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Mariana Rios
Publicado em 16 de julho de 2026 às 12:10
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) solicitou a investigação de 32 sites que utilizam inteligência artificial para criar imagens falsas de nudez sem o consentimento das vítimas. O pedido foi feito pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), que identificou plataformas capazes de manipular fotografias reais para gerar conteúdo íntimo falso.>
A relação dos sites foi encaminhada à Polícia Federal para apuração de possíveis crimes e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que deverá analisar eventuais violações à legislação de proteção de dados pessoais.>
Segundo o ministério, as ferramentas são facilmente acessadas pela internet e permitem que usuários enviem fotos para produzir montagens de nudez com aparência realista. A prática pode ser utilizada para assédio, extorsão, humilhação e outras formas de violência digital.>
De acordo com a Sedigi, mulheres, adolescentes e meninas estão entre as principais vítimas desse tipo de conteúdo. O órgão afirma que a criação e a divulgação dessas imagens podem violar direitos à privacidade, à imagem e à dignidade, além de configurar crimes previstos na legislação brasileira, dependendo do caso.>
A iniciativa faz parte das ações do Ministério da Justiça para combater o uso abusivo da inteligência artificial e reforçar a proteção dos direitos digitais da população. O resultado está consolidado na Nota Técnica nº 23/2026, assinada em 13 de julho, que complementa levantamento anterior voltado a aplicativos móveis e amplia o foco para os produtos oferecidos diretamente na web aberta.>
Diferentemente dos produtos ofertados sob a forma de aplicativos móveis, as ferramentas examinadas estruturam-se como serviços baseados em SaaS (software como serviço), acessíveis mediante simples pesquisa em navegadores de uso corrente.>
Por operarem fora do ecossistema das lojas de aplicativos, escapam dos filtros de moderação e dos termos de serviço desses ambientes, ampliando o acesso — não raro sem exigência de cadastro ou de verificação de idade. Como o uso dispensa download ou instalação, bastando uma URL e um navegador comum, ampliam-se as condições de acesso e o anonimato do usuário, o que dificulta a auditoria e a responsabilização de quem gera o conteúdo.>
A nota técnica do Ministério da Justiça registra ainda que parte dos sítios permite o processamento gratuito de uma a duas imagens, com marca d'água ou em baixa resolução, como forma de atrair o usuário, mediante cobrança de assinaturas por criptomoedas, cartões internacionais ou intermediários de pagamento alternativos para liberar imagens em alta definição e sem restrições.>
O levantamento teve caráter exploratório e se concentrou na identificação pública dos sites e na verificação de que eles estavam acessíveis na internet. Segundo o Ministério da Justiça, não foram realizados testes sobre o funcionamento interno, desempenho ou segurança das plataformas. A análise contou com o apoio de uma consultoria especializada em inteligência artificial, voltada à avaliação de produtos e serviços que possam impactar crianças e adolescentes. >
Ao concluir o estudo, a Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi) recomendou o envio do material à Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DCiber), da Polícia Federal, e à Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para apuração de possíveis crimes e adoção das medidas cabíveis.>
A nota técnica também foi encaminhada à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que poderá investigar eventuais infrações relacionadas à proteção de dados pessoais e ao cumprimento das obrigações legais por parte dos provedores das plataformas.>
O Ministério da Justiça orienta vítimas de violência contra a mulher a denunciarem os casos pelo Ligue 180. Situações que envolvam violações de direitos de crianças e adolescentes podem ser comunicadas ao Disque 100.>