escolhido seguir vivendo “um dia de cada vez” e dividir essa experiência com quem acompanhava seu trabalho.

Morte provoca comoção 

A notícia da morte provocou uma série de homenagens nas redes sociais. Seguidores, profissionais que tiveram contato com Fernanda e pessoas ligadas ao universo da neurodiversidade lembraram não apenas do conteúdo produzido por ela, mas também de encontros pessoais e do impacto que seus relatos tiveram. Uma das mensagens publicadas após a morte questionou quantas vezes Fernanda teria sido “morta” simbolicamente por atitudes, palavras, preconceito e maldade humana. A autora da mensagem lamentou a perda e enviou solidariedade à família da influenciadora.

Outra homenagem veio de uma mulher que contou ter encontrado Fernanda após uma palestra em São Paulo. Segundo o relato, Fernanda a abraçou e disse, emocionada, “como eu queria ter tido uma mãe como você”. Ao comentar a morte, ela escreveu que aquele abraço não aconteceria novamente, mas que a lembrança permaneceria.

Entre os comentários, uma das mensagens foi direcionada ao pai de Fernanda. O autor afirmou que ela havia sido “inspiração, exemplo, ajuda, esperança” para muitas pessoas e destacou o orgulho que o pai tinha da filha. “O orgulho que você tem dela eu tenho de você também, papai”, escreveu. A mensagem também destacou a força de Fernanda diante das dificuldades que ela própria havia relatado publicamente e terminou com uma despedida à influenciadora e palavras de apoio ao pai e aos demais familiares.

A repercussão das homenagens mostra a dimensão que o trabalho de Fernanda alcançou. Mais do que compartilhar a própria rotina, ela transformou experiências pessoais em uma plataforma de discussão sobre autismo, maternidade atípica, inclusão e saúde mental. A causa da morte de Fernanda não foi divulgada. A família também pediu privacidade neste momento de despedida. Fernanda completaria 30 anos em novembro.