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Mulher de 38 anos que fingia ser adolescente passou mais de dois meses acolhida por famílias no RS, diz denúncia

Amanda Maria Souza de Oliveira usou identidade falsa para receber apoio de famílias, igrejas e serviços públicos

  • Foto do(a) author(a) Giuliana Mancini
  • Giuliana Mancini

Publicado em 20 de junho de 2026 às 10:46

Mulher de 37 anos finge ser adolescente de 12 e engana família por mais de um ano
Mulher de 37 anos finge ser adolescente de 12 e engana família por mais de um ano Crédito: Reprodução

A mulher de 38 anos presa após se passar por uma adolescente em Santa Catarina viveu situação semelhante no Rio Grande do Sul anos antes. Segundo denúncia do Ministério Público gaúcho obtida pela RBS TV, afiliada da Globo, Amanda Maria Souza de Oliveira utilizou uma identidade falsa para se apresentar como uma menina de 11 anos e conseguiu acolhimento de famílias, igrejas e serviços públicos por mais de dois meses.

De acordo com a investigação, Amanda se identificava como Gabrielly da Silva Ferreira, de 12 anos, e relatava histórias de abandono, violência e abusos para sensibilizar pessoas e instituições. Ela ficou 40 dias na casa de uma família em São Leopoldo e outros 25 dias na residência de uma mulher em Cachoeirinha, ambas cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Mulher de 37 anos finge ser adolescente de 12 e engana família por mais de um ano por Reprodução

O primeiro registro da passagem dela pelo Rio Grande do Sul ocorreu em dezembro de 2020, em Caxias do Sul. Na ocasião, ela procurou serviços de assistência social afirmando ter apenas 11 anos e estar sozinha no estado. A situação mobilizou a rede de proteção à infância, que passou a acompanhá-la. Pouco tempo depois, Amanda, que é cearense, teria fugido da cidade.

Meses depois, em julho de 2021, Amanda entrou em contato com um casal de pastores de uma igreja em São Leopoldo por meio das redes sociais. Segundo a denúncia, ela contou que havia fugido de situações de violência e precisava de ajuda. Sensibilizada com o relato, a família decidiu acolhê-la em casa. Ela permaneceu no local por mais de 40 dias.

"Pensamos que era uma pessoa abusada e por isso a acolhemos. A gente teve poucos dias e foram muitos intensos. Foi uma loucura, foi fora do normal", relatou um dos pastores à RBS TV.

Segundo o Ministério Público, ao deixar a residência, Amanda teria levado R$ 726 em dinheiro e um documento pertencente à moradora da casa, fatos que deram origem a uma das acusações apresentadas contra ela.

Em outubro de 2021, a mulher voltou a procurar ajuda. Desta vez, aproximou-se de integrantes de uma igreja em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Novamente, relatou supostos abusos sofridos desde a infância e conseguiu ser acolhida por outra família.

De acordo com a denúncia, ela permaneceu pelo menos 25 dias na residência antes de o caso chegar ao Conselho Tutelar. A suposta adolescente passou então a receber atendimento de diversos serviços públicos voltados à proteção de crianças e adolescentes. Ela teria voltado a fugir ao ser confrontada, segundo a denúncia.

As suspeitas sobre sua verdadeira identidade surgiram durante atendimentos no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre. Segundo o Ministério Público, profissionais da unidade estranharam a idade informada e identificaram semelhanças com um caso já descrito em um artigo científico. A equipe entrou em contato com os autores da pesquisa e passou a considerar a hipótese de que se tratava da mesma pessoa.

Após novas verificações, um exame papiloscópico confirmou que a adolescente chamada Gabrielly da Silva Ferreira era, na verdade, Amanda Maria Souza de Oliveira.

Segundo o Ministério Público, ela utilizava versões semelhantes da mesma história há mais de uma década em diferentes estados brasileiros para obter acolhimento de famílias e instituições.

Amanda chegou a ficar presa por cerca de seis meses em razão dos fatos investigados no Rio Grande do Sul. O processo acabou suspenso após ela deixar o sistema prisional e não ser mais localizada. Com a recente prisão em Santa Catarina, o Ministério Público pediu a retomada da ação penal.

A defesa da investigada já afirmou que desconhece os detalhes do caso do Rio Grande do Sul e que vai se manifestar no processo movido contra ela em Santa Catarina, onde foi aberto um expediente para avaliar a sanidade mental de Amanda.