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Carol Neves
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 05:02
Imagine olhar o calendário em uma quarta-feira, 2 de setembro, e acordar no dia seguinte já em 14 de setembro. Foi exatamente o que ocorreu no Reino Unido e em suas colônias em 1752, quando a Coroa adotou o calendário gregoriano, sistema que hoje predomina em grande parte do mundo. >
Para acertar as contas, o governo suprimiu 11 datas de uma só vez. Assim, os dias entre 3 e 13 de setembro daquele ano simplesmente não existiram oficialmente nos territórios britânicos. O mês teve uma sequência incomum: 1º, 2, 14, 15 de setembro.>
A mudança foi necessária porque os britânicos ainda utilizavam o calendário juliano, que previa um ano bissexto a cada quatro anos, sem exceção. A conta, porém, era ligeiramente maior que a duração real de uma volta da Terra ao redor do Sol. Ao longo de séculos, essa diferença provocou um descompasso entre as datas do calendário, as estações do ano e celebrações religiosas.>
Calendário de corrida 2026
O calendário gregoriano, criado em 1582, corrigiu esse cálculo ao estabelecer uma regra diferente para os anos terminados em “00”: eles só seriam bissextos quando também fossem divisíveis por 400. Por isso, 1700 teve 29 dias em fevereiro pelo antigo sistema, mas não teria pelo novo. Esse foi um dos fatores que elevaram a correção britânica a 11 dias.>
Países católicos já tinham aderido ao novo calendário no fim do século XVI, mas a Grã-Bretanha demorou quase 170 anos para fazer a transição. A reforma de 1752 também mudou o início oficial do ano no país: até então, ele era contado a partir de 25 de março; depois, passou a começar em 1º de janeiro.>
A decisão transformou aquele setembro em um dos mais estranhos da história britânica. Para milhões de pessoas espalhadas pelo Reino Unido e pelas colônias, não foi preciso atravessar 11 dias para chegar à segunda quinzena do mês: bastou virar uma página do calendário. >