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O futuro da indústria florestal no Brasil

O sucesso da indústria florestal brasileira depende da capacidade de gerar valor compartilhado

Publicado em 20 de julho de 2026 às 05:00

A maturidade do setor florestal brasileiro representa a consolidação de um modelo que integra produção industrial em larga escala, eficiência e conservação de biomas como a Mata Atlântica. Ao olharmos para o futuro, integrar produção e conservação é vital para a competitividade do país e para o desenvolvimento local.

O setor ocupa posição estratégica na economia nacional. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o país produziu o recorde de 29,4 milhões de toneladas de celulose em 2025, mantendo-se como o maior exportador global do produto. As vendas externas da cadeia somaram US$ 14,9 bilhões no período, respondendo por quase 9% da balança comercial do agronegócio.

Na Bahia, dados da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) apontam cerca de 700 mil hectares de florestas plantadas, 400 mil hectares de áreas nativas preservadas e 230 mil empregos. Mas os números contam apenas metade da história. A outra metade está no solo, na tecnologia e nas pessoas que constroem essa trajetória.

Os desafios existem. Oscilações de preços e barreiras comerciais afetam um mercado internacionalizado. Exigências regulatórias, custos logísticos e mudanças climáticas ampliam a pressão por adaptação. Produtividade e controle de custos continuam essenciais, mas já não são suficientes. No Brasil, podemos liderar esse momento por meio de soluções baseadas na natureza.

Entendemos que a "floresta do futuro" é digital. Com tecnologia aplicada, monitoramos operações em tempo real, usando IA para mitigar riscos, evitar desperdícios e garantir uma produção responsável. A rastreabilidade tornou-se uma infraestrutura de confiança. Acompanhar o processo do manejo ao porto responde à exigência global de produtos com origem comprovada, alinhando-se a normas como o Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR).

O sucesso da indústria florestal brasileira depende da capacidade de gerar valor compartilhado. Descarbonizar não é apenas uma meta de emissões, mas uma revisão de processos, da eficiência industrial à logística. Não basta produzir celulose; é preciso cultivar prosperidade, apoiar a agricultura familiar e proteger a biodiversidade. É a união da eficiência com o pertencimento que nos direciona para o próximo nível de sustentabilidade. Somos jovens o suficiente para inovar e experientes o bastante para liderar. O futuro é verde, digital e, acima de tudo, humano.

Alexandre Lanna é CEO da Veracel Celulose