Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Giuliana Mancini
Publicado em 18 de julho de 2026 às 09:59
O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo neste sábado (18). >
De acordo com a reportagem, a transferência da propriedade foi impedida pelo cartório de registro de imóveis após o recebimento de uma ordem de bloqueio de bens determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).>
Ainda segundo o Estadão, Wagner também negociava a venda de um apartamento em Salvador por R$ 10 milhões. A transação havia sido protocolada em cartório uma semana antes da operação da Polícia Federal, mas também acabou bloqueada em razão da decisão judicial.>
Segundo a publicação, mesmo com a indisponibilidade dos imóveis, o senador já teria recebido ao menos R$ 12 milhões referentes às negociações.>
A documentação obtida pelo jornal indica que o pedido de registro da venda do terreno, que tem 51 mil m² e foi comprado por ele em 2000, foi apresentado ao 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari em 19 de junho, um dia após a operação da PF. "Em cumprimento ao protocolo nº (...), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner", registrou o cartório.>
O terreno fica na Região Metropolitana de Salvador e, conforme a reportagem, foi negociado com uma empresa que tem participação do Grupo City, dono da SAF que comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo imobiliário. A área deverá fazer parte de um empreendimento imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do clube.>
Em nota enviada ao Estadão, a defesa de Jaques Wagner afirmou que não há irregularidades nas negociações, mas não comentou os detalhes das transações.>
"A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder", afirmou o advogado Pablo Domingues.>
Questionada pelo Estadão sobre a transação, a diretoria de comunicação do Bahia afirmou que foram comprados terrenos de cinco proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e informou que o imóvel pertencente a Jaques Wagner representa cerca de 4% da área total negociada. Ainda de acordo com a manifestação, o bloqueio judicial envolvendo o terreno do senador não deve comprometer o andamento do projeto previsto para o local.>
Investigação da PF>
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos ligados ao Banco Master. No caso de Jaques Wagner, a Polícia Federal apura se o senador recebeu benefícios para atuar em favor dos interesses do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.>
Segundo a investigação, um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões e destinado à filha do senador, teria sido adquirido por uma empresa ligada a terceiros com recursos que, de acordo com a PF, tiveram origem em operações relacionadas ao Banco Master.>
Após a operação da Polícia Federal, em junho, Jaques Wagner deixou a liderança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. O parlamentar nega irregularidades, afirma que manteve apenas relações institucionais com os investigados e sustenta que não foi denunciado nem se tornou réu no caso.>