Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 12:29
A Justiça do Trabalho suspendeu provisoriamente as demissões coletivas feitas pelo Grupo Casas Bahia entre 13 e 17 de agosto. A decisão é da juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. >
A empresa terá cinco dias, após ser intimada, para restabelecer os "vínculos jurídicos e econômicos" dos funcionários demitidos, com reinclusão na folha de pagamento e retomada dos benefícios previstos nos contratos. A informação é de O Globo.>
A decisão não determina a reabertura das 298 lojas fechadas neste mês nem garante a permanência definitiva dos trabalhadores. O grupo poderá realocá-los em funções compatíveis nas estruturas que continuam funcionando ou mantê-los afastados com remuneração enquanto a medida estiver em vigor.>
Funcionário é demitido da Casas Bahia após 21 anos
As verbas rescisórias já pagas também não precisarão ser devolvidas neste momento. A Justiça deverá decidir posteriormente se haverá compensação ou restituição.>
Novas demissões>
A decisão não impede a Casas Bahia de reduzir o quadro, fechar unidades ou fazer mudanças na estrutura. Porém, novas demissões coletivas ou em massa deverão ter participação efetiva dos sindicatos antes de serem realizadas.>
"O sindicato não dispõe de poder de veto. Exige-se somente que a decisão coletiva seja precedida de informação e oportunidade real de interlocução, antes de sua implementação", escreveu a juíza.>
O descumprimento da ordem poderá gerar multa de R$ 500 por dia para cada trabalhador atingido, limitada ao equivalente a dez salários mensais. Para novas dispensas feitas sem a intermediação sindical, a multa prevista é de R$ 10 mil por funcionário.>
"Não declaro, neste momento, a nulidade definitiva dos desligamentos, nem reconheço aos trabalhadores garantia permanente de emprego", afirmou a magistrada.>
Provas digitais>
A juíza também determinou que a empresa preserve provas digitais relacionadas às demissões. A ordem inclui e-mails corporativos, mensagens em plataformas internas, registros de acesso, históricos de versões e backups desde janeiro de 2026.>
"A requerida (a empresa) deverá interromper rotinas automáticas de exclusão de e-mails corporativos, mensagens em plataformas internas, registros de acesso (logs), históricos de versões e backups desde janeiro de 2026", diz a decisão.>
As demissões ocorreram durante a crise financeira do Grupo Casas Bahia, que registrou prejuízo de R$ 17,3 bilhões e entrou com pedido de recuperação judicial. Cerca de 3 mil funcionários foram demitidos entre 13 e 17 de agosto, em meio ao plano de transformação da companhia que fechou quase 300 lojas. >