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Da Redação
Publicado em 1 de fevereiro de 2013 às 14:10
- Atualizado há 3 anos
Estadão Conteúdo Os senadores decidiram nesta sexta-feira eleger o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) mais uma vez presidente do Senado. O peemedebista recebeu 56 votos a favor; o adversário Pedro Taques (PDT-MT), 18. Ocorreram ainda dois votos em branco e outros dois nulos. Renan Calheiros presidirá o Senado no biênio 2013-2014. Ele retorna ao comando da Casa cinco anos após renunciar ao cargo para não ser cassado pelos pares e uma semana após o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tê-lo denunciado por peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de notas fiscais falsas ao Supremo Tribunal Federal (STF). A eleição, feita em votação secreta por meio de cédulas, durou 35 minutos e contou com a presença de 78 dos 81 parlamentares. Faltaram à votação os senadores Humberto Costa (PT-PE), Luiz Henrique (PMDB-SC) e João Ribeiro (PR-TO). Lançado oficialmente candidato no início da noite de quinta-feira mas articulando a candidatura desde o ano passado, Renan fez um discurso em plenário no qual ignorou as acusações que pesam sobre ele e disse que ética “é obrigação de todos”. Ele apresentou algumas de suas propostas para os dois anos de mandato e pediu votos. Renan Calheiros assume pela segunda vez a presidência da Casa“Eu peço à nossa Casa, a Casa dos iguais, o apoio e o voto de vossas excelências, consciente de que a escolha de cada um das senhoras e senhores senadores é, acima de qualquer coisa, uma demonstração de prestígio, homenagem e celebração à democracia.” O site da Revista Época publicou nesta sexta-feira a íntegra da denúncia sigilosa oferecida por Gurgel contra Renan na semana passada. O procurador-geral sustenta que o peemedebista não tinha patrimônio suficiente para justificar os gastos com despesas pessoais decorrentes de um relacionamento extraconjugal. Na época do escândalo, em 2007, Renan foi acusado de ter esses gastos bancados por lobista de uma empreiteira. Questionado antes da eleição pela reportagem, o ex-líder do PMDB não quis comentar sobre divulgação do conteúdo da denúncia criminal. “Estou confiante, não vi a reportagem”, afirmou. Em 2007, o parlamentar apresentou notas fiscais para comprovar que o dinheiro obtido com venda de gado bancou os gastos extraconjugais. A Procuradoria-Geral da República considerou, no entanto, que as notas eram “frias”. Se a denúncia criminal for aceita pelo Supremo Tribunal Federal, Renan passará da condição de investigado para a de réu. Na época do escândalo, o peemedebista acabou absolvido no plenário do Senado de dois processos de quebra de decoro. Foram essas acusações que o levaram a abdicar da Presidência da Casa. DesistênciaDurante as falas em plenário antes da votação, a maioria dos aliados de Renan fez questão de lembrar aos senadores que respeitassem a chamada proporcionalidade das bancadas na eleição, o que garante ao PMDB, como a maior bancada da Casa, direito de indicar o candidato a presidente. Os defensores de Pedro Taques, por sua vez, cobraram principalmente a eleição de um nome de independência em relação ao Executivo sem mencionar as acusações contra o novo presidente do Senado. Entre os 17 discursos antes da eleição, o correligionário de Renan Calheiros o gaúcho Pedro Simon foi o único a pedir que o colega de partido desistisse da candidatura. “Vamos repetir o filme que já aconteceu?”, questionou Simon, ao dizer que é possível que Calheiros responda a um novo processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro.Em resposta a Simon, o senador Lobão Filho (PMDB-MA) disse que nenhum senador tem autoridade para “levantar o dedo para o senador Renan Calheiros”. “Não é de surpreender, nenhum de nós senadores, que há cinco dias o procurador faça uma denúncia, depois de sete anos. Aqui nesta casa não há nenhuma vestal, a última vestal foi desossado pela imprensa, o senador Demóstenes Torres, acredito que injustamente. Não tem ninguém para levantar o dedo para o senador Renan Calheiros”, afirmou. Apresentando-se como anticandidato e num discurso que deixou o plenário calado, Pedro Taques disse ter à tribuna do Senado com a certeza de que seria derrotado na eleição. “Sei que a nossa derrota é certeira, transparente, inevitável, aritmética”. Taques defendeu uma nova forma de fazer política, sem se espelhar no passado.“Chega de Senado perdigueiro, do Senado sabujo. Somos senadores da República, não leva-e-traz do Executivo. Anticandidato-me à Presidência desta casa para combater o mal vezo do Poder Executivo de despejar suas medidas provisórias, ainda que fora de situações de urgência e relevância, em continuado desprestígio de nossas prerrogativas legislativas”, afirmou.>