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Fernanda Varela
Publicado em 3 de outubro de 2026 às 20:30
A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, acusado de matar a tiros o estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23, durante uma briga de trânsito em Taubaté, no interior paulista.>
A decisão foi tomada na sexta-feira (2) pela 15ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), após recurso apresentado pelo Ministério Público. Apesar da expedição do mandado, a própria decisão ressalva que o cumprimento deverá observar as restrições previstas no Código Eleitoral.>
Bruno Hashimura San Juliano foi assassinado a tiros
Como o primeiro turno das eleições acontece neste domingo (4), eleitores não podem ser presos entre as 17h de 29 de setembro e as 17h de 6 de outubro, salvo em flagrante delito, em razão de sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto. A regra está prevista no artigo 236 do Código Eleitoral e foi regulamentada pelo TSE para as Eleições 2026. >
Por isso, o mandado contra o bombeiro deverá respeitar esse período de restrição.>
Bombeiro havia sido solto>
Marcos foi preso em flagrante após a morte do estudante, mas recebeu liberdade provisória durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (1º). Na ocasião, foram impostas medidas cautelares, entre elas recolhimento domiciliar durante a noite, comparecimento periódico à Justiça, proibição de se aproximar ou manter contato com familiares da vítima e suspensão do porte de arma. O Ministério Público recorreu e pediu que o bombeiro permanecesse preso preventivamente.>
Ao analisar o recurso, a desembargadora Gilda Alves Barbosa Diodatti considerou, segundo o processo, que existem provas da materialidade e indícios de autoria do homicídio qualificado. A decisão também mencionou a gravidade da conduta, o emprego de arma de fogo em via pública e a necessidade de preservação da ordem pública e da instrução criminal.>
A defesa informou que respeita as decisões do Poder Judiciário e que adotará as medidas e os recursos considerados cabíveis.>
Estudante foi atingido por quatro tiros>
O crime aconteceu na manhã de quarta-feira (30), na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté.>
Segundo a investigação da Polícia Civil, Marcos e Bruno se envolveram em um desentendimento no trânsito. O bombeiro teria descido do Jeep Renegade que dirigia, caminhado até o veículo do estudante e golpeado o vidro da porta do motorista até quebrá-lo. Em seguida, ainda conforme a versão policial, teria efetuado os disparos.>
Bruno foi atingido quatro vezes: uma no pescoço, duas no tórax e uma no braço esquerdo. Mesmo ferido, conseguiu sair do veículo e tentou fugir, mas morreu.>
A Polícia Civil concluiu o inquérito na sexta-feira e indiciou Marcos por homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima.>
Em depoimento, Marcos afirmou ter acreditado que estava diante de uma tentativa de assalto. Segundo sua versão, Bruno teria um objeto metálico semelhante a uma arma e também teria tentado atacá-lo com uma faca.>
A defesa sustenta legítima defesa. A Polícia Civil, porém, informou que os elementos reunidos durante a investigação não sustentam essa versão.>
Nenhuma arma de fogo foi encontrada com Bruno, e testemunhas ouvidas pela polícia não relataram ter visto o estudante segurando uma arma ou uma faca. Um canivete retrátil foi localizado dentro do carro da vítima e encaminhado para perícia.>
A defesa informou que pretende contestar as conclusões do inquérito e que as provas e circunstâncias do caso serão discutidas no processo.>