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Perla Ribeiro
Publicado em 15 de julho de 2026 às 19:59
O motorista Antônio Pereira do Nascimento, que ganhou notoriedade nacional após receber por engano R$ 131,8 milhões em sua conta bancária, teve um pedido da defesa rejeitado sem sequer ser analisado pela Justiça. O motivo, segundo especialistas, é que o recurso apresentado não preenchia os requisitos previstos em lei para esse tipo de solicitação. >
Os advogados de Antônio apresentaram os chamados embargos de declaração depois que a Justiça dispensou as testemunhas indicadas no processo em que o motorista pede R$ 13.187.022, valor equivalente a 10% da quantia devolvida ao banco, além de R$ 150 mil por danos morais. Mas, afinal, o que significa a decisão de "não conhecer" um recurso?
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Caso do motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano tem novo capítulo na Justiça
Segundo o advogado especialista em Direito Civil Mateus Gomes, ouvido pelo g1 Tocantins, isso significa que o pedido nem chegou a ser analisado porque não preenchia os requisitos previstos na legislação. "O juiz entendeu que o recurso não cumpria os requisitos necessários para ser avaliado", explica.>
Os embargos de declaração são utilizados quando uma das partes entende que uma decisão judicial apresenta omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais que precisam ser esclarecidos. Neste caso, porém, o magistrado concluiu que a defesa não indicou nenhum desses problemas na decisão anterior.>
Na sentença, o juiz afirma que não foi identificado qualquer vício que justificasse o recurso. "Pelo exposto, não conheço dos embargos de declaração opostos [...], por ausência dos requisitos legais", registrou o magistrado. Mateus Gomes observa que esse tipo de recurso costuma ser utilizado justamente para esclarecer decisões judiciais, motivo pelo qual a decisão chamou atenção.>
Por que a defesa apresentou o recurso?>
Os embargos foram protocolados após uma decisão da Justiça, em março de 2026, dispensar as testemunhas indicadas tanto pela defesa do motorista quanto pelo banco. Segundo o especialista, os depoimentos buscavam demonstrar os impactos emocionais sofridos por Antônio após toda a repercussão do caso.>
"A decisão teve como fundamento que isso poderia ser provado documentalmente. Ou seja, a Justiça entendeu que os documentos já constantes no processo eram suficientes para demonstrar o estado emocional e o eventual abalo das partes", explica. Ao dispensar as testemunhas, o juiz considerou que a discussão principal da ação é verificar a transferência indevida, a devolução do dinheiro ao banco e as consequências jurídicas desse episódio, sem necessidade de produção de prova testemunhal.>
Relembre o caso>
Antônio Pereira do Nascimento ganhou repercussão nacional em 2023 após receber, por engano, uma transferência de R$ 131.870.227 em sua conta bancária. Pai de quatro filhos e avô de 14 netos, ele procurou imediatamente a instituição financeira para devolver o dinheiro, que permaneceu em sua conta por cerca de sete horas.>
Na época, o motorista comentou a situação com bom humor. "Nunca vi um dinheiro desse na minha vida e não consigo nunca na minha vida, só se ganhar na Mega-Sena, e jogar eu não jogo. Então é difícil". A história repercutiu em todo o país e chegou ao quadro "Acredite em Quem Quiser", do programa Domingão com Huck, da TV Globo.>
Em julho de 2024, Antônio entrou com uma ação contra o Bradesco. No processo, pede uma recompensa equivalente a 10% do valor devolvido, totalizando R$ 13.187.022, além de R$ 150 mil por danos morais. Segundo a ação, ele teria sofrido pressão psicológica por parte do gerente da agência para devolver o dinheiro. A defesa também afirma que o gerente insinuou que havia pessoas na porta da casa do motorista aguardando a restituição da quantia.>
Além disso, Antônio alega que a grande repercussão do caso e o assédio da imprensa provocaram constrangimentos e abalos emocionais, motivo pelo qual também pede indenização por danos morais. O Bradesco informou ao g1 que não comenta processos em andamento.>